sexta-feira, 4 de setembro de 2009

NOS FUNDOS DE CASA , SOB O VIADUTO OU OCUPANDO O PLENÁRIO A GENTE MATA A COBRA E MOSTRA O PAU


As ações neo liberais estão em curso em diversos governos e plataformas políticas. Há, um quê, de disfarce, que é mesmo na verdade, infeliz insensatez de governantes e parlamentares.

Mesmo antes, dessas ações, tomarem curso de forma mais pragmática, ações não governamentais, já existiam, envolvidas na dádiva e na cáritas..

Grupos de rotarianos, grupos de determinadas lojas de sendas místicas, grupos de determinados centros Kardecistas e de denominações afro-brasileiras, grupos da igreja evangélica e principalmente a igreja católica.

Em determinado momento, por volta do final dos anos oitenta e início dos anos 90, aconteceu um grande boom e vimos explodir no Brasil um centena de milhar de Organizações Não Governamentares...Entra o Estado mínimo, sai o Estado responsável pela divisão equânime do bem estar social, político e econômico...As ONG´s vão pouco a pouco ocupando os espaços possíveis, largados de mão pela incompetência e incapacidade da gestão dos Estados, e ainda, pela própria condução da gestão para os ideias pontuais do neo liberalismo.

Esta circunstância conjuntural fez com que os patrocinadores, fomentadores e bancadores – Os Mecenas - dos projetos sócio culturais, sócio educacionais, de saúde e de meio ambiente, criassem uma estratégia para organizar, a busca e a corrida, por captação de recursos...E a antiga caritas, se reorganiza e assume formatos novos e difíceis, fazendo então existir a figura do captador, que somente as .grandes instituições podem gerir e/ou pagar (em média de 10 a 20 por cento do capital captado).

A profissionalização da cáritas, causa um enorme vácuo na arrecadação da maior parte das ONG´s, pois que este profissional, se articula através de variadas mídias, oferece em troca além das contrapartidas próprias e inerentes as ações da ONG que representa, visibilidade (há aqui um feedback), o que os governos propõem a nível de isenções dentro de suas políticas de cultura e assistência social, estabelece também um braço que segue pela via do lobbismo , ação que gera uma panela e um bunker que monopoliza os recursos, para algumas instituições, que obtêm sucesso em suas perspectivas e outras que sucumbem.

Sem querer desdobrar este texto ao nível que poderia e deveria, corto para o fato estrutural de que se aproveitam o Estado e determinadas ONG´s, posto que pelo grande numero destas, diversos problemas de nível sócio-educacional, pelo menos, deveriam estar já, erradicados.

Há também o fato de que a União, os Estados e Municípios andam a lavar as mãos, além do necessário, esperando, que a Sociedade Civil Organizada e as organizações do Terceiro Setor, resolvam ou amenizem, quase tudo.

Desta circunstância, que se estende do conjuntural ao estrutural, muitos “Indivíduos Não Governamentais”, muitos Grupos e Coletivos não Institucionalizados tem se esforçado, para dar sua contribuição a sociedade e a seu entorno...E o que se pode ver é, que a grandeza deste povo, dito cordial é, realmente estonteante, dada a dimensão de sua criatividade e ação concreta, mesmo que dentro delas existam sonhos e subjetivismos é aqui que reside o fenomenal senso de futurível, o potente outrar-se e fenomenológico dar-se.No Gueto Mostra de Bandas Inéditas e Musica Pra Dançar No Fundo do Quintal

Em Areia Branca, Belford Roxo, no alto da rua Bela Vista, existe o Espaço No Gueto, fundos da casa do músico João Mathias (Desaguada, 5 Kilates, Maria Preta, Seu Mathias e Pabela Zen) que unindo seu vigor já quarentão a uma galerinha rock´n Roll, divertida e criativamente chamados de, Caramujos, reúnem-se semanalmente, centenas de pessoas para assistirem a várias bandas, de vários estilos, junto a muita conversa e diversão, com certeza a multiplicação das ações que vão sendo levadas dentro da cabeça, plantadas e infectadas, pelo vírus do: “eu posso também, pô!!!”
Filosofia e Hip Hop Em Baixo Do Viaduto Setor BF

Sob o viaduto de Mesquita, reúne-se junto aos malungos do Setor BF, o coletivo Anti-Cinema, uma fração da galera que faz parte do Enraizados, outra que vem da Casa das Inspirações , o Observatório das Metrópoles, mais o representante da Fundação Rosa Luxemburgo, aqui no Brasil denominada FASE, o incansável peregrino e caçador de inspirações artístico sociais Aércio, juntam-se a eles, outros tantos coletivos, que aparecem, quer seja, para assistir, quer seja para apresentar seu trabalho.

