segunda-feira, 14 de junho de 2010

A IMPRENSA SE FUDEU


É difícil acontecer...
Mas as vezes acontece de o quarto poder, ficar mal, se dar mal e momentaneamente perder uma queda de braços...
A imprensa não perdoa e não gosta de perder...
Não há patrulha pior no mundo que a imprensa no pé, na mão, no bolso, na casa de cada um, nas bocas da esquina e dos bares e de todo lugar...
A imprensa com raiva é pior que o BOPE, é pior ainda que a invasão particular do BOPE, ao Morro da Palmeira em Belford Roxo, é pior que o cara do BOPE (nesta mesma invasão) arrancando os culhões de um traficante que havia esmagado os culhões de seu irmão, acusado de estupro, com um paralelepípedo dias antes.



A imprensa e o BOPE..Ahá!!!! São implacáveis, não mexa com eles.
São implacáveis e arrogantes, os jornalistas e o BOPE...Todos eles, todos...Até mesmo aquele (bom) velhinho de cabelos brancos que faz o Programa Observatório da Imprensa, na TV Brasil e, ainda, aquele policial (Ex BOPE), ator (História de Uma Guerra Particular), escritor e apresentador do RJTV da Rede Globo.

Os jornalistas esportivos (e os que dizem ser), que não são do BOPE, não perdoaram o Dunga (tomara que este sentimento não tome a turna do BOPE ... e olha que no período de Copa do Mundo, todos, todos mesmo, passamos a entender de futebol e viramos tecnicos...Se isso a contecer o Dunga vai se f....) pelo fato de não ter ele, aceito, as suas dicas de escalação (e ainda a dos empresários e agentes dos jogadores, não "escolhidos" ou convocados, com suas assessorias de imprensa, distribuindo venenos e quem sabe "grana").

Eu, que não entendo e não gosto, de futebol, tenho arriscado conversar e ler sobre ( pois que, já com quase cinquenta, fica difícil a conversa sem esta seção), e em um desses programas do Esport TV, ví com estes olhos que a terra há de comer, o Juca Kfoury, dizer aos brados: que não gostava do elenco convocado para a seleção, pois, achava o elenco sem classe e que era "apenas" uma seleção para ganhar e não para jogar bola...?????????????????????????

Como podem ficar de fora: Ronaldinho Gaúcho, Ganso e Nilmar?
Como???????????????????????????????????????????

Vários "jornalistas esportivos" replicaram esta máxima...Tal qual, ou, em, variadas outras colocações, iguais...Num mais do mesmo, uníssono.

Dunga: o técnico
É um campeão mundial, que concorre, a mais um campeonato estratosférico entre nações que quase se entendem diplomaticamente e que quase se gostam, só que desta feita com outra função...Ele agora é o ténico e não gostou do que ouviu, do que leu e do que vem sofrendo de ataques.

Dunga, está em vantagem pois classificou a Seleção para a Copa da África e o campeonato, ainda, está em curso, já os jornalistas, apenas, especulam e especulam, fazem "cinicagem" (palavra inventada por Arthur, meu sobrinho de 3 anos, para designar ações cínicas e mentirosas) e maltratam com fofocas e notícias que cavam, caçam, compram e vendem no dia a dia da informação: assim comem seu pão de cada dia (bebem algum vinho...se deliciam com algum antepasto).

Dunga, calou-se, Dunga, não os recebe...Dunga, fechou e trancou a porta a sete chaves...Dunga, desceu uma cortina de ferro e blindou a seleção e os treinos dos olhos inimigos dos jornalistas brasileiros (e não) .

ha!ha!ha!ha!
Dunga, fudeu com a imprensa

Viva o Dunga, que por enquanto vai ganhando - botando no Cú da imprena, qui çá, fará uma orgia, levando o Brasil ao Hexa (e eu nem ligo muito para isso...isto!!!!Maneiro é ver alguns jornalistas que fazem mal uso do poder que tem...em ações e atos tão escroto quanto crueís não terem o que falar (de sério)... Maneiro é ver o poder se fragmentar...mesmo que seja por pouco tempo).

Hoje, na Band, vários "jornalistas esportivos", mais, a apresentadora bonita e gostosa (é item de condição nas faculdades de jornalismo, que seja a mulher, bonita, para se obter diploma e graduação e assim poder trabalhar na tv ou só é preciso ter talento?, ou ainda, este comentário, além de estar mal intencionado e formulado é descabido e sem noção?) e ainda o Edmundo, animal (que não consegue expressar claramente o que pretende...Sei lá o que ele fala quando fala)...Tratavam deste assunto.

Numa autodefesa corporativa: pois é o que se publicou ontem, em quase toda a imprensa especializada esportiva (desaditivada) - Tentavam nos fazer entender, que o motivo de estarem publicando, ao invés de fatos relevantemente esportivos, estão publicando, fofoquinhas e fatos levianos e corriqueiros, tais quais brigas intratreinos e outras bobagens dignas do programa do Leão Lobo e, outros da tarde importante, interessante e glamourosa da tarde da tv, brasileira.

haua!haua!haua!
lêu,lêu,lêu:a imprensa se fudeu...

Mas a Seleção de Dunga precisa ganhar...se não...o Brasil inteiro sofrerá: e parece que a imprensa, assim o prefere...Querem acabar com Dunga, querem que ele se dobre - querem mesmo é dobrar o Dunga - As custas das lágrimas dos brasileiros que precisam de mais um campeonato... mais do que de um emprego ou mais que mais um mandato de Lula e do PT, através da Dilma Roussef. O Hexa, significa muito para os brasileiros.

terça-feira, 8 de junho de 2010

TODOS TEMOS UMBIGO

Amigos,

Não sou de fazer prenúncio de e-mail´s, pois acredito que um bom texto leva inexoravelmente a um equilíbrio na sua compreensão e interpretação, todavia a mensagem que repasso é sensacional no que tange a coerência textual, lógica e finalística sobre o tema abordado. Entendo que deve ser lido por todos e principalmente por aqueles que de forma inconsciente, compulsória e até abrupta tiveram a religião encrustada em suas entranhas e, por conseguinte, não conseguem discenir o caráter teleológico de que todo dogma religioso deve se prestar a servir:

No dia 1°/Abr/2010, o elenco do Santos atual campeão paulista de futebol foi a uma instituição que abriga trinta e quatro pessoas. O objetivo era distribuir ovos de Páscoa para crianças e adolescentes, a maioria com paralisia cerebral.

Ocorreu que boa parte dos atletas não saiu do ônibus que os levou.
Entre estes, Robinho (26a), Neymar (18a), Ganso (21a), Fábio Costa (32a), Durval (29a), Léo (24a), Marquinhos (28a) e André (19a), “ todos ídolos super-aguardados. O motivo teria sido religioso: a instituição era o Lar Espírita Mensageiros da Luz, de Santos-SP, cujo lema é Assistência à Paralisia Cerebral

Visivelmente constrangido, o técnico Dorival Jr. tentou convencer o grupo a participar da ação de caridade.

Posteriormente, o Santos informou que os jogadores não entraram no local simplesmente porque não quiseram.

Dentro da instituição, os outros jogadores participaram da doação dos 600 ovos, entre eles, Felipe (22a), Edu Dracena (29a), Arouca (23a), Pará (24a) e Wesley (22a), que conversaram e brincaram com as crianças.

O escritortor, conferencista e Pastor ED RENÉ KIVITZ, da Igreja Batista de Água Branca (São Paulo), fez uma análise profunda sobre o ocorrido e escreveu o texto.

NO BRASIL, FUTEBOL É RELIGIÃO
por Ed Rene Kivitz

Os meninos da Vila pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa.
Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso, cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.

A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé.
A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais de todas e cada uma das tradições de fé.

Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno; ou se Deus é a favor ou contra à prática do homossexualismo; ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião. Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião. Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.

O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a
intolerância. A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai.
E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixem de existir enquanto outros e se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.

Mas, quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio
de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz.
Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, faz com que os discordantes no mundo das crenças se deem as mãos no mundo da busca de
superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.

Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus. Quando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina ou pelo menos deveria ensinar, você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para uma criança que sofre a tragédia e miséria de uma paralisia mental.

