terça-feira, 6 de maio de 2008

QUE SOCIEDADE É ESTA QUE SE VAI CONSTRUÍNDO?

QUE SOCIEDADE É ESTA QUE SE VAI CONSTRUÍNDO?

RACISMO NÃO, MANISFESTAÇÃO SIM


Por que o editor da Revista semanal de maior circulação no Brasil pode fazer determinadas ofensas e um punhado de cidadãos não podem sequer manisfestar-se a favor da liberação da maconha?

O que é pior? Pedir, panfletar e gritar em uma manifestação pacífica por uma causa que se considera ideal, ou seja, pela liberalização do uso da maconha ou ir a publico blasfemar com ofensas de cunho racial a cidadãos de direito brasileiros ?

Foi possível ver cidadãos saírem presos da manifestação já previamente proibida.
? E por que não vemos tal ação contra um flagrante ilícito penal que é o racismo?


Não tenho nada contra e nem nada a favor com relação a liberalização da maconha. A maconha é uma preocupação a mais para nós educadores e misturar os assuntos é uma maneira de mostrar que importancias diferenciadas são dadas a assuntos de gravidade e preocupações de proporções nacionais pois que mechem com asegurança pública, com a saúde e com a educação. A repressão e o enquadramento ideal só depende de quem está com a bandeira na mão.

Que sociedade é essa que estamos construindo ou que estão nos empurrando goela abaixo?: A notícia da demissão de vários jornalistas de bom nome e recursos profissionais da imprensa brasileira, assusta, a exposição de forma absolutamente desrespeitosa do afro brasileiro e a condenação e impedimento de manifestações públicas de caráter pacífico em conjunto com as declarações do general comandante militar da Amazônia Augusto Heleno Ribeiro Pereira e o discurso recente do Deputado Capitão Bolsonaro, também assustam, serão a abertura de portas para um novo golpe contra democracia brasileira?

RACISMO 3


RACISMO 3


O racismo é um crime previsto no Código Penal brasileiro - Artigo 240.º Discriminação Racial ,(aprovado pelo Decreto-Lei n.º 400/82, de 3 de Setembro, com as alterações introduzidas pelos Decretos -Lei n.os 132/93, de 23 de Abril e 48/95, de 15 de Março, e pelas Leis n.os 65/98, de 2 de Setembro, 7/2000, de 27 de Maio, 77/2001, de 13 de Julho, 97/2001, 98/2001, 99/2001 e100/2001, todas de 24 de Agosto e 108/2001, de 28 de Novembro) e condenado pela Constituição em seu artigo 5 que trata Dos Direitos e Garantias Individuais (XLII – a prática de racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;)

É condenado também pela Carta Universal dos Direitos Humanos.

Baseado nas leis citadas (faltou a Lei Cão) e sendo você um cidadão ofendido com injúrias racistas, tem o direito de apresentar queixa e levar o ofensor a prisão. O engraçado é que atores desta ação, recentemente trazidos a público, por terem feito tais injúrias quer seja através de suas colunas em meios de comunicação da mídia escrita e ou eletrônica, quer seja através de documentos, publicações ou entrevista saíram ilesos e a salvo como é o caso do professor da Bahia, que somente se viu forçado a pedir desculpas e foi demitido de seu cargo...E o Mainard? Ficará a solta, livre, comandando ainda a revista que mais ofende a verdade neste Brasil Varonil???

RACISMO 2

RACISMO 2

”Com ataques cuidadosamente dosados contra a política de cotas universitárias implantadas no Brasil - que está sob julgamento no Supremo Tribunal Federal -, e, na verdade, querendo atingir todas as lutas do negro brasileiro, o colunista da revista Veja, Diogo Mainardi, encampou de vez o discurso neo-racista brasileiro. "É uma chance para acabar de vez com o quilombolismo retardatário que se entrincheirou no matagal ideológico das universidades brasileiras", afirma ele em "O quilombo do mundo" (edição 2057, 23/04/2008).” E vai além: ´ - Se é para macaquear os Estados Unidos, temos de macaqueá-los por inteiro. A universidade pública americana cobra mensalidade dos alunos. Quem pode pagar, paga. Os outros se arranjam com bolsas, empréstimos ou bicos.”
RACISMO 1