Ali nas simplérrimas e pequenas instalações, sob o viaduto, articulada pela galera que move e cuida do espaço, acomodam-se os convidados para programações incansáveis, que avançam, semanas e meses adentro e, colocam-se: no Café Filosófico, no Teatro, No Cine Clube, Na Música e na dinamização de temáticas das mais diversas e de grande relevância da cultura, políticas publicas e do pensar sobre a sociedade brasileira.

Lá, junto ao meu broder, o sociólogo André Leite e a historiadora, Érica Moura, sua esposa, pude mais uma vez, ter um encontro com sua tese de mestrado “ Memória Social da Baixada Fluminense”, que rolou em mó clima de participação, perguntas, comentários e apaixonado climão.

A palestra, foi a sobremesa que seguiu ao delicioso prato, um filme curta metragem, sensacional, do brodico Marcio Grafitte (que como gente grande que é freqüenta no mó luxo a Escola de Cinema Darcy Ribeiro.), que tratou do movimento soul music (muito legal poder ver meu amigo e vizinho Cridi.Já repararam a quantidade que tenho vizinhos ilustres).

Entre goles de conhaque e de prosa com os articuladíssimos Medi, Gustavo e Fábio Branco, finquei mais e mais meu pé, na capacidade absurdamente criativa, daqueles verdadeiros arquitetos sociais..

Espaço Cultural Na Varanda de Casa Espaço Cultural Donana

O Centro, Espaço de Cultura Donana, existe jah, há mais de uma década...Andou desarticulado e fragmentado, mas nunca desencorajado...Palco de uma história vigorosa da cena reggae de Belford Roxo, vai virar filme nas mãos de Cacau Amaral do Coletivo de Cinema Mate com Angu, está na tese do sociólogo André Leite e volta a ser palco de ações voltadas ao esporte – capoeira – a musica e ao cinema – Cine Rock – e ainda foi e é palco do nascimento das reuniões pró Conferência Municipal de Cultura de Belford Roxo – idéia que me sinto muito feliz de ter parido.

O Diogo, sobrinho de Dida Nascimento, tio musico das seminais Desaguada, KMD5 e da extinta Negril, junto a seus primos mais o Emerson, articulado garotão que faz parte da direção do Movimento Estudantil e é membro da Federação das Associações de Moradores e que entra desta empreitada, somando com seu equipamento de som e projeção...Vão sendo a mola e o health que faltava ao sangue criativo e fértil de Dida.
Poesia Na Câmara Municipal, Sarau Poesia Na Câmara

A falta de espaços somada a falta de equipamentos de som, para a realização de um sarau que envolveria musica, teatro, cine clube, circo, expressões folclóricas, mostra de artes plásticas e a poesia...Fizeram com que este poeta, primeiro recorresse a varanda da casa do músico Roger Hits, vocalista e violonista da extinta e ótima Caô de Raiz, no que ficou conhecido como, Sarau Poesia Na Varanda...Com a dificuldade de se montar mensalmente, a estrutura necessária para que o sarau acontecesse, então o poeta, se viu iluminado pela idéia de solicitar o espaço da Câmara Municipal de Belford Roxo, que rolou...Pedido aceito e a coisa flui, ainda que sem fomento e ajuda, mas com toda a estrutura necessária de microfones, mesa de som, amplificadores, ar condicionado, cadeiras, cafezinho e refresco...hummmmmmmmmmm.

É preciso confessar aqui, que por conta de uma série de muzengas, há dois meses (julho e agosto) o Sarau naum rola – não há fomento, não há logística, não há nada além de crítica e vou ficando esgotado e cansado pelo debruçar em uma dedicação extra humana para a realização dos eventos - em setembro, seremos também silêncio...Outubro será amanhã e “amanhã vai ser outro dia”

Aulas de Dança de Salão No Salão de Festas

Carlinhos é cabeleireiro, Roberta é cabeleireira....A minha careca é cuidada lá, no Salão Stylu´s...Juntos, marido e mulher além de par inseparável são ainda professores de dança, em um salão de festas, que se presta e empresta, para produzir auto estima em jovens de mais de 60 anos e também nos com bem menos.