Ed René Kivitz, cristão, pastor evangélico, e santista desde pequenininho

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A FARMÁCIA + SÃO PAULO, O VIRADÃO CULTURAL, A BOATE SARAJEVO, A GALERA DO ARTINGOMA E OS MELHORES DIAS DE TODOS OS TEMPOS DO ÚLTINO FINAL DE SEMANA



OS MELHORES DIAS DE TODOS OS TEMPOS DO ÚLTIMO FINAL DE SEMANA

DIVERSO


COM AS PUTAS QUE HABITAM MINHAS RUGAS E AINDA COM OS FUCKING JUNKIES BITS QUE PASSARAM A HABITÁ-LA

Passada a fase mais tenebrosa e crítica do auto exílio deste poeta menor, a convite, vim para São Paulo...O engraçado é, que eu, nunca havia vindo antes ao centro nervoso de São Paulo (durante o período que trabalhei com o músico Rás Bernardo, rodei parte do litoral com alguns shows, fui aos estúdios do SBT para gravar com o Serginho Fala Garto Groissman e também em um show ao ar livre e junto com outras bandas em um parque mavarilhoso em um local de nome Itaquera).

O convite me chegou, como uma chamada para o Viradão Cultural..A minha fada madrinha e amigaça Priscil Fariasa, queria me tirar do transe...Mas a vibe foi bem maior.

Conhecí uma galera muito Foda...A rapaziada do " Artingoma " que está a mil com a produção de um evento que vai rolar agora, já, em junho...Al^, galerada do SK 8 em Sampa e do Brasil...Reverberem a vibe...

Antes de continuar a descrever a vibe. Faço rolar um destaque: Em São Paulo, prefira, as Farmácias, da Rede Farmácia + São Paulo...Por que?
Após assistir, ao show dos Titãs, que fechou, o Viradão Cultural, no palco da Av São João e, durante a longa caminhada - com direito a várias paradas para comprar 'brejas' - rolou uma daquelas diárias e doloridas crises de dor de barriga, que torturam a vida deste poeta menor com sua S.I.I..E desesperado, invadi e pedi socorro em alguns lugares diversos (havia pouco comércio funcionando) e apenas na Farmácia + São Paulo da Av São Luis é, que fui cordial e gentilemnete atendido, pelo seu, Dr. farmacêutico e demais funcionários no plantão...Nada como um copo com água, educação, gentileza e um banheiro limpo e com papel...Tres mil vivas para a administração de recursos humanos da Rede + São Paulo, por e para o head hunter que captou os profissionais...

SARAVEJO

A considerar pela violência, da "Urbe", paulistana, que surge do próprio desengomar de uma sociedade que abre novas portas, chacras e orifícios a cada acordar, com uma ética e moral próprias de grande Cidade, de grande Estado e de grande sociedade que é a arquétipica e autóctone, São Paulo, pode-se - e com talvez um exagero repreensivel e questionável - comparar a arquitetura do rastro de destruição que se viu e vê, também, na Capital da Bósnia e Herzegovina, Saravejo...

Esta idéia me surge - olha o poeta a se desculpar por tabela de seu , talvez, exagero - não somente pela ilha de calor que é o centro neural, nevrálgico, louco e Fucking Junk Concretista Neo Liberal e Social Democrata de São Paulo, mas, também e sim...sim...pelo que é, o centrão, com a sua "cracolândia", em pleno funcionamento às trevas do dia e sob o Inferno de Hades na noite...Mas, sim e não e também...Pelo fato de, com apenas quatro horas de, minha estada aqui, em Sampa, ter sido levado a conhecer a Rua Augusta...


Vixeeeeeeeeeeeee...


A rua da Lama em Nova Iguaçu, o Baixo Meretrício da Pça da Bandeira e a formosa e plural Lapa (não falo de termos comparativos com a oferta de cultura, em sua diversa diversidade, mas sim, da pompa do tamanho em extenção e quantidade de cavernas...ehehe) no Rio de Janeiro seriam áreas de madres, freiras e fadas diante diante daquela infinita e febril artéria de São Paulo.




Na Rua Augusta, conhecí e, acompanhado já da galera, firmezona, que colou em mim e que eu, fiquei colado em minha estada, um lugar chamado SARAJEVO...Uma puta Boate...

Sarajevo, cidade capital, está localizada a meio quilômetro acima do nivel do mar tal qual a Boate homônima, da Augusta, que está acima do nível da Rua Augusta. Boa parte da cidade de Sarajevo é plana..Mas..Têm lá suas quebradas de relêvo...Na boate, sobe-se do nível da rua e, lá dentro, sobe-se do nível ja subido da rua ou desce-se para o "sub", do nível subido...A boate tem vários ambientes com uma diversa atração: musica ao vivo - galera da Banda Dismaia, que é de Pernambuco e que com instrumentos básicos de fazer som e algum metal de sopro faz a festa tocando Tim Maia...O dico Racional, tocava no palco ao vivo...mó sonzeira - também e em outro ambiente, rolava musica mecânica, com vários dj´s e suas ondas...O que naum falta na Sarajevo são cantos, de encantos, porque cada um é um e, lá cada um quer seu encanto...Vários escurinhos, vários escuros...livros...bebida..gente...E paredes pintadas de preto...Putz!!!!!!!!!!!!




No final da vibe...Da trip


Uma paradinha na Lanchonete Belo Horizonte para saborear a coxinha de galinha mais gostosa, crocante e carnuda que eu já comí até então.








Não sei por que, fico todo o tempo, pensando no tamanho e volume do orçamento do Viradão Cultural de São Paulo...Sim, sim...Há muito a pensar sobre esta "festa" e não somente em seu orçamento...Mas é que, o gigantismo do evento, assusta e sucita, em mim...eheheh...N´êu...Este tipo de pensamento.


Pensar em termos comparativos, o VIRADÃO CARIOCA e a VIRADA CULTURAL DE SÃO PAULO, vai do fazer criar e criar diferenças ao e à tentar humilhar a produção do Rio;


É sim,


Uma parada gigantesca


Muito grande e envolve várias culturas artísticas tais quais música, teatro, cinema, artes plásticas, performances e blá, blá, blá...


Não dá pra ver tudo e naum dá para estar em todos os lugares...Mesmo que projetando e programando baseado no Programa distribuido à imprenssa, on line, distribuido nas ruas e ainda nos totens...Mesmo ficando viradão...


Mesmo Viradão, enfiando um dia no outro, fica impossível sentir toda a vibe.




Uma das atrações que eu queria ver..Um dos lugares onde eu queria estar


Uma das várias vibrações que queria levar aqui de Sampa...Estaria agregada ao show do Cidade Negra e Rás Bernardo e isto, por conta da importância que aquela galera tem para vida e sociedade de Belford Roxo...Por terem eles mostrado que é possível...Sim...Modificar o papel social através da arte...Que é possível quebrar os estigmas sociais através da arte e ainda é possivel criar um novo satatus quo, uma nova identidade social e um novo...novo.


Mas...ehehehe


Não conseguimos encontrar e chegar a tempo ao local onde estava montado o Palco Reggae...Chguei a ligar para o Lazão e avisá-lo que estava em São Paulo, passou ele o nome do contato que deveríamos fazer para seguir ao camarin, após o show...Mas naum chegamos.




Aliás, este é um dos problemas que eu detectei, por aqui...Muita gente sequer sabe onde está, a indicação mesmo que de boa vontade, te leva para lugar adverso ao que pretendes ir...Mesmo os bombeiros, mesmo a guarda municipal, mesmo a polícia militar não conhece bem o Centro de São Paulo e suas ruas e indica o caminho errado e, ainda o mapa da localização dos palcos e locais de eventos foi muito tardiamente distribuído nas ruas (informação da galerinha do Artingoma...Putz...E chergamos a ver já na madrugada de sábado, pacotes e mais pacotes de roteiros jogados no lixo).




Mas hóooo...Particularidade avulsa...Pois que o evento é maravilhoso: deu pra assistir no sábado a banda da Janis Joplin com a sua cover que sei lá, parecia estar incorporada de Janis Joplin cheia de chá que o lisérgico blues que a banda mandava...Depois deste camin hamos até o palco da Estação J[ulio Prestes (pertinho da cracolândia que só via nos telejornais) onde assistimos a CÉU...ehehe...Na verdade parte dele...As 03:00 du matin, surge o Living Color...Grande show, mas, com um som ruim...Pecado da produção...O som da galerinha alternativa que nem palco tinha e tocavam sobre seus próprios pés em meio a rua, soava melhor.




De volta ao acampamento da Vila Mariana para alguns e na Praça da Árvore p´reu e pra minha anfitriã e ainda no caminho uma paradinha para rangar o famoso Yokisoba, de pé mesmo em cima da ponte alí no Largo do Anhangabaú.




Lugares que só ouví falar a vida toda...E engraçado foi que estar alí no Anhangabaú me fez lembar do De Falla.