Fatos recentes mostram que é possível aproveitar-se dos meios de comunicação para fazer acusações e ofensas racistas aos cidadãos brasileiros. Nós os afro-descendentes voltamos a ser atacados em rede nacional quer seja por revistas, por jornais e ainda pela tv: Somos atacados não somente pelos racistas que se entregam a filosofias neo nazistas, neo racistas e a teorias com o teor máximo do ódio dos eugenistas, mas também podemos somar a este pequeno exercito ou vanguarda, jornalistas e acadêmicos entrincheirados em gabinetes e revoltados pela conquista das cotas e talvez preocupados com os avanços conseguidos até então:

segunda-feira, 5 de maio de 2008

ANIVERSÁRIO DA ABOLIÇÃO

Amanhã, dia 06 de maio, comemorarei 45 anos. Na semana que vem dia 13 de maio, o vô Sylvio se estivesse vivo certamente teria aquela feijoada feita pela vó Justina (que também já se foi). Muito além de uma simples comemoração de aniversário era aquele evento a oportunidade de rever e ter unida quase toda a família e amigos. Era um dia sagrado em nossas vidas.

Era também um momento cultural pois que papai e os tios músicos se reuniam e faziam rolar um sarau. Tenho belas lembranças daquele encontro forte com a minha gen, com a minha raça e com a minha cultura.

Neste ano de 2008, completar-se-ão, cento e vinte anos da abolição da escravatura. Um mote, uma mentira, um engodo e uma pegadinha que deu certo pela entrega e pela luta de vários irmãos e primos – uma luta que decerto não teve origem na coragem de Zumbi dos Palmares e que não terá fim nas palavras de brasileiros covardes, que se aproveitam da posição sócio-cultural, para dar de pau e tentar destruir avanços históricos para nós afro descendentes .

A sociedade brasileira, aquecida ao longo dos anos desde a época do Brasil colônia, por um processo produtivo e de desenvolvimento que contou - segundo o padre e historiador Antonil – “com as mãos e os pés do negro“ , desanda hoje a dar pulinhos (lembram do avesso da vida?) e a desatar os nós, cuspindo nos pratos em que meus ancestrais (sitiados e escravizados em Santa Maria Madalena/RJ, pela família Albuquerque – meu sobre-nome) e os de todos os brasileiros afro-descendentes não comeram.

Recentemente recomeçaram os ataques oriundos de ilustres brasileiros, vieram eles do Sr Diogo Mainardi colunista da Revista Veja, do jornalista Ali Kamel da Rede Globo, do Sr. Reynaldo Azevedo, também da Veja e na semana passada pelo Sr. coordenador do curso de medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), professor Antonio Natalino Manta Dantas

SEMANA CHEIA

Semana corrida e cheia de novidades e assuntos. Desempregado, resolvi estender a onda do feriado de 1 de maio, só de sacanagem, afinal com o espetáculo de crescimento e com as boas novas da classificação brasileira com relação a nova recomendação de investimento seguro com a nota BBB+, acabo por não entender por que estou de fora, então, foi preciso protestar de alguma maneira. Resolvi, então, não trabalhar em meus Bloggs...Só de sacanagem deixei as coisas se avolumarem.

Em contra partida a boa notícia da conquista do grau de investimento, nas terras indígenas de Raposa Serra do Sol, os conflitos continuam. Formada por uma área de mais de 1,5 milhão de hectares de área contínua a reserva que fica na fronteira entre o Brasil e a Venezuela, as terras homologadas em 2005, sofrem continuada invasão por parte de produtores de arroz.

Os inimigos são os rizicultores, uma parte da mídia brasileira que defende os interesses dos produtores de arroz e outros interessados na região, alguns políticos ruralistas e as Forças Armadas Brasileiras. Todos unidos - e não necessariamente com os mesmo interesses – contra os cerca de 15 mil índios das etnias Macuxi, Wapichana, Ingarikó, Taurepang e Patamona. que através do Conselho indígena de Roraima (CIR) fez encaminhamento de pedido de proteção a ONU.

