sábado, 29 de agosto de 2009


SALVA A DOR
São Jorge Meu Ogun Tu não pode ser mais De um Posto que és mil Vontades, necessidades e pedidos E os mitos que lhe vão Nas costas Em sua bela e poderosa Capa Transformam sua guerra Em muito mais que fé e orgulho Transformam sua proteção Em muito mais Que esperança Tu és mais que o bem e o mal E está aqui tua espada Sobre minha cabeça Que sofre de dor... Salva... Salva a dor

Sarau do Choppinho Digital


SEGREDOS DE SONHOS SEM DESEJOS


Meu segredo

é luzir o céu de estrelas

em segredos

iluminados de poesia,

samba e dançares

circulados de fogo chama

e odores poematizados

de toda cor de amor

Meu grande sonho

é melar de mel de flores

e produzir sabores

que transcendam desejos,

vontades, tesões

e mesmo iludir de ilusões

verdes, azuis, vermelhas, amarelas

cores de amor e amores de amar

Meu grande desejo

É jamais ter desejo

E tergiversar do rancor

De ter deixado fluir um amor

Em curvas, erupções, voltas

Revoltas e cantos de encantos

- encantados –

do torpor de não ser amor

Ah! Mas se me cura

A palavra poema

E ainda o gosto de suas

Articuladas junções

Apura-me tecer colchas,

Cordas e roupões de letras

incolores

de cores multicores

Na busca da perfeita ação de viver

Sarau do Choppinho Digital




SOL E CHUVAAlinhar à direita

Quando me quero
Soul mesmo
Menos que posso

Quando posso quase ser o que quis
Sou mesmo quase nada
Diante do que já fiz

Sem respostas
E senhor de muitas apostas
Vivo um viver
De ser
Muito menos pelo que já fiz

Não há razão em subjugar o não
E nem subjetivismos impossíveis
Na criatividade do sim
E os meios
São apenas estradas de sol e chuva

Sarau do Choppinho Digital



TEMPO, TEMPO...TEMPO


Por mais que eu tente

Não consigo pegar partículas

Do tempo com a mão

É mesmo hilário

Ver-me aos saltitos a buscar

Microns, segundos e minutos

Que passam esvoaçantes por entre

A dança da vida

Pensar-me agachado aos cantos

Tentando isolar e guardar presos

A palma da mão, milionésimos

Décimos...centésimos

É prestigiar a insana velocidade

Das imagens da vida a vagar

O polegar opositor

Rasga o vento do espaço

De meu tempo

E não trago preso nem um

Lapso de segundo

ou qualquer milionésimo

mícron de momento

Em contrapartida

Carrego em meu peito

de andar contra o vento

Um coração meu

Totalmente surrado pelo

Inflamável e inexorável tempo

De minha história

Tempo real dono de minha memória

E se confesso querer aprisionar

um pentelhésimo momento

é porque sorri, ela, para mim

sem me dizer por quanto tempo

Tempo, tempo, tempo

De meu tempo

A escorrer por minha vida

Sem ao menos me guardar

O melhor momento

Sarau do Choppinho Digital




UMA CANÇÃO DE AMOR VINDA DO ESPAÇO SIDERAL PARA SALVAR MEU ESTRANHO ESPAÇO SENTIMENTAL

Naves espaciais rondam o céu
Sequer trazem um amor de verdade
Para aliviar minha solidão de beijos
Carinhos e desejos

O Mundo fica mais sério...quando ouço
Uma canção – é como se recebesse
Dos deuses africanos uma unção
É como se Caio e Arthur
Me recebessem com um abração

O Teatro Mágico me tira do sério
Mesmo sendo poesia, circo, teatro
E canção – dilatam a minha fantasia
Matam minha sede de alegria
E contemplam quase toda a minha emoção

Preciso dos discos voadores
Vistos por Maurinho e ainda de seus
Estranhos seres, a quem farei pedidos de pés juntos
Braços estendidos, coração, peito e testa ungidos
Para que me tragam um amor especial
Vindo do espaço sideral, um amor saturniano, Plutarco
Urâniano, marciano, interestelar...

Um amor de verdade envolto em bonito pano
Florido ou metálico, fosco ou brilhando
Um amor que não seja chato em exigências
Doente de ser, ser humano

Preciso dos discos voadores, das naves espaciais
Que me tragam seres femininos que sejam poesia
Canção em flor...Que sejam perfeitas em harmonia
Que soem em bom tom, que estejam em boa vontade

Para uivarmos juntos ao céu infinito
Fazer poemas em forma de grito
Sorrir de qualquer canção
Para caminhar na areia, na beira, na eira
Para olhar o sol se por da soleira

Para sermos nós, juntos, a dar bobeira
Para sair do sério vendo e ouvindo
O Cordel de Fogo Encantado
Para tornar o mundo mais sério
Sendo a mesma canção de amor

Sarau do Choppinho Digital




VIDA FRIA


A lua de São Jorge
A lua de meu Ogum
Brilha sobre meu amor

E meu amor
Hoje sem cor
Sem sabor
Sei lá por onde anda

Vou escrever uma carta
Uma carta de amor
Cheia de letras colorias
E palavras com sabor

Uma carta quente
Que me faça reencontrar
Meu amor
Minha cor
Minha vontade de viver
Com calor

Sarau do Choppinho Digital



PALAVRAS ONDE ESTÃO AS TUAS BUNDAS ANCAS?

Preso a poucas palavras
Cruzo estradas molhadas
Ouço Chico Buarque
Cantar o Brasil

Dou adeus ao recanto
Das verdes matas
E de nuvens brancas
Em céu azul

E me pergunto
Palavras: onde andam
Tuas bundas e ancas?

Falta-me ser vários
Falta-me ser maluco

Basta de estar eunuco
Um João Ninguém
De sentidos seminais
E de gestações plurais

E não é culpa
Da emoção, do vocabulário.
Ou de falta de canção...

É mesmo...
Um sabe lá o que
Que me inibe
Todo o verbo e verso