Domingão a parada chegava ao fim...A parada seria escolher dois e seguir...Arnaldo Antunes e Titãs...Bela escolha?..Mas...As...Ruas cheias e a mesma confusa história de peruntar "onde é que é e que fica a rua rua, heimmm?...Nos fêz optar por assistir a um só show...Mas a um só show inteiro...inteiro, não sem antes dar uma paradinha para ver odoido no "globo da morte"...Motoquinha, técnica e coragem e vromm, vrom, vrom, vrooommm


Puta lôco Mêu




Os velhinhos bonzinhos dos Titãs


me causaram dores no corpo inteiro pois que resolví entrar na roda da molecada


eehehehehe


O Arnaldo Antunes acabou aparecendo para fazer junto com a galera "O Pulso"


E apesar das dores e do cansaço (tô de malas prontas aqui na casa estúdio do Gui do Artingoma mandando este e seguindo para a rodoviária...Dutra aqui vou eu...Velho Brejo...Belford Roxo de meus dias, estou voltando pra casa)...E meru pulso ainda PULSAAAAAAAAAAAAA.




ALGUMA COISA ACONTECE EM MEU CORAÇÃO




Já andei, andando dias sem andar por conta de minha pressão que subiu a 17 por 9...Tive de ficar no oxigênio, tomar enalapril e ficar de repouso no ar condicionado do postinho de saúde, lá do Sana...O paraíso me fez subir a pressão...Só eu mesmo...


Mas naum chegoiu a ser esta "coisa que aconteceu em meu coração" quando cruzei a Ipiranga com a São João...Aproveitei a oportunidade e inédita e única para abraçar os que colavam alí em mim...E "acalorado" pelo calor próprio da emoção, das cervejas e da vodka que havia bebido, exacerbei este sentimento indo também abraçar aos malungos da SET SAO PAULO, que estavam a cuidar do trânsito naquele cruzamento umbral.




O Viaduto do Chá, a Avenida Paslista, a Estação da Luz


Foram ainda testemunha de que meus pés pisaram emocionado as terras dos bambas Bandeirantes e ao solo Paulistano de Cocreto e Aço.
P.S: Meu muito obrigado a equipe da Farmácia + São Paulo, da Avenida São Luis

terça-feira, 30 de março de 2010




Achei interessante e repasso aos seguidores a matéria que segue, retirada da revista Caros Amigos


Parricídio Tucano ou Afasia Suicida de José Serra

Por Gilberto Felisberto Vasconcellos

O que significa, do ponto de vista político e psicológico, o personagem José Serra no cenário da direita no Brasil e na América Latina?

Foi líder estudantil da UNE, o que não quer dizer talento retórico nem capacidade intelectual; todavia se no passado porventura possuía algum charme persuasivo, atualmente não lhe sobrou nada, e isso está relacionado com a sua progressiva direitização depois do Chile, ou talvez até antes.
Serra em Santiago foi uma espécie de garçom ou mordomo de FHC, a quem deverá o futuro ingresso nas altas rodas banqueiras em São Paulo, tendo apoio da missa católica de Franco Montoro para fazer-se deputado.

Do Chile, José Serra vem carimbado de “marxista”, fazendo marola que estava na trincheira do marxismo, quando na verdade sua quitanda era a Cepal burguesa e desenvolvimentista, sob a direção de Raul Prebish, economista ponta de lança do imperialismo inglês na Argentina, odiado por peronistas, nacionalistas e trotskistas.

Não há contribuição alguma de José Serra à teoria econômica na América Latina. Isso foi dito em 1978 por Ruy Mauro Marini, artigo publicado na Revista de Sociologia Mexicana. José Serra, sem o menor escrúpulo intelectual, censurou o artigo de Ruy Mauro Marini no Cebrap. Neste artigo, aparecia como ele é hoje: um homem que se ufana da burguesia industrial e financeira paulista, um tecnocrata operador do capital monopolista internacional.

Ruy Mauro Marini antecipou o balé financeiro multinacional de José Serra, origem pobre, mas fascinado pelo Banco e pelo poder do dinheiro fazer dinheiro, que não tem nada a ver com o capital produtivo. O PSDB é a expressão de classe da universalização do capital monopolista, isto é, do imperialismo.

Funeral de Allende
A saga mal contada do Chile. Não se conhece nenhum protesto tucano contra a derrubada do presidente Salvador Allende. E esse silêncio, ou essa atitude impassível em relação ao socialismo chileno golpeado pela CIA, é revelador do tipo de “democracia” a que está afeiçoado o PSDB.

José Serra no Chile esteve mais próximo do ‘catolicão’ Eduardo Frei do que do comunista Salvador Allende, ao contrário do que sucedeu com Ruy Mauro Marini, Andre Gunder Frank e Darcy Ribeiro.

Eduardo Frei não só conspirou no golpe de Estado de 1973, como celebrou o regime de Pinochet, o qual contou com o Banco Mundial assessorado por Milton Friedman e os economistas Chicago Boys, que foram admirados e aplaudidos por Roberto Campos, o economista que se esforçou para privatizar a Petrobras e a Vale do Rio Doce.

O modelo econômico de Pinochet foi inspirado na ditadura brasileira de 1964 com os planos de “austeridade” ditados pelo FMI e Banco Mundial, privatizadores com corte de gastos estatais.

O que existe em comum entre Milton Friedman, FHC e José Serra? Estes no poder venderam as empresas estatais para o capital privado e, principalmente, para o capital estrangeiro.

Essa política neoliberal de desnacionalização, que direcionou tanto o regime fascista de Pinochet quanto a social democracia de FHC e Serra, baseia-se em três pilares: exportação, austeridade e superexploração do trabalho.

A Cepal de Raul Prebisch foi a antesala dos Chicago Boys de Milton Friedman, os quais ocuparam altos cargos executivos no regime fascista de Pinochet. A política econômica do general chileno foi de caráter neoliberal e privatizante tanto quanto a da “era vendida” de FHC e Serra. Isso significa que, para além da superficial análise políticóloga baseada na noção de “autoritarismo”, a repressão policial durante a “era vendida” não se fez necessária no Brasil para garantir o domínio neoliberal da burguesia financeiro-monopolista e sua acumulação de capital.

O genocídio econômico neoliberal no Chile estava, segundo Pinochet, justificado por uma “democracia autoritária”.

Panteão caipira
Se a ditadura de 64 seguiu o receituário tecnocrático de Roberto Campos, o repercurtor colonizado de Milton Friedman, o guru gringo de Pinochet, então a política privatizante do general chileno foi, por sua vez, radicalizada pelo príncipe da sociologia no Brasil, que recebeu o justo epíteto de “o rei das privatizações”, disputando esse qualificativo na América Latina com Menem na Argentina e Fujimori no Peru. É por causa desse condicionante econômico do capital monopolista que FHC e Serra nunca derramaram lágrima alguma para Salvador Allende assassinado pelos Chicago Boys, os quais iriam inspirar mais tarde a decisão tucana de privatizar a Vale do Rio Doce e vender as ações da Petrobrás.

FHC e Serra no poder iriam repetir e copiar Albert Hirschman, outro economista anti-marxista que não difere substancialmente de Walt Rostow bancado pela CIA, o assessor de Kennedy e Johnson que mandou jogar bomba nas cabeças dos vietnamitas.

A fúria neoliberal privatizante dos tucanos não foi de inspiração autóctone, ou o resultado de seu convívio com Ulisses Guimarães e Franco Montono, o panteão caipira do largo São Francisco, incluindo o cowboy Orestes Quércia.

Como tudo o que acontece com eles, a diretriz é traçada invariavelmente do exterior e dos centros imperialistas. A compreensão dessa política entreguista do PSDB está em Andre Gunder Frank, sociólogo nascido em Berlim (1929) que deu aula na Universidade de Brasília convidado por Darcy Ribeiro, e que continua até hoje sendo o demônio das ciências sociais.

Gunder Frank, o autor de O Desenvolvimento do Subdesenvolvimento morreu em 2005, deixou uma notável obra teórica e histórica, que é o desmascaramento do neoliberalismo com a ideologia da globalização do capital monopolista.

O detalhe é que além de ter vivido no Chile na época de Salvador Allende, o marxista Gunder Frank, foi aluno de Milton Friedman na Universidade de Chicago na década de 50 e percebeu o caráter reacionário de seu mestre, rompeu com ele e com a Universidade de Chicago, e mais tarde no Chile, denunciou o crime contra o povo latinoamericano perpetuado por aquele figurão que ganhou o prêmio Nobel de economia, por ser o paradigma monetarista do vínculo entre a universidade e o banco, como é também o caso, repetido na periferia, do percurso de FHC e Serra, os quais concentraram o poder econômico e venderam o país, seguindo a terapia do “tratamento de choque”, a expressão de autoria de Milton Friedman, cuja política, como dizia Gunder Frank, aumentou o monopolismo capitalista no mundo, desde quando assessorou Barry Goldwater e orientou as medidas econômicas de Nixon.

