segunda-feira, 8 de junho de 2009

GLAUBER ROCHA E A TESE DE QUE JESUS NÃO TEM DENTES NO PAÍS DOS BANGUELAS


JESUS NÃO TEM DENTES NO PAÍS DOS BANGUELAS
DESCONSTRUÍNDO O CONSTRUÍDO
plus ça change, plus c'est la meme chose

Uma visão parcial de um universo de imagens, interpretações, idéias e ideais...Um pequeno fragmento de impressões oriundas do olhar deste poeta a obra plural e universalizada do cineasta e pensador Glauber Rocha...Um absurdo de coragem de minha parte em tentar costurar as cenas do filme Deus E O Diabo Na Terra do Sol com as relaxadas e parciais verdades (vontades?) de meu parco entendimento de Brasil e Mundo. Apenas um mergulho pouco sintético feito pelas idéias prolixas deste poeta menor.

Revendo Deus e o Diabo Na Terra do Sol de Glauber Rocha encontrei tantas outras imagens que vão muito mais além das que me lembrava e que me fizeram apreender muitos conceitos acerca da ocupação humana de espaços geográficos dominados historicamente pelos tais coronéis no Nordeste, pelos Messias que por lá foram se formando quer seja na pele de “Homens Santos” quer seja na de “políticos padrinhos” e ainda na dos Cangaceiros do Sertão e ainda a conseqüente migração – êxodo rural – que tantos benefícios culturais trouxeram ao Sudeste bem como problemas sociais tais quais os processos de crescimento desordenado de bairros inteiros e ainda de favelas...Entre muitos outros...Mas é claro, é esta, apenas uma das visões que o filme propõem e incita

Hoje percebo aqui entre nós, nos grandes centros, a mesma influência que o filme retrata do Nordeste de idos anos do início do século XX. Aquela opressão toda, que trouxe a vida idéias messiânicas, levadas a cabo não somente por Antonio Conselheiro, mas também por Padre Cícero e outros, na consolação das perdas de que o sertão viraria mar e o mar sertão, o chamado Sebastianismo e ainda a tentativa de romper com a Republica e restaurar a Monarquia ainda existe, embora mostrando-se de outra forma pois é nítido e claro que não mais existe um movimento da Igreja Católica e das várias (e várias) denominações evangélicas para restaurar aqueles ideais que moveram a cabeça dos líderes messiânicos

Uma das cenas do filme eu revejo todos os dias em meu andar, andar: “ Sebastião, O Santo manda Manoel Vaqueiro pegar Rosa e uma criança para que se possa lavar a alma de Rosa e encontrar para ele a salvação”.
Um bom amigo meu, por conta das investidas do pastor da igreja que freqüenta sua esposa, na intenção de que ela o converta tem sido traumática. Dia a pós dia ela insiste na condição de que o casamento só será feliz por conta de sua conversão. Eles estão casados a mais de 20 anos e tem juntos três filhos e quatro netos. Este amigo trabalha em uma grande indústria, na área de produção na condição de escala e ao chegar a casa, cansado, quer seja pela amanhã ou na madrugada após oito horas de trabalho duro e duas de viagem em ônibus, tem de aturar a sua esposa gritar e gritar por seus pecados...Quando ele chega com o sabor do álcool nos lábios e com o cheiro da cachaça no respirar há guerra santa.

Outros tantos casos de separação são comentados no dia a dia de desencontros e conversas. Ações que deixam triste qualquer mortal.

A cooptação de homens e mulheres pelos políticos, para estarem como cabos eleitorais de forma voluntariosa e sem um pagamento, na verdade uma aposta em busca de salvação oriunda de uma possível eleição e um possível emprego é uma outra forma de reler o parágrafo acima, ou seja,a entrega absoluta de uma vida a uma causa gestada na salvação de uma ou mais necessidades.

O modus operandi dos pastores e padres foi modificado com investimentos e melhor engenharia financeira, confirmação da tese de Max Weber em “ Ética Protestante O Espírito do Capitalismo”. E outras intenções, que não são menos capitais que as anteriores, posto que movidos por condições não muito menos adversas que as apresentadas por Glauber (em excelente e abrangente roteiro e seleção de locações e imagens), as pessoas hoje ainda, se movem em direção das igrejas e templos buscando muito mais que apenas consolo espiritual, mas, sim e ainda, os milagres que aparecem na vida empobrecida de cada um e que podem surgir como um novo emprego, a compra da tão sonhada casa própria, a cura de um carcinoma e tantos outros bens matérias que surgem ou podem surgir após a conversão e entrega fiel das ofertas somadas ao dizimo...Não é preciso apenas acreditar, é preciso estar convertido, batizado, ser freqüentador da sede de alguma das denominações e ainda dizimar...dar ofertas...Quanto maior a oferta maior a dádiva. Portanto, os programas de rádio e TV, são apenas um esforço para alcançar aqueles mais distantes em atenção e disposição física em atender aos chamamentos todos que ali se gestam...Um lembrete diário de que seus dias de miséria existem por culpa de sua teimosa e inadimplência com relação a seu deus.