Hoje como num ápice dos conflitos da semana passada dez nativos foram covardemente baleados enquanto construíam moradias em um ataque feito por jagunços de um arrozeiro local.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

FELIZ ANIVERSÁRIO MINHA BAIXADA

FELIZ ANIVERSÁRIO MINHA BAIXADA

“ Dizem que o genocídio imputado aos nativos, seres autóctones
Da Baixada Fluminense, trouxe ao povo daqui, o Karma da violência, pobreza e descaso político...Eu digo: Nós os homens ligados às artes, resgatamos o moral, estamos enterrando o estigma e transformando o Karma em cultura”
Sylvio Neto

Música Sugerida: Homem Invisível
Roberto Lara

De maneira geral toda a história de minha vida, até então, foi passada na Baixada Fluminense. Na Belford Roxo, em que me criei e eduquei foi que conheci a arte e a cultura. Hoje, é possível expandir os horizontes da produção cultural local e levar, visitar, conhecer e se apaixonar pela cultura de toda parte do Brasil e do mundo, pelas janelas da rede mundial de computadores. Ontem era mais difícil. Carecia de dedicação e horas de pesquisa em bibliotecas ou em frente à tv a espera dos programas específicos.

Um fenômeno geográfico chamado conurbação ocorre na formação, inter-relacionamento e inserção dos Municípios que formam e são a Baixada Fluminense. A riqueza histórica, hoje, já não se perde tanto quanto em outrora - Vários Institutos de Pesquisa resgatam através de publicações (respeitadas pelo meio acadêmico) que hoje se avolumam buscando retomar, o respeito e importância política e econômica, dos tempos de colônia, Império e parte do que se conhece como República.
Os Portos e Entrepostos Comerciais, as grandes plantações, O caminho do ouro em direção a Metrópole (Portugal), berço de nascimento e morada de grandes líderes nacionais e locais (questionáveis ou não) – A partir da Segunda República começa o processo de derrocada política, social e econômica. A então Capital da República e Metrópole Nacional, a Cidade do Rio de Janeiro engorda, fragilisa e desconcentra a riqueza econômica, social e política impondo fim à importância das terras em Depressão Relativa que sobrevivem entre os rios, que foram sendo gradativamente assoreados até transformarem-se em dor de cabeça para o poder público e para a população, tornando-se assim, um instimo entre a periferia e a capital. Transformando-se assim em um estigma nacional de Terras Violentas.

Meus primeiros contatos com a arte e a cultura devo a minha família, que contava com vários músicos. Meu avô Sylvio, meu tio Sylvio e meu Pai Íris (os três músicos da noite) e minha tia Maria Aparecida (seu caderno de poesias – J.G de Araújo Jorge) dentre outros se destacam de forma non sense na minha inclusão a este mundo.
De forma mais efetiva e afetiva minha entrega inicial foi à poesia, que via o colega de escola Fernando fazer. A poesia estava já contida em mim pelo processo de osmose, cresci ouvindo dos sucessos da Motown (Soul Train) a grande música brasileira que na época vinha da música de Ataulfo Alves, Dalva de Oliveira, Sylvio Caldas, Dorival Caymi (...) ouvidas nos saraus na casa do vô Sylvio ao Partido Alto, também lá cantados e sambados e ainda a novíssima Bossa Nova e a formação do hoje se chama MPB...De forma arrebatadora a poesia me pega quando as portas do comércio de Nova Iguaçu me travam o andar com a poesia estampada de Moduan Mattos...

Sair de meu bairro para ir à escola e ter de passar todos os dias pela antiga loja de artefatos de ferro, a Searca Ltda, e ler o recado: “Lembre-se aqui é Belford Roxo” me marcaram bastante. Sem saber o significado real daquela frase que foi estampada no New York Times, eu percebia ainda menino o impacto negativo do estigma. Hoje, graças à iniciativa de muitos artistas anônimos e de outros conhecidos a nível nacional e internacional, graças a intervenções de caráter não governamental oriundas de ONG´s, Cine Clubes e Projetos ligados à cultura foi possível provar a grandeza do povo destas Terras que formam a Baixada Fluminense: Meu grande abraço neste dia a alguns deles Desmaio Público (Cezar Ray e Troupe), Embaixada Poética (Valdemir), Projeto Poesia Na Varanda (Sylvio Neto, Hélio e Roger Hitz), Cine Clube Mate com Angu (HB e All Movie Makers), Laboratório Cítrico, Cia Anti Cinema (Márcio Graffity, Slow e amigos), Sociólogo André Leite, Cidade Negra, Dida Nascimento (Centro Cultural Donana), Daniel´s Bar, Roberto Lara ( a primeira ZAT que conheci), Quinta Oito e Trinta, Projeto Na Mosca (Roberta e Sampa), Projeto Alma de Bel (Verme) entre outros