Para América Latina exportou a bula, repercutida décadas depois pelos tucanos, sobre a “estabilização da economia”, que não é diferente do modelo de Roberto Campos.

Mercado livre e pau-de-arara
É preciso desconfiar da auto-propagada vocação dos tucanos à democracia. Roberto Campos também se dizia fã da democracia quando serviu à ditadura. Milton Friedman escreveu o livro Capitalismo e Liberdade e contribuiu para o assassinato de 30 mil pessoas no Chile, apelando para os princípios do “mercado livre” e do neoliberalismo. Por isso é preciso perguntar o seguinte: até onde vai o amor de José Serra pela democracia? O fascismo político de Pinochet se valeu do neoliberalismo na economia, o qual será retomado por FHC com eleições, seguindo o que receitava o guru Milton Friedman: o lucro é a essência da democracia. FHC sempre disputou as eleições por cima e em situação favorável, a moeda “real” foi a cédula eleitoral no bolso, dizia Leonel Brizola. Depois se reelegeu na maré das reeleições, o que não acontecerá com José Serra, que é uma espécie de primo pobre da tucanalha, desprovido das fortunas maquiavélicas que foram oferecidas para FHC na Casa Grande.

A dialética Casa Grande e Senzala funciona como um sintoma psicológico de um partido político repleto de egos vaidosos e sem carisma. FHC colocou a graça de seu carisma no dinheiro, na moeda, ficando conhecido como o “príncipe da moeda”.

Herança Vende-Pátria
Hoje, em situação mundial desfavorável provocada pela crise financeira do imperialismo (FHC esteve oito anos agenciando a globalização do capital estrangeiro), o PSDB com José Serra – representando os interesses da burguesia financeira e industrial de São Paulo – se prepara para voltar ao Palácio da Alvorada.

Há porém um problema neste teatro subshakesperiano. É que depois do estrago entreguista de FHC, os tucanos não têm discurso a apresentar, digamos, nenhuma esperança em cima da telenovela, da moeda e da estabilização da economia.
Ainda que não reconheça publicamente, José Serra gostaria de descartar-se da herança de seu progenitor, porque essa herança é um estorvo fatal para ele, impedido de falar que vai retomá-la e tirar-lhe a parte ruim.

Afinal, que “Brasil venceu” com oito anos de FHC? José Serra vive essa contradição em sua trajetória política, pois não poderá negar a paternidade que o gerou, embora esse DNA seja um obstáculo para palmilhar o caminho da Presidência da República.

É difícil para José Serra refutar que a era FHC, com a sua política de privatização internacional e agente da universalização do capital privado, foi um retrocesso nacional, que não fez senão prosperar os bancos e as corporações multinacionais.

Durante a “era vendida” de FHC, o PSDB foi o instrumento político do capital globalizado, que levou adiante as medidas entreguistas de 64, valendo-se do argumento da eficácia, da racionalidade e da competência na administração da vassalagem entreguista.

Baile de Manhattan
Analisado de olho na América Latina, o governo neoliberal de FHC –que José Serra estará compelido a defender agora com todos os constrangimentos – tomou como paradigma e aprofundou o que foi feito na economia pelos Chicago Boys no Chile do general Pinochet.

O neoliberalismo econômico de FHC, Menem e Fujimori começou com as ditaduras da década de 60. A retirada de todas as restrições ao capital estrangeiro, a liberalização dos mercados, a desregulação das empresas privadas, as prescrições sobre os “ajustes estruturais” fizeram parte do pacote macroeconômico chamado “estabilização” aplicado em escala mundial a mando do FMI e do Banco Mundial. Essa foi, na era privatizadora de FHC, a economia portifólio e especulativa, de acordo com o processo de acumulação de capital sob a égide da financeirização.

Quem fez a farra com o Plano Real foi, dentre outros bancos estrangeiros, o Chase Manhattan com os seus superlucros.
São os bancos e as grandes instituições financeiras que irão conceder o prêmio Honoris Causa para FHC, o “gênio das ciências sociais” enfiando (como dizia Leonel Brizola) os barretes em sua cabeça por várias universidades do Primeiro Mundo pelo serviço prestado, sobretudo na Inglaterra de Tony Blair, o afilhado de dona Tatcher e pupilo de Giddens, o comensal assíduo nos ágapes oferecidos por Rupert Murdoch, a patota Barclays Bank e British Airways.

A política econômica neoliberal foi um desastre para a América Latina, empobreceu muita gente e marginalizou amplos setores da população. José Serra irá corrigir os defeitos dessa política imperialista de FHC? É difícil imaginar o discurso do PSDB agora para o que defendeu e executou no poder durante oito anos, tendo sido o principal agente político da universalização do capital monopolista.

Culpa e Insônia
O travesseiro de José Serra está esquentado com a questão: o que dizer na campanha de 2010 acerca da herança daquele que foi o seu progenitor político? Agora, com a crise da financeirização política do capital monopolista, nem a direita da metrópole defende mais a “flexibilização do capitalismo”.

A insônia de José Serra tem razão de ser: cadê o Giddens? Cadê o Blair? Cadê a Tatcher? Cadê o Clinton?

O modelo terceira via-globalização-privatizante-neoliberal fracassou. A alternativa durante a campanha é retornar a Keynes e aos investimentos públicos? Será que isso surtirá algum efeito?

O problema é o peso da herança: FHC foi a transferência do patrimônio público para os interesses privados.

O PSDB não é social nem democrático. Quem faz o programa desse partido é a big finança, e esta não tem nada de democrática; ao contrário, o capitalismo monopolista é contra a democracia.

O interesse imperialista da metrópole é o que determina a concepção do PSDB.

Os gerentes e estamentos anglosaxônicos formularam as políticas da “terceira via” e da privatização, porém isso resultou num desastre completo.

O que foi outrora tido como gênio, Tony Giddens, citado impreterivelmente na bibliografia dos cursos da pós-graduação em ciências sociais, virou um badameco da burguesia pirata de Londres.

Segundo o sibarita Giddens, acabou a luta de classes entre burguesia e proletariado, o vínculo entre nação opressora e nação oprimida foi dissolvido, dissipou a contradição capitalismo versus socialismo, assim a filantropia das ONGs é o que resolve a penúria; enfim, essa “terceira via” neoliberal privatizadora aumentou o abismo entre pobres e ricos.

O PSDB é um partido político colonizado e mimético, sua formatação origina-se dos centros financeiros do capitalismo, seu internacionalismo, ou melhor, seu cosmopolitismo é burguês, portanto não há abracadabra possível que faça José Serra pousar de nacionalista e defensor das riquezas naturais do país; afinal ele foi o fautor e companheiro de viagem do funeral feagaceano da era Vargas. Então, sem que se reduza a política à psicanálise, é preciso reconhecer que um espectro ronda o arraial tucano: o do parricídio. É a matança (simbólica, claro) do pai FHC pelo filho José Serra, se este quiser se despregar da “era vendida”, pelo menos durante a campanha eleitoral de 2010. Se não for seguido este caminho, não restará outra alternativa senão a afasia que o levará à autoimolação política.

Adiós, Serra.

Gilberto Felisberto Vasconcellos é sociólogo, jornalista e escritor

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

ENFIA O PITACO NO C.


Opiniões remontam a algo bastante pessoal...Podem surgir do auto conhecimento, da interação absoluta com o assunto, com a defesa de direitos, com a ética e moral criadas para defender e/ou acusar grupos sendo assim corporativa....Pode ser de leigo, o famoso pitaco...E ser só por ser...

De opiniões o mundo está cheio.

Em nosso dia a dia. Em nosso andar andar...Trombamos com coisas e causas a que instintivamente, deitamos opinião e julgamentos...A maior parte deles, nem chegamos a verbalizar, escrevendo ou falando...

Ontem, por exemplo, caminhando por Madureira, naquela rua que segue do Viaduto Negrão de Lima em direção ao Império Serrano, tive de caminhar a maior parte do tempo a beira da rua, fora da calçada, que sendo já estreita e ainda comportando um numero sempre razoavelmente grande de transeuntes, insiste em ter ainda em disputa de espaço, as bancas das lojas que alí se instalam (Citycol e Regininha são duas delas que me lembro)...Por conta do Choque de Ordem, não é possível encontrar, ali, camelôs e ambulantes....Pois que eles, atrapalham o ir e vir...e as bancas dos próprios lojistas?

E as bancas dos próprios lojistas?
E as bancas dos próprios lojistas ?