Uma vez por mês, aliados a Ediarte, fazem um baile pra dançar....Ótimo exercício de treinamento e diversão.

A música é ao vivo....Os alunos rodam baile valorizando além dos movimentos e trejeitos da arte de dançar a arte de tocar e cantar.

Clube estimulante de conversas e rodopios...

Puxando da idéia e da memória me surgem e vem outras iniciativas...Mas vou já encerrando por aqui, é que jah vamos a consumir, três laudas....

Nosso desgoverno, encontra pouso em nossa vontade...E o que fede e choca é, que nem assim, a mídia nos dá foco. Nem por isso, a iniciativa privada nos dá fomento e, o governo nem ao menos nos aperta com seus abraços.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Pelo Samba Town de Alex Meirelles e Marcos Suzano Em Mavioso Concerto Que Me Fizeram Sair do Limbo e Subir da Terra de Hades


Segunda é aquela coisa...E se dermos bobeira, a deixamos pegar a terça e a quarta...E vira bola de neve.
Quando assim é...O quarto é pouco, o computador é muito, a tv é chata, dos amigos se esquece o poeta, os livros doem a vista e jornais nem pensar...

O fim de semana foi de alguns micos:

VANUSA...Coitada, me deu pena...Errar o Hino Nacional é normal...Já ví jogador cantando errado, atletas fazendo mímica, enquanto militar, tantas foram as vezes, que ví milico de carreira, a dar mole, enquanto professor acudí colegas professores ,amigos de trabalho e alunos...

Errar o Hino Nacional, enquanto o cantamos de forma coletiva é mole, o vozerio esconde o erro...Mas errar, quando se é a atração, a voz, o puxador do hino...ehehehe...né mole não...E olha que ainda estava com a cola, pois que tinha a sua frente a partitura...

Uma coisa é certa...Ela não estava pura...Sua imagem estava nitidamente abalada...soul solidário...Mas foi um micão.

LULA...Depois da reunião com a cúpula da UnaSul, quem sabe pela proxidade com Evo (cocalero), quem sabe pela companhia de Hugo (Farc) ou ainda pela proximidade com Kirchner (bagulho liberado)...Mandou que os congressistas brasileiros dessem uma "cheiradinha" , naquela caixinha com miniaturas de vários tipos de derivados do petróleo...Vai que a moda pega, a galera larga o tal supositório que um certo senador e ex-presidente fora acusado de usar, e cai na fungação...

Eu...Domingo, por muita insistencia dos organizadores, fui mestre de cerimônias de um baile de terceira idade, o pedido era o seguinte: Sylvio, o pessoal vai adorar a sua poesia, então comunica bastante e declara bastante...Mas quer saber?A galera queria mesmo era dançar...fiquei meio que com cara de bocó - e o pior é que eu sabia que asssim seria...

Então com esta carguinha...Mas o peso da segunda...Eu queria mesmo é "descansar na noumenalidade do não ser"...Mas, por acaso, hoje, por volta das 19:30 hs...Liguei a tv e cahí na TV Brasil, estava alí a pontada e o choque que eu precisava para " ser e estar" ...

Alex Meireles, que durante muitos anos faz os teclados e arranjos do Cidade Negra e Marcos Suzano, que também já fez a percussa da galera de Bel, fazendo um som absolutamente outrado, localizado no futurível, baseado segundo eles próprios, na sonoridade africana, mas com as descendência que se foi formando ao longo da história da música...Mas com a descência que só os possuidores das especiarias e os desossadores de sonoridade tem.

Muitas texturas de teclado, muito sampler, piano, percussão trigada, pura e simples, complicada e sofisticada, minimalista e argamassada em camadas e camadas sobre um pulso, um pusar,um bit dois e ou tres...sei lá cara...

E ainda muito pandeiro,pandeiro, pandeiro...

Muito original, muito viagem, muito cabeça, muito pra pirar o cabeção e tentar entender, estender, distender, desintender...Desconstruir...Muito pra dançar, muito pra aproveitar e roubar - tipo o Skylab, que disse no programa do Jô, se eu gostar eu roubo mesmo - Muito...