Um conhecido meu, dirigente e membro de uma corrente dentro da Igreja Católica, que reúne um grupo tão grande que chegou a certa vez gerar um certo conflito entre ele próprio, seus seguidores e o chefe da Catedral que abriga esta corrente...Na força que tem e na diametral demonstração de falta de conhecimentos filosóficos e teológicos, ele consegue gabar-se a cada frase que profere...Como se realmente fosse o escolhido e/ou o enviado de de seu deus, para lavar as almas perdidas “ dentro da igreja” (No filme Sebastião prega a morte dos pecadores e dos padres) ... Certa feita, em conversa a beira da piscina deste parahíso que me abriga, jah há quase duas semanas...falou ele: - “a minha mulher não nos seguia, era devota de outra corrente religiosa (religião afro brasileira), e eu disse a ela que se não nos seguisse, nosso casamento (à época quinze anos e três filhos) estaria terminado (o engraçado é que segundo eles o que deus une, ninguém separa).

Ainda hoje, não é apenas aos coronéis que se precisa enfrentar, mas também, aos seus entes próximos que insistem na não conversão e por conseguinte na contaminação da família cristã convertida.

Por tais enfrentamentos, o Estado, não se incomoda mais um mínimo. As bancadas religiosas dentro das Câmaras e Assembléias Legislativas bem como dentro do Congresso Nacional, prepararam o terreno, para que o Estado Laico não mais se inssolvesse contra expressões religiosas..Hoje existem enormes áreas, quase Municípios, ocupados por religiosos de diversas faces filosófico teológicas...Não agridem ao Estado e nem incitam uma revolução contra a República

É absolutamente impressionante a cena silenciosa dentro do templo do sacrifício de um bebê para que fosse lavada a alma de Rosa e restabelecida a santidade de Manoel Vaqueiro...Impressionante mesmo...A cena termina no grito de Antonio que vem sendo formado com uma reza baixa que vai dando um fader ao revés até irromper em gutural grito...im-pa-gá-vel esta cena, e eu a vejo e revejo todos os dias nos jornais, na tv, nas igrejas, nos discursos e nas ações de políticos, no seios da minha e de várias famílias com que convivo...Tudo vivido sob absoluto silencio...É óbvio que de quando em vez aquele grito de Manoel surge...E tal qual o susto que leva Sebastião, O santo, também o sente diversos setores da sociedade...Toda a opressão e falta de responsabilidade política, econômica e social advinda de Instituições, é convertida em ódio e carros e pneus são queimados nas ruas...muitos inocentes são mortos...Para no dia seguinte tudo seguir sendo a mesma coisa: plus ça change, plus c'est la meme chose (Quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem a mesma)


Sob o olhar atento de Antonio Matador de Cangaceiro – Antônio das Mortes ...A parte repressora das contendas...Também influenciado pelos discursos divinos, mas adepto da política do “desde que paguem a cena pode ser revertida’...Para o lado que pagar mais é claro...Não importa nem o Estado e suas leis nem o céu e suas promessas.

As locações em paisagens variadas, dão uma geral na diversidade ambiental bradileira. Se fosse colorido, o filme, teria multiplicada a sua beleza e plasticidade, embora em preto e branco um certo charme nos atraia.
Em diversos horários, os milagreiros da tv, estão presentes...Estão representados em olhos, peles e rostos bonitos nas novelas que apresentam tramas absurdas entre o povo indiano, que se apresentam absolutamente mal representados...Em discurso idiotas, irônicos e exagerados, donos de profunda demagogia dos apresentadores dos famosos programas
Policiais que ou mostram apenas São Paulo u apenas o rio de Janeiros nas tardes da tv brasileira, ou ainda nas explicações da notícia mal mostrada nos telejornais que se finalizam com comentários pessoais dos apresentadores e/ou de seus editores que temos de engolir sem a chance de replicar ou treplicar...Parecer ser eles os buscadores de Canaã...Não importa quem lá está, não importa o que pensa, não importa como ria e nem como cuidam de seus filhos...A Terra é nossa, as mentes são nossas e somos nós os certos.