Bem, esta é a minha opinião...Este veículo..Não me impede de impor/colocar/expor a minha opinião (não posso fazer e não farei aqui serão ofensas pessoais)...É ela aqui sempre colocada de forma muito honesta...A blogosfera, tem esta nuance...E esta missão, entre outras...

As emissoras de tv e os jornais com seus noticiários...Em minha opinião...Não deveriam expor suas opiniões...O jornalista e os jornais e telejornais devem expor a notícia...A controvérsia, a discussão que surge em torno da notícia, advinda da sociedade civil, das corporações, dos juristas, dos parlamentares e enfim de todo aquele que se sente ofendido ou compelido a opinar por interesse de causa ou ainda por gostar de dar pitaco...

A notícia deve ser mostrada com imparcialidade...Sem opinião....Sem pitaco.

Até porque nós não pedimos a opinião deles...E não há, tal como há, aqui, a possibilidade da geração de um feedback...No telejornal da tv ou nas noticias dos jornais – salvo os editoriais – falou ta falado...Não há réplica...

Hoje, no Bom Dia Brasil da Rede Globo, mas uma vez todos os jornalistas sem exceção, capitaneados, pelo Alexandre Garcia, o senhor da verdade de sempre (ele sempre fala como se fosse o homem mais probo, profícuo e conhecedor de todas as “coisas”, na face da Terra) deram livre demonstração de desagravo a circunstância de desconforto diplomático, em que se encontra o Brasil, que abriga em sua Embaixada em Honduras, o presidente deposto Zelaya.

Somaram eles, com a oposição ao governo e em uníssono, nos enfiaram goela abaixo a idéia/tese/opinião de que há algo errado, de que há um complô em que Lula e Chaves se agregam, em favor de Zelaya, de que há prejuízos de imagem ao Brasi.

Os entrevistados em sua maioria eram parlamentares da oposição, os nítidos e declaradissimos, inimigos de sempre do governo, membros do DEM e do PSDB.

Todos os Embaixadores entrevistados e diga-se de passagem, ex embaixadores, eram contrários a ação colocada...Não se fez o contraponto entrevistando algum que fosse favorável ou neutro...Isto é indução, sedição, condução, venda casada, sedução, golpe baixo e a declaração de que realmente nos acham estúpidos e idiotas: o golpe fatal foi o comentário de Alexandre Garcia, que para reafirmar e reforçar a tese de erro do governo e principalmente do Lula, que tratou Michelete e seu grupo, como “golpistas”, estalou de bate pronto: O Zelaya. Por tentar trair a constituição Hondurenha, foi deposto pela Suprema Corte, ação avalizada pelo Congresso e o Michelete, assumiu, legalmente conduzido por estas Instituições...

Este post, não quer e nem pretende emitir opinião favorável ou contraria ao Governo (não que esteja eu em cima do muro), por conta desta circunstancia, chamada de “Batata Quente”...Quer apenas, opinar sim,de forma e maneira veementemente contrária a manipulação da informação pela mídia brasileira...Isso é sacanagem...É escroto...É como ser Governador e ter ações/assuntos/parcerias associativas, com um Secretário de Segurança Publica que esconde sob sua proteção uma rede de crimes.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

DEBATES CULTURAIS: HINO NACIONAL SEM CORTES


Existe um programa Chamado DEBATES CULTRAIS, que como o nome indica se dedica a entrevistar agentes da produção de cultura em sua complexa diversidade.

Quem me indica o programa, é meu grande amigo e mestre, Nielson Bezerra, que está ausente do Brasil, mas que, ainda antenado, diretamente do Canadá onde se dedica a estudos aprofundados da História
Africana (um curso de diaspora africana) , com nada mais nada menos que o professor Lovejoy, um dos papas no assunto.

O programa Debates Culturais transmitido pela Rádio Bandeirantes AM 1360 do Rio de Janeiro, todos os domingos, a partir das 13:00hs (
Quem desejar participar por telefone com perguntas e/ou comentários pode fazer pelo telefone 2543-1360),mantem além das entrevistas, uma revista eletrônica, bastante interessante, que entre outras notas bastante interessantes, traz ainda uma novidade para muitos de nós: a primeira parte do Hino Nacional.

" (...)você sabia que o Hino Nacional Brasileiro tinha uma letra cantada naquela parte instrumental da introdução? Não é brincadeira. A letra é atribuída a Américo de Moura, presidente da província do Rio de Janeiro nos anos de 1879 e 1880. Não se sabe ao certo o motivo da retirada da letra na versão oficial, mas agora você tem a chance de ouvir pela primeira vez uma gravação desta parte oculta do Hino Nacional(..)"

O endereço da revista eletrônica www.debatesculturais.com.br.


Entrevista com o antropólogo Kabengele Munanga Entrevista com o antropólogo Kabengele Munanga

Eu tenho a felicidade de receber períodicamente, de meu amigo Ewerson Claudio, da ONG COMCAUSA, o Boletim Informativo CIRCULO PALMARINO (http://www.circulopalmarino.org.br/entrevistas/nosso-racismo-e-um-crime-perfeito), este de n 5, que atende ao lapso de tempo entre 17 e 23 de setembro de 2009, traz a entrevista que segue:

Nosso Racismo É Um Crime Perfeito

Entrevista com o antropólogo Kabengele Munanga

O antropólogo Kabengele Munanga, fala sobre o mito da democracia racial brasileira, a polêmica com Demétrio Magnoli e o papel da mídia e da educação no combate ao preconceito no país.

Por Camila Souza Ramos e Glauco Faria, Revista Forum

Fórum - O senhor veio do antigo Zaire que, apesar de ter alguns pontos de contato com a cultura brasileira e a cultura do Congo, é um país bem diferente. O senhor sentiu, quando veio pra cá, a questão racial? Como foi essa mudança para o senhor?

Kabengele - Essas coisas não são tão abertas como a gente pensa. Cheguei aqui em 1975, diretamente para a USP, para fazer doutorado. Não se depara com o preconceito à primeira vista, logo que sai do aeroporto. Essas coisas vêm pouco a pouco, quando se começa a descobrir que você entra em alguns lugares e percebe que é único, que te olham e já sabem que não é daqui, que não é como “nossos negros”, é diferente. Poderia dizer que esse estranhamento é por ser estrangeiro, mas essa comparação na verdade é feita em relação aos negros da terra, que não entram em alguns lugares ou não entram de cabeça erguida.

Depois, com o tempo, na academia, fiz disciplinas em antropologia e alguns de meus professores eram especialistas na questão racial. Foi através da academia, da literatura, que comecei a descobrir que havia problemas no país. Uma das primeiras aulas que fiz foi em 1975, 1976, já era uma disciplina sobre a questão racial com meu orientador João Batista Borges Pereira. Depois, com o tempo, você vai entrar em algum lugar em que está sozinho e se pergunta: onde estão os outros? As pessoas olhavam mesmo, inclusive olhavam mais quando eu entrava com minha mulher e meus filhos. Porque é uma família inter-racial: a mulher branca, o homem negro, um filho negro e um filho mestiço. Em todos os lugares em que a gente entrava, era motivo de curiosidade. O pessoal tentava ser discreto, mas nem sempre escondia. Entrávamos em lugares onde geralmente os negros não entram.

A partir daí você começa a buscar uma explicação para saber o porquê e se aproxima da literatura e das aulas da universidade que falam da discriminação racial no Brasil, os trabalhos de Florestan Fernandes, do Otavio Ianni, do meu próprio orientador e de tantos outros que trabalharam com a questão. Mas o problema é que quando a pessoa é adulta sabe se defender, mas as crianças não. Tenho dois filhos que nasceram na Bélgica, dois no Congo e meu caçula é brasileiro. Quantas vezes, quando estavam sozinhos na rua, sem defesa, se depararam com a polícia?

Meus filhos estudaram em escola particular, Colégio Equipe, onde estudavam filhos de alguns colegas professores. Eu não ia buscá-los na escola, e quando saíam para tomar ônibus e voltar para casa com alguns colegas que eram brancos, eles eram os únicos a ser revistados. No entanto, a condição social era a mesma e estudavam no mesmo colégio. Por que só eles podiam ser suspeitos e revistados pela polícia? Essa situação eu não posso contar quantas vezes vi acontecer.

Lembro que meu filho mais velho, que hoje é ator, quando comprou o primeiro carro dele, não sei quantas vezes ele foi parado pela polícia. Sempre apontando a arma para ele para mostrar o documento. Ele foi instruído para não discutir e dizer que os documentos estão no porta-luvas, senão podem pensar que ele vai sacar uma arma. Na realidade, era suspeito de ser ladrão do próprio carro que ele comprou com o trabalho dele. Meus filhos até hoje não saem de casa para atravessar a rua sem documento. São adultos e criaram esse hábito, porque até você provar que não é ladrão... A geografia do seu corpo não indica isso.