Quem sabe ... sabe mesmo... Imaginação e criatividade da memória de sons captados e capturados (quem sabe de seres extra terrestres, quem sabe de Orixás, quem sabe do eterno choro dos batuques ancestrais), que surgem unissonos ou paradoxais...Compromisso com a sonoridade de matriz africana com floreios, contradições e toques de ourives e lapidador...Coisa de tipos típicos...Coisa de brasleiros...Musica mundo com tempero, ingredientes, cabeça, tronco e membros brasileiríssimos.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Meio Ambiente Sem Meias Palavras

Imagens que valem mais e mais e mais que qualquer amontoado racional, subjetivo, com bordados ou arabescos de palavras...

Maio ambiente em foco:

sábado, 29 de agosto de 2009

SARAU DIGITAL DE SABADO


Sarau Vitual

Sarau Digital

Sarau Sarau


O MEU POEMA É O QUE ESCREVO EM MIM


Me chamam

Poeta Bomba

de papel

na tentativa

de esvaziar minha

letra

ha!ha!ha!ha!ha!ha!


Querem imprimir

em mim

sua poesia vaga

Escrever em mim

seus próprios poemas

cegos

ah!ah!ah!ah!ah!ah!


Que procurem muros

para pichar seus borrões

Que achem suas próprias

paredes, papéis e cadernos

para deitar

seus escritos de bombom

ah!ah!ah!ah!ah!ah!ah!ah!

Não esperem nada

de mim

se não

minha própria

poesia

Em mim se escreve

o meu, o meu e o meu

ébrio poema


ROSEBUD...ROSEBUD...ROSEBUD...ROSEBUD..ROSEBUD


Por todo o tempo vivido em trabalhos mal remunerados

Rosebud

Por todo o tempo de trabalho que me tornou um soldado

Um mal soldado, um mal estar ambulante...Um desesperado e bem pago soldado

Rosebud

Por toda tristeza que é ser só...Diante, entre, abraçado e aos risos com a multidão

Rosebud

Pelo fato de não ter conseguido até então entender os meandros, artifícios, desencontros, malefícios,

Malefícios,...

Desencantos em desencontros

E a sordidez

Do viver: Rosebud

Rosebud

Rosebud

Rosebud

Seja lá o que isso significa

Rosebud

O caralho

O caralho a quatro

Rosebud

Por toda a tristeza e solidão do agora

Por todo o esquecimento do querer

Por tudo o que é ser

Por todo Hammelet que existe em mim

Por mim e ainda pelo sim

Talvez ainda pelo não

Pela falta de perdão

Por querer sempre a tua mão

Rosebud

Rosebud

Rosebud

Rosebud

...Rosebud

seja lá o que isso quer dizer

Uma peça entre o ser e o não ser

Quem sabe o ouro atrás de mesquinharias do não ser

O elo perdido entre o ser e o querer

A lágrima escondida e guardada em cheiros no travesseiro

O grito escondido por detrás dos cantos durante o banho

No banheiro

Ou um grito calado que infla o peito

Rosebud

Rosebud

Uma palavra qualquer ou qualquer jeito

De fazer abrir o peito

E em muitas palavras arquitetar um jeito

De chamar atenção

De se dizer poeta

Puto

Solitário

Profeta

Fazedor de poemas

Quem sabe escrevedor de texto que nem vale a pena ler

Um Sylvio Neto qualquer

Quase todo por assim dizer

Ser

De nervuras reais

Visceral , inquieto

Arquiteto e criador até onde sabe ser

Rosebud

Toque para mim

Meu esquema

Dilata

E Dias de Janeiro

Deixe que fique tocando o dia inteiro

O dia inteiro para minha alma

O dia inteiro para minha calma

E me deixe assim...A sonhar com os Bancos de Cor Laranja

Rosebud

Maldito salário de merda que não tenho

Impiedoso emprego pelo qual na busca me empenho

Inefável é a ardência de produzir poemas

Tal qual é o vigoroso embuste de meus dias em sarais

Calor de meus ais...paixão de meu dias

Ah ah ah ah!!!!!!!!!!