E Manoel Vaqueiro, homem povo, homem gente do Brasil,a buscar e buscar...Um galo no escuro procurando um puleiro...Um homem de deus que não queria ser Satanás

Agora nos surge uma nova peste para salvar o que não pode ser salvo sem uma boa e justa política econômica e social : As milícias que são o coco do cavalo do primo do bandido e soam pior que o tráfico...Vieram para fazer o mal e para tomar os bens dos que nada tem.Mais uma possibilidade de gastar linhas e linhas repletas de palavras assim como de ocupar os necrotérios na triste contagem de corpos

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O RAPPA QUE É LAURO BIKO E A MISSÃO QUE TEM RÔMULO COSTA ... A Responsabilidade Moral de Um Artísta e E a Responsabilidade Cultural de Um Secretário

POLÍTICA DE EVENTOS OU POLITICA CULTURAL?
A Saga e Périplo a Ser Enfrentada Pela Secretaria de Cultura


Foi realizado em Areia Branca em fins de maio passado um mega show que envolveu a caravana da Furacão 2000 empresa de nosso Secretário Municipal de Cultura Sr. Rômulo Costa - O Pai Moreno do Funk e a Banda O Rappa que tem aqui entre nós mãos, pés e inspirações.

O Rappa é a banda formada inicialmente pelo músico Marcelo Yuka - que foi um dos integrantes da histórica KMD5 (Negril, Dida Nascimento), banda que junto ao Lumiar (Cidade Negra) foi precurssora de um grande movimento em Belford Roxo, o chamado movimento reggae, que pode ser incluído como um movimento sócio cultural de grande abragencia - Ver tese Memória Musical da Baixada Fluminense do Sociólogo André Leite.

Além de Marcelo Yuka, O Rappa, teve a gestação na cabeça reggueira sem limites de Nelson Meireles (caramba por onde anda vcê cara...?), que foi o produtor da banda Lumiar, levando-os a gravadora sony (selo Epic) e a serem posteriormente, mundialmente, consagrados como Cidade Negra.

Ainda após a sua sahída do KMD5, que tinha Lauro Farias, como um dos fundadores e baixista, Marcelo Yuka, montou o Conexão Xangô (caramba e você Keba por onde anda?...), banda que tive a oportunidade de fazer um som na época de minha banda Postura Africana, em um mesmo evento, aqui mesmo, em Belford Roxo na antiga Esther drink´s, hoje, Mega Titanium...E lá, eu ousarei dizer que Yuka, lança publicamente os pilares do que seria o Rappa, pois em entevista ao Marcos Ferrari, que fazia um programa de reggae na Rádio Fluminense - esquecí o nome do programa mas a vinheta surge aqui na cachola...(hô Saudade!!! e por onde anda o Marcos Ferrari?), falou jah em bateria trigada e ligada a um cérebro e jah o Conexão fazia uma onda de reggae, ragga bem pesada com guitarras pesadonas, naipe de metais e uma onda bastante eletrônica - mas vinda só das baterias, com loopings e fader e sei lá mais o que.

Então posso afirmar nesta sexta feira de sol que O Rappa tem mãos, pés e insprações aqui em nossa Belford Roxo.

Durante o show, Lauro Farias, que é irmão de Bino Farias do Cidade Negra e de Otácilio Farias - O Cilinho - que foi da BBBT, do Negril - quase todos os irmãos são excelentes músicos inclusive o pai, as irmãs são absolutamente maneiras (rs) - e hoje faz o baixo da carreira solo do broder Da Gama (ex Cidade Negra), foi justamente homenageado e retribuiu o gesto de maneira incrivelmente simpática a sua Terra...A sua autóctone Belford Roxo, oriundo da Pian que é: Agradeceu e ofereceu a moção pública recebida a todos nós que fazemos cultura e arte aqui na "área": a gradeceu a mim, Sylvio Neto, pela potencialização da "cena" literária e poética a custas dos projetos Poesia Na Varanda e Poesia Na Câmara, agradeceu a Dida Nascimento, pela "restauração" do histórico Espaço Donana em seu reinício de atividades (que eu ainda não prestigiei em uma atitude de erro profundo pois que Dida está sempre nos Sarais junto a sua linda Cigana poetisa do Pó de Poesia e Jardim de Clitóris), agradeceu também e ainda a vários outros tantos manos que pegam no pesado tentando enlevar a identidade sócio cultural dos nossos, que buscam através de um encontro com a cultura local, autêntica e autócnone e ainda com aquela temperada com os processos migratórios que encontraram fim e pousio, aqui na Belford Roxo, nossa, quebrar, partir, desconstruir os "estigmas' imputados a nossas costas, enfim, agradeceu e ofereceu a moção publica aos que trabalham insistentemente na construção de uma auto estima afinada com as possibilidades de tranformação socio cultural.