Então, essa coisa de pensar que a diferença é simplesmente social, é claro que o social acompanha, mas e a geografia do corpo? Isso aqui também vai junto com o social, não tem como separar as duas coisas. Fui com o tempo respondendo à questão, por meio da vivência, com o cotidiano e as coisas que aprendi na universidade, depoimentos de pessoas da população negra, e entendi que a democracia racial é um mito. Existe realmente um racismo no Brasil, diferenciado daquele praticado na África do Sul durante o regime do apartheid, diferente também do racismo praticado nos EUA, principalmente no Sul. Porque nosso racismo é, utilizando uma palavra bem conhecida, sutil. Ele é velado. Pelo fato de ser sutil e velado isso não quer dizer que faça menos vítimas do que aquele que é aberto. Faz vítimas de qualquer maneira.

Revista Fórum - Quando você tem um sistema como o sul-africano ou um sistema de restrição de direitos como houve nos EUA, o inimigo está claro. No caso brasileiro é mais difícil combatê-lo...

Kabengele - Claro, é mais difícil. Porque você não identifica seu opressor. Nos EUA era mais fácil porque começava pelas leis. A primeira reivindicação: o fim das leis racistas. Depois, se luta para implementar políticas públicas que busquem a promoção da igualdade racial. Aqui é mais difícil, porque não tinha lei nem pra discriminar, nem pra proteger. As leis pra proteger estão na nova Constituição que diz que o racismo é um crime inafiançável. Antes disso tinha a lei Afonso Arinos, de 1951. De acordo com essa lei, a prática do racismo não era um crime, era uma contravenção. A população negra e indígena viveu muito tempo sem leis nem para discriminar nem para proteger.

Revista Fórum - Aqui no Brasil há mais dificuldade com relação ao sistema de cotas justamente por conta do mito da democracia racial?

Kabengele - Tem segmentos da população a favor e contra. Começaria pelos que estão contra as cotas, que apelam para a própria Constituição, afirmando que perante a lei somos todos iguais. Então não devemos tratar os cidadãos brasileiros diferentemente, as cotas seriam uma inconstitucionalida de. Outro argumento contrário, que já foi demolido, é a ideia de que seria difícil distinguir os negros no Brasil para se beneficiar pelas cotas por causa da mestiçagem. O Brasil é um país de mestiçagem, muitos brasileiros têm sangue europeu, além de sangue indígena e africano, então seria difícil saber quem é afro-descendente que poderia ser beneficiado pela cota. Esse argumento não resistiu. Por quê? Num país onde existe discriminação antinegro, a própria discriminação é a prova de que é possível identificar os negros. Senão não teria discriminação.

Em comparação com outros países do mundo, o Brasil é um país que tem um índice de mestiçamento muito mais alto. Mas isso não pode impedir uma política, porque basta a autodeclaração. Basta um candidato declarar sua afro-descendê ncia. Se tiver alguma dúvida, tem que averiguar. Nos casos-limite, o indivíduo se autodeclara afrodescendente. Às vezes, tem erros humanos, como o que aconteceu na UnB, de dois jovens mestiços, de mesmos pais, um entrou pelas cotas porque acharam que era mestiço, e o outro foi barrado porque acharam que era branco. Isso são erros humanos. Se tivessem certeza absoluta que era afro-descendente, não seria assim. Mas houve um recurso e ele entrou. Esses casos-limite existem, mas não é isso que vai impedir uma política pública que possa beneficiar uma grande parte da população brasileira.

Além do mais, o critério de cota no Brasil é diferente dos EUA. Nos EUA, começaram com um critério fixo e nato. Basta você nascer negro. No Brasil não. Se a gente analisar a história, com exceção da UnB, que tem suas razões, em todas as universidades brasileiras que entraram pelo critério das cotas, usaram o critério étnico-racial combinado com o critério econômico. O ponto de partida é a escola pública. Nos EUA não foi isso. Só que a imprensa não quer enxergar, todo mundo quer dizer que cota é simplesmente racial. Não é. Isso é mentira, tem que ver como funciona em todas as universidades. É necessário fazer um certo controle, senão não adianta aplicar as cotas. No entanto, se mantém a ideia de que, pelas pesquisas quantitativas, do IBGE, do Ipea, dos índices do Pnud, mostram que o abismo em matéria de educação entre negros e brancos é muito grande. Se a gente considerar isso então tem que ter uma política de mudança. É nesse sentido que se defende uma política de cotas.

O racismo é cotidiano na sociedade brasileira. As pessoas que estão contra cotas pensam como se o racismo não tivesse existido na sociedade, não estivesse criando vítimas. Se alguém comprovar que não tem mais racismo no Brasil, não devemos mais falar em cotas para negros. Deveríamos falar só de classes sociais. Mas como o racismo ainda existe, então não há como você tratar igualmente as pessoas que são vítimas de racismo e da questão econômica em relação àquelas que não sofrem esse tipo de preconceito. A própria pesquisa do IPEA mostra que se não mudar esse quadro, os negros vão levar muitos e muitos anos para chegar aonde estão os brancos em matéria de educação. Os que são contra cotas ainda dão o argumento de que qualquer política de diferença por parte do governo no Brasil seria uma política de reconhecimento das raças e isso seria um retrocesso, que teríamos conflitos, como os que aconteciam nos EUA.

Fórum - Que é o argumento do Demétrio Magnoli.

Kabengele - Isso é muito falso, porque já temos a experiência, alguns falam de mais de 70 universidades públicas, outros falam em 80. Já ouviu falar de conflitos raciais em algum lugar, linchamentos raciais? Não existe. É claro que houve manifestações numa universidade ou outra, umas pichações, "negro, volta pra senzala". Mas isso não se caracteriza como conflito racial. Isso é uma maneira de horrorizar a população, projetar conflitos que na realidade não vão existir.

Fórum - Agora o DEM entrou com uma ação no STF pedindo anulação das cotas. O que motiva um partido como o DEM, qual a conexão entre a ideologia de um partido ou um intelectual como o Magnoli e essa oposição ao sistema de cotas? Qual é a raiz dessa resistência?

Kabengele – Tenho a impressão que as posições ideológicas não são explícitas, são implícitas. A questão das cotas é uma questão política. Tem pessoas no Brasil que ainda acreditam que não há racismo no país. E o argumento desse deputado do DEM é esse, de que não há racismo no Brasil, que a questão é simplesmente socioeconômica. É um ponto de vista refutável, porque nós temos provas de que há racismo no Brasil no cotidiano. O que essas pessoas querem? Status quo. A ideia de que o Brasil vive muito bem, não há problema com ele, que o problema é só com os pobres, que não podemos introduzir as cotas porque seria introduzir uma discriminação contra os brancos e pobres. Mas eles ignoram que os brancos e pobres também são beneficiados pelas cotas, e eles negam esse argumento automaticamente, deixam isso de lado.

Fórum – Mas isso não é um cinismo de parte desses atores políticos, já que eles são contra o sistema de cotas, mas também são contra o Bolsa-Família ou qualquer tipo de política compensatória no campo socioeconômico?

Kabengele - É interessante, porque um país que tem problemas sociais do tamanho do Brasil deveria buscar caminhos de mudança, de transformação da sociedade. Cada vez que se toca nas políticas concretas de mudança, vem um discurso. Mas você não resolve os problemas sociais somente com a retórica. Quanto tempo se fala da qualidade da escola pública? Estou aqui no Brasil há 34 anos. Desde que cheguei aqui, a escola pública mudou em algum lugar? Não, mas o discurso continua. "Ah, é só mudar a escola pública." Os mesmos que dizem isso colocam os seus filhos na escola particular e sabem que a escola pública é ruim. Poderiam eles, como autoridades, dar melhor exemplo e colocar os filhos deles em escola pública e lutar pelas leis, bom salário para os educadores, laboratórios, segurança. Mas a coisa só fica no nível da retórica.

E tem esse argumento legalista, "porque a cota é uma inconstitucionalida de, porque não há racismo no Brasil". Há juristas que dizem que a igualdade da qual fala a Constituição é uma igualdade formal, mas tem a igualdade material. É essa igualdade material que é visada pelas políticas de ação afirmativa. Não basta dizer que somos todos iguais. Isso é importante, mas você tem que dar os meios e isso se faz com as políticas públicas. Muitos disseram que as cotas nas universidades iriam atingir a excelência universitária. Está comprovado que os alunos cotistas tiveram um rendimento igual ou superior aos outros. Então a excelência não foi prejudicada. Aliás, é curioso falar de mérito como se nosso vestibular fosse exemplo de democracia e de mérito.