Bem que podiam me sustentar

Rosebud


SOU JACUTINGA

Aqui

os rios se entrelaçam

em desenhos

de uma geometria

de vida e de história

E ainda hoje

se desdobram as lutas

e os gemidos jacutingas

donos desta terra

toda cheirosa

dos temperos

de meus ancestrais de África

Do sangue escorrido

Dos jacutingas exterminados

Surge uma terra fértil

A germinar laranjais

E um povo forte e criativo

Com a força do coração

pés e mãos

De meus ancestrais






ENCANTOS DE MEUS CANTOS

Não, não, não

Pense assim

Pois as palavras ditas

Nada escondem

De mim

É verdade

Que contêm laços

E fitas

Mas eu sou mesmo assim

Mesmo quando não há

Palavras a serem ditas

Pois meu peito

É fonte de encantos

E mesmo enquanto canto

Ou danço

M e encontro

E mesmo quando

Em silencio respiro

Ainda há canto

Pois que a vida

está em mim

Há mesmo verdade

Em meus encantos


EM POSTAS À MESA

Sentidos expostos no vazio

Esforços perdidos no chão

Encontros forjados no não

O eu em postas à mesa

Nos acordes cortados a fio

Só mais um dia

Eu imploro

Só mais um coro

Afinado

Meu novo dia não pari o pão

Minhas correntes não desfazem

A solidão

Minhas palavras são clips baratos

E o meu bafo é só mais um blefe

Só mais um dia

Eu imploro

Só mais um coro

Afinado

Sylvio neto


CHORANDO TEUS OLHOS

Com uma navalha

Em uma das mãos

Falta de razão na outra

E Talião no coração

Rasguei teus olhos

E arranquei-o de teu rosto

Teus olhos choraram em minhas mãos

Hoje meus olhos choram teus olhos

Vejo teus olhos nos dias longos

Vejo teus olhos quando a noite

Engole o dia

Vejo teus olhos

Vejo teus olhos

Vejo teus olhos que me cegaram

Em plena luz do dia

Vejo teus olhos

Que me pregaram na cruz

Vejo teus olhos de mentira

Vejo teus olhos de ira

E ainda vejo tua cabeleira

De ouro

E o corpo e alma

Que foram fumaça em meus olhos






CANTLENA

Faze-me entender
muito e mais e além da rima
E ainda da metáfora

Faze-me superar
muito mais que o léxico
tomam-me pelo plexo
alma
sina

Torne-me homem
ensina...
explica...

Quero poder beber a vida
de corpo inteiro
E num respirar mais profundo
inspirar o transpirar do mundo

E em sendo profícuo
tornar menos oblíquo
os movimentos
de cabeça, tronco e membros
Menos raros os olhares
Criar gostos
sem avatares


CANTAR OLHAR


Andando a rua

Em pêlo de noite envolvido

Lua...a banhar

Cantor apaixonado

Poeta de versos

Coração alado

Sem eira e beira

Colecionador de letras

Palavras em feira

Em andar...andar e andar

A olhar sem medo

Em destino a paixão

Poeta menor

De letras grandes

em poesia amor


CANÇÃO FLUMINENSE

Aqui, entre os rios

Bem cedo

Antes de você acordar

Sem medo

Eu posso flutuar

No verde que é um mar

Serra de Madureira, Xerém

Jaceruba, Tinguá

Mais tarde

Quando já é hora

De regar as plantas

Existe um agora

Quase tão lindo

Quanto teu olhar

E o sol se recolhe

Entre o verde que se vai

Vespertino

E dá lugar a vários tons de azul

Do claro céu ao escuro marinho

Que encerra em véu

Mata Atlântica, Pau Brasil, Verde Brasil

Os rios que brotam do chão

E lavam a Terra ancestral

Dos Jacutingas

São como as lágrimas

Que lavaram a alma

E batizaram este lugar

Carioca, Jacutinga

Tupinambá, Tupiniquim

Ondas azuis e ventos rápidos

De intenções conquistadoras

Trouxeram suas velas

Acesas e infladas

E a intenção da tua intifada

Sua chegada

Foi canção, fado de conquista

Rasgou a alma, rompeu a calma

Natural do meu mundo

Sua vela em cruz

Queimou até a última conseqüência

Com seu arcabuz

Minha Mata Atlântica

E o meu povo ajoelhado

Sob o poder da Cruz de Malta

Cantou de bom grado

Colheu de boa intenção

O que era nosso de direito

E deu na tua mão

Aqui jaz:

Serra de Madureira, Xerém

Jaceruba, Tingua

Mata Atlântica, Pau Brasil

Carioca, Jacutinga

Tupinambá, Tupiniquim







Ápice

Abala o coração

Do poeta

A bala

Que fere

E para

Na cabeça bombom

A bala que fere

O poeta

Mata e mata

Sem por que

Ah bala

Doce de criança

Alegria e poesia

Abala

pai, mãe

E a sociedade inteira

Abala o poeta

Bomba de Hebron

Que perde assim

Sua bela fala

Sua musa doce

Bom bom

E hoje rala

Sua fala

Na escrita

poesia

que desmascara

o ápice da ineficácia



ALGUEM ESPECIAL

Posso voar por toda a cidade

Não sei se por causa da idade

Não sei se por conta da fé

Que de quando em vez invade

Minha cabeça de pé no chão

Pura sorte ser alguém especial

E poder usar os bancos de cor laranja

Deste encouraçado genial

Toda a minha sordidez material

Todo folhetim de aluvião

São cortes profundos na ponta da mão

Nas vias aéreas e em toda malha

arterial

Pura sorte ser alguém especial

E poder usar os bancos de cor laranja

Deste laminado espacial

Sou um poeta a cantar

Que de quando em vez insiste

Em ver o mundo de pernas pro ar

Declarando poemas de dedo em riste

Pura sorte ser alguém especial

E poder usar os bancos de cor laranja

Deste encouraçado genial

E a história me toma como memória

Imaterial incrustada em propaganda

A sobreviver ao vírus do Ipiranga

Pura sorte ser alguém especial

E poder usar os bancos de cor laranja

Deste encouraçado genial



A PANELA E A TAMPA

Ou Quando o Amor Desfeito Não Mais Basta Enquanto Memória Olho Furado Que É...

Toda panela tem sua tampa

Não há pés descalços

Que um chinelo não calce

E para executar um plano

Basta a rampa

Quantas vezes foi

Que olhei pro lado e não vi?

Quantas vezez foi que orei

E não ri?

Nem sexta e nem segunda-feira

São vários olhos pra comer

Só uma folha pra escrever

A vida se esvai se marcar bobeira

Quantas vezes foi

Que olhei pro lado e não vi?

Quantas vezex foi que orei

E não ri?

Dos compassos e descompassos

Dos abraços e olhares de amor

Que são apenas traços do que sobrou

Do sol, da chuva e do calor de flor

Daquela que foi meu torpor

E febre de dias intensos

De pensamentos em laços

NA Primeira Parte Do Sarau...Trago Poemas Que A Paisagem , A Paz, Toda Alegria e Ares Que Me Chegam do Mato Verde em Sua Inefável Calma, Exuberância e Beleza de Texturas Vivas...Quando Estou Na Guapimirim de Meus Sonhos Acordado...

Entre e Fique a Vontade

FÊNIX TORTA

Pensei que fosses
A minha Fênix
E que me traria do limbo
Renascido das cinzas
De minha vida morta
Torta, queimada em dor

Pensei que me levaria
Em vôo de emoção
De risos e gozos

Pensei que fosses tudo
Que queria meu EU
Que pudesses aproveitar
De tudo que é meu

Mas tu vais transcendendo
Nas brisas do não
E teu vôo de salvação
É só sonho de meu coração

NÃO EXISTE UMA CANÇÃO QUE SEJA SÓ MINHA

Não existe nenhuma canção

Que seja só minha

Nem estas que componho

E muito menos aquelas apanho

Não existe canção sem poesia

Não existe poesia sem canção

Não existe poesia sem destino

E nem canção de um dono só

Mesmo tendo um coração menino

Me dano por ser poema

Posto que em mim moram

A canção e a poesia

Tenho muito mais que mereço

E disto jamais esqueço

Posto que no poema que soul

Não se bota preço

Não existe uma canção

Que seja só minha

Existem sim...canções...de amor

De paixões e dor

De risos e abraços e de estranhos

E loucos traços

Não existe canção de ninguém

Mesmo tendo sido ela feita

Em especial para um quem

Pois quando chega aos ouvidos

Tem sua liberdade comprada

Em notas

E solta no ar...vive somente de encantar

Pobres e ricos, feios e lindos

Maledetos e cherry´s

Mendigos e lordes, homens e mulheres

Garfos e colheres

O poema não é canção, e canção não é só musica

Não existe poesia sem som, e nem musica sem poesia

Não há poema sem poesia,

Ou estas canções sem melodia

Melodia sem musa é grito, e poema sem poeta

soa sempre esquisito