Mérito significa simplesmente que você coloca como ponto de partida as pessoas no mesmo nível. Quando as pessoas não são iguais, não se pode colocar no ponto de partida para concorrer igualmente. É como você pegar uma pessoa com um fusquinha e outro com um Mercedes, colocar na mesma linha de partida e ver qual o carro mais veloz. O aluno que vem da escola pública, da periferia, de péssima qualidade, e o aluno que vem de escola particular de boa qualidade, partindo do mesmo ponto, é claro que os que vêm de uma boa escola vão ter uma nota superior. Se um aluno que vem de um Pueri Domus, Liceu Pasteur, tira nota 8, esse que vem da periferia e tirou nota 5 teve uma caminhada muito longa. Essa nota 5 pode ser mais significativa do que a nota 7 ou 8. Dando oportunidade ao aluno, ele não vai decepcionar.

Foi isso que aconteceu, deram oportunidade. As cotas são aplicadas desde 2003. Nestes sete anos, quantos jovens beneficiados pelas cotas terminaram o curso universitário e quantos anos o Brasil levaria para formar o tanto de negros sem cotas? Talvez 20 ou mais. Isso são coisas concretas para as quais as pessoas fecham os olhos. No artigo do professor Demétrio Magnoli, ele me critica, mas não leu nada. Nem uma linha de meus livros. Simplesmente pegou o livro da Eneida de Almeida dos Santos, Mulato, negro não-negro e branco não-branco que pediu para eu fazer uma introdução, e desta introdução de três páginas ele tirou algumas frases e, a partir dessas frases, me acusa de ser um charlatão acadêmico, de professar o racismo científico abandonado há mais de um século e fazer parte de um projeto de racialização oficial do Brasil. Nunca leu nada do que eu escrevi.

A autora do livro é mestiça, psiquiatra e estuda a dificuldade que os mestiços entre branco e negro têm pra construir a sua identidade. Fiz a introdução mostrando que eles têm essa dificuldade justamente por causa de serem negros não-negros e brancos não-brancos. Isso prejudica o processo, mas no plano político, jurídico, eles não podem ficar ambivalentes. Eles têm que optar por uma identidade, têm que aceitar sua negritude, e não rejeitá-la. Com isso ele acha que eu estou professando a supressão dos mestiços no Brasil e que isso faz parte do projeto de racialização do brasileiro. Não tinha nada para me acusar, soube que estou defendendo as cotas, tirou três frases e fez a acusação dele no jornal.

Fórum - O senhor toca na questão do imaginário da democracia racial, mas as pessoas são formadas para aceitarem esse mito...

Kabengele - O racismo é uma ideologia. A ideologia só pode ser reproduzida se as próprias vítimas aceitam, a introjetam, naturalizam essa ideologia. Além das próprias vítimas, outros cidadãos também, que discriminam e acham que são superiores aos outros, que têm direito de ocupar os melhores lugares na sociedade. Se não reunir essas duas condições, o racismo não pode ser reproduzido como ideologia, mas toda educação que nós recebemos é para poder reproduzi-la.

Há negros que introduziram isso, que alienaram sua humanidade, que acham que são mesmo inferiores e o branco tem todo o direito de ocupar os postos de comando. Como também tem os brancos que introjetaram isso e acham mesmo que são superiores por natureza. Mas para você lutar contra essa ideia não bastam as leis, que são repressivas, só vão punir. Tem que educar também. A educação é um instrumento muito importante de mudança de mentalidade e o brasileiro foi educado para não assumir seus preconceitos. O Florestan Fernandes dizia que um dos problemas dos brasileiros é o “preconceito de ter preconceito de ter preconceito”. O brasileiro nunca vai aceitar que é preconceituoso. Foi educado para não aceitar isso. Como se diz, na casa de enforcado não se fala de corda.

Quando você está diante do negro, dizem que tem que dizer que é moreno, porque se disser que é negro, ele vai se sentir ofendido. O que não quer dizer que ele não deve ser chamado de negro. Ele tem nome, tem identidade, mas quando se fala dele, pode dizer que é negro, não precisa branqueá-lo, torná-lo moreno. O brasileiro foi educado para se comportar assim, para não falar de corda na casa de enforcado. Quando você pega um brasileiro em flagrante de prática racista, ele não aceita, porque não foi educado para isso. Se fosse um americano, ele vai dizer: "Não vou alugar minha casa para um negro". No Brasil, vai dizer: "Olha, amigo, você chegou tarde, acabei de alugar". Porque a educação que o americano recebeu é pra assumir suas práticas racistas, pra ser uma coisa explícita.

Quando a Folha de S. Paulo fez aquela pesquisa de opinião em 1995, perguntaram para muitos brasileiros se existe racismo no Brasil. Mais de 80% disseram que sim. Perguntaram para as mesmas pessoas: "você já discriminou alguém?". A maioria disse que não. Significa que há racismo, mas sem racistas. Ele está no ar... Como você vai combater isso? Muitas vezes o brasileiro chega a dizer ao negro que reage: "você que é complexado, o problema está na sua cabeça". Ele rejeita a culpa e coloca na própria vítima. Já ouviu falar de crime perfeito? Nosso racismo é um crime perfeito, porque a própria vítima é que é responsável pelo seu racismo, quem comentou não tem nenhum problema.

Revista Fórum - O humorista Danilo Gentilli escreveu no Twitter uma piada a respeito do King Kong, comparando com um jogador de futebol que saía com loiras. Houve uma reação grande e a continuação dos argumentos dele para se justificar vai ao encontro disso que o senhor está falando. Ele dizia que racista era quem acusava ele, e citava a questão do orgulho negro como algo de quem é racista.

Kebengele - Faz parte desse imaginário. O que está por trás que está fazendo uma ilustração de King Kong, que ele compara a um jogador de futebol que vai casar com uma loira, é a ideia de alguém que ascende na vida e vai procurar sua loira. Mas qual é o problema desse jogador de futebol? São pessoas vítimas do racismo que acham que agora ascenderam na vida e, para mostrar isso, têm que ter uma loira que era proibida quando eram pobres? Pode até ser uma explicação. Mas essa loira não é uma pessoa humana que pode dizer não ou sim e foi obrigada a ir com o King Kong por causa de dinheiro? Pode ser, quantos casamentos não são por dinheiro na nossa sociedade? A velha burguesia só se casa dentro da velha burguesia. Mas sempre tem pessoas que desobedecem as normas da sociedade.

Essas jovens brancas, loiras, também pulam a cerca de suas identidades pra casar com um negro jogador. Por que a corda só arrebenta do lado do jogador de futebol? No fundo, essas pessoas não querem que os negros casem com suas filhas. É uma forma de racismo. Estão praticando um preconceito que não respeita a vontade dessas mulheres nem essas pessoas que ascenderam na vida, numa sociedade onde o amor é algo sem fronteiras, e não teria tantos mestiços nessa sociedade. Com tudo o que aconteceu no campo de futebol com aquele jogador da Argentina que chamou o Grafite de macaco, com tudo o que acontece na Europa, esse humorista faz uma ilustração disso, ou é uma provocação ou quer reafirmar os preconceitos na nossa sociedade.

Fórum - É que no caso, o Danilo Gentili ainda justificou sua piada com um argumento muito simplório: "por que eu posso chamar um gordo de baleia e um negro de macaco", como se fosse a mesma coisa.

Kabengele - É interessante isso, porque tenho a impressão de que é um cara que não conhece a história e o orgulho negro tem uma história. São seres humanos que, pelo próprio processo de colonização, de escravidão, a essas pessoas foi negada sua humanidade. Para poder se recuperar, ele tem que assumir seu corpo como negro. Se olhar no espelho e se achar bonito ou se achar feio. É isso o orgulho negro. E faz parte do processo de se assumir como negro, assumir seu corpo que foi recusado. Se o humorista conhecesse isso, entenderia a história do orgulho negro. O branco não tem motivo para ter orgulho branco porque ele é vitorioso, está lá em cima. O outro que está lá em baixo que deve ter orgulho, que deve construir esse orgulho para poder se reerguer.

Fórum - O senhor tocou no caso do Grafite com o Desábato, e recentemente tivemos, no jogo da Libertadores entre Cruzeiro e Grêmio, o caso de um jogador que teria sido chamado de macaco por outro atleta. Em geral, as pessoas – jornalistas que comentaram, a diretoria gremista – argumentavam que no campo de futebol você pode falar qualquer coisa, e que se as pessoas fossem se importar com isso, não teria como ter jogo de futebol. Como você vê esse tipo de situação?

Kabengele - Isso é uma prova daquilo que falei, os brasileiros são educados para não assumir seus hábitos, seu racismo. Em outros países, não teria essa conversa de que no campo de futebol vale. O pessoal pune mesmo. Mas aqui, quando se trata do negro... Já ouviu caso contrário, de negro que chama branco de macaco? Quando aquele delegado prendeu o jogador argentino no caso do Grafite, todo mundo caiu em cima. Os técnicos, jornalistas, esportistas, todo mundo dizendo que é assim no futebol. Então a gente não pode educar o jogador de futebol, tudo é permitido? Quando há violência física, eles são punidos, mas isso aqui é uma violência também, uma violência simbólica. Por que a violência simbólica é aceita a violência física é punida?

Fórum - Como o senhor vê hoje a aplicação da lei que determina a obrigatoriedade do ensino de cultura africana nas escolas? Os professores, de um modo geral, estão preparados para lidar com a questão racial?

Kabengele - Essa lei já foi objeto de crítica das pessoas que acham que isso também seria uma racialização do Brasil. Pessoas que acham que, sendo a população brasileira uma população mestiça, não é preciso ensinar a cultura do negro, ensinar a história do negro ou da África. Temos uma única história, uma única cultura, que é uma cultura mestiça. Tem pessoas que vão nessa direção, pensam que isso é uma racialização da educação no Brasil.

Mas essa questão do ensino da diversidade na escola não é propriedade do Brasil. Todos os países do mundo lidam com a questão da diversidade, do ensino da diversidade na escola, até os que não foram colonizadores, os nórdicos, com a vinda dos imigrantes, estão tratando da questão da diversidade na escola.

O Brasil deveria tratar dessa questão com mais força, porque é um país que nasceu do encontro das culturas, das civilizações. Os europeus chegaram, a população indígena – dona da terra – os africanos, depois a última onda imigratória é dos asiáticos. Então tudo isso faz parte das raízes formadoras do Brasil que devem fazer parte da formação do cidadão. Ora, se a gente olhar nosso sistema educativo, percebemos que a história do negro, da África, das populações indígenas não fazia parte da educação do brasileiro.

Nosso modelo de educação é eurocêntrico. Do ponto de vista da historiografia oficial, os portugueses chegaram na África, encontraram os africanos vendendo seus filhos, compraram e levaram para o Brasil. Não foi isso que aconteceu. A história da escravidão é uma história da violência. Quando se fala de contribuições, nunca se fala da África. Se se introduzir a história do outro de uma maneira positiva, isso ajuda.

É por isso que a educação, a introdução da história dele no Brasil, faz parte desse processo de construção do orgulho negro. Ele tem que saber que foi trazido e aqui contribuiu com o seu trabalho, trabalho escravizado, para construir as bases da economia colonial brasileira. Além do mais, houve a resistência, o negro não era um João-Bobo que simplesmente aceitou, senão a gente não teria rebeliões das senzalas, o Quilombo dos Palmares, que durou quase um século. São provas de resistência e de defesa da dignidade humana. São essas coisas que devem ser ensinadas. Isso faz parte do patrimônio histórico de todos os brasileiros. O branco e o negro têm que conhecer essa história porque é aí que vão poder respeitar os outros.

Voltando a sua pergunta, as dificuldades são de duas ordens. Em primeiro lugar, os educadores não têm formação para ensinar a diversidade. Estudaram em escolas de educação eurocêntrica, onde não se ensinava a história do negro, não estudaram história da África, como vão passar isso aos alunos? Além do mais, a África é um continente, com centenas de culturas e civilizações. São 54 países oficialmente. A primeira coisa é formar os educadores, orientar por onde começou a cultura negra no Brasil, por onde começa essa história. Depois dessa formação, com certo conteúdo, material didático de boa qualidade, que nada tem a ver com a historiografia oficial, o processo pode funcionar.

Fórum - Outra questão que se discute é sobre o negro nos espaços de poder. Não se veem negros como prefeitos, governadores. Como trabalhar contra isso?

Kabengele - O que é um país democrático? Um país democrático, no meu ponto de vista, é um país que reflete a sua diversidade na estrutura de poder. Nela, você vê mulheres ocupando cargos de responsabilidade, no Executivo, no Legislativo, no Judiciário, assim como no setor privado. E ainda os índios, que são os grandes discriminados pela sociedade. Isso seria um país democrático. O fato de você olhar a estrutura de poder e ver poucos negros ou quase não ver negros, não ver mulheres, não ver índios, isso significa que há alguma coisa que não foi feita nesse país. Como construção da democracia, a representatividade da diversidade não existe na estrutura de poder. Por quê?

Se você fizer um levantamento no campo jurídico, quantos desembargadores e juízes negros têm na sociedade brasileira? Se você for pras universidades públicas, quantos professores negros tem, começando por minha própria universidade? Esta universidade tem cerca de 5 mil professores. Quantos professores negros tem na USP? Nessa grande faculdade, que é a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), uma das maiores da USP junto com a Politécnica, tenho certeza de que na minha faculdade fui o primeiro negro a entrar como professor. Desde que entrei no Departamento de Antropologia, não entrou outro. Daqui três anos vou me aposentar. O professor Milton Santos, que era um grande professor, quase Nobel da Geografia, entrou no departamento, veio do exterior e eu já estava aqui. Em toda a USP, não sou capaz de passar de dez pessoas conhecidas. Pode ter mais, mas não chega a 50, exagerando. Se você for para as grandes universidades americanas, Harvard, Princeton, Standford, você vai encontrar mais negros professores do que no Brasil. Lá eles são mais racistas, ou eram mais racistas, mas como explicar tudo isso?

120 anos de abolição. Por que não houve uma certa mobilidade social para os negros chegarem lá? Há duas explicações: ou você diz que ele é geneticamente menos inteligente, o que seria uma explicação racista, ou encontra explicação na sociedade. Quer dizer que se bloqueou a sua mobilidade. E isso passa por questão de preconceito, de discriminação racial. Não há como explicar isso. Se você entender que os imigrantes japoneses chegaram, nós comemoramos 100 anos recentemente da sua vinda, eles tiveram uma certa mobilidade. Os coreanos também ocupam um lugar na sociedade. Mas os negros já estão a 120 anos da abolição. Então tem uma explicação. Daí a necessidade de se mudar o quadro. Ou nós mantemos o quadro, porque se não mudamos estamos racializando o Brasil, ou a gente mantém a situação para mostrar que não somos racistas. Porque a explicação é essa, se mexer, somos racistas e estamos racializando. Então vamos deixar as coisas do jeito que estão. Esse é o dilema da sociedade.

Revista Fórum – como o senhor vê o tratamento dado pela mídia à questão racial?

Kabengele - A imprensa faz parte da sociedade. Acho que esse discurso do mito da democracia racial é um discurso também que é absorvido por alguns membros da imprensa. Acho que há uma certa tendência na imprensa pelo fato de ser contra as políticas de ação afirmativa, sendo que também não são muito favoráveis a essa questão da obrigatoriedade do ensino da história do negro na escola.

Houve, no mês passado, a II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Silêncio completo da imprensa brasileira. Não houve matérias sobre isso. Os grandes jornais da imprensa escrita não pautaram isso. O silêncio faz parte do dispositivo do racismo brasileiro. Como disse Elie Wiesel, o carrasco mata sempre duas vezes. A segunda mata pelo silêncio. O silêncio é uma maneira de você matar a consciência de um povo. Porque se falar sobre isso abertamente, as pessoas vão buscar saber, se conscientizar, mas se ficar no silêncio a coisa morre por aí. Então acho que o silêncio da imprensa, no meu ponto de vista, passa por essa estratégia, é o não-dito.

Acabei de passar por uma experiência interessante. Saí da Conferência Nacional e fui para Barcelona, convidado por um grupo de brasileiros que pratica capoeira. Claro, receberam recursos do Ministério das Relações Exteriores, que pagou minha passagem e a estadia. Era uma reunião pequena de capoeiristas e fiz uma conferência sobre a cultura negra no Brasil. Saiu no El Pais, que é o jornal mais importante da Espanha, noticiou isso, uma coisa pequena. Uma conferência nacional deste tamanho aqui não se fala. É um contrassenso. O silêncio da imprensa não é um silêncio neutro, é um silêncio que indica uma certa orientação da questão racial. Tem que não dizer muita coisa e ficar calado. Amanhã não se fala mais, acabou.


Seguem no início deste post todos os créditos desta matéria que foi compilada pela Revista Eletrônica do Circulo Palmarino da Revista Eletrônica Fórum