Hoje pela manhã...Enviei a Lauro um mail, agradecendo sua envergadura moral diante das autoridades públicas de Beford Roxo, alguns representantes do Legislativo e o Secretário Municipal de Cultura Rômulo Costa...Não distante do agradecimento e da emoção a um reconhecimento público a cerca de seu trabalho e importância para o Municipio, Lauro Farias, foi além da nervura do real existente naquele exato momento - pois a atitude das autoridades, não se sustenta no dia a dia do fazer e do pensar político - a cena criada é um lapso um ponto fora da curva - quisera poder ela se repetir mandato a seguir...Sensível, Lauro decerto percebeu a Caixinha de Pandora, o Cavalo de Tróia, o Trojan que seguia junto aquela "moção pública" e lembrou daqueles que já citei acima, daqueles que fazem existir uma politica de resistencia cultural em um Municipio que não comtempla uma política cultural, a um Municipio que não tem diagnosticada a sua situação cultural, ou sócio-cultural, a um Municipio que não tem linkadas as suas várias secretarias, pastas que não trabalham em uníssono com a pasta da Cultura...Enorme prejuízo social, enorme prejuízo educacional, enorme prejuízo econômico...Enorme prejuízo político...

Aconteceram em Belford Roxo, diversas solenidades públicas - como por exemplo a posse do Sec. Municipal de Cultura, o carnaval, a assinatura de convênio com o governador Sérgio Cabral e representante do BID, para reinício das obras no Município, entre outros - que contaram com o comando e animação (da festa que se formou em torno das solenidades com vistas a tornar a ação ecumênica) do Sr. secretario Rômulo Costa e sua esposa Priscilla Nocett - sempre acompanhados do bonde da Furacão 2000 - Hawaianos, os mulekes, perla e demais contratados da empresa do secretário - Todos sabemos que quando uma pasta é criada, sua dotação orçamentária só passa a existir após a votação pelo Legislativo do orçamento do ano seguinte...Tecla SAP: A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo então, existe e não existe, pois não tem granaaaaaaa...Dahí...Entendemos a boa vontade do secretário em trazer (não sei a que custo...se o do tapinha nas costas ou o de um pagamento futuro...e em qualquer das modalidades há boa vontade da parte do secretário/empresário) dando seu calor as solenidades...

Mas vejamos...

Será que não caberiam nestas mesmas solenidades atrações e ações artísticas locais também? Com o mesmo tapinha nas costas ou ainda com ou com a promessa de pagamento de cachê futuro?
Será que nos eventos oficiais não há realemnte a necessidade de se mostrar (aos pedaços que seja) sempre um pequeno mosaico do que se produz em termos musicais, cênicos, literários, audio visuais, plásticos, folclóricos e da cultura popular locais?

É difícil esta missão de pensar?
È impossível esta ação de reconhecimento, preservação, gentileza e potencialização da cultura local?

Será que os nossos não irão pensar, que cultura é apenas o funk e suas modalidades e variações (e eu considero sim...e acima da minha consideração e gosto é mesmo o funk cultura...a não ser que os conceitos de cultura tenham sido modificados) ?
Será que os nossos artístas vão ver ser perpetuado em mais um governo (e este prometeu ser a diferença) a indiferença a sua existencia?

Secretário...Toca funk...Mas toque também nossos corações e emoções e permita que seja plural a cultura de nosso Município...Secretário sem soro, capilaridade e porosidade...Nós todos vamos morrer asfixiados ...

Vereador ... Sem dotação orçamentária, um Conselho de Cultura sério e comprometido com o fazer cultural do Município, um corpo técnico capacitado a enfrentar os editais dos governos federal e estadual, da iniciativa privada e internacionais e ainda capazes de produzir eventos, gestar projetos, aprovar e reconhecer e buscar com método a potencialização das culturas locais em metódico diagnóstico...Nossa cultura será suplantada e nossos jovens perderão sua identidade...quando isso acontecer...Que os Deuses nos acudam.

Laurinho...meu broder de muitas lembranças...de algumas vibes impagáveis...E de uma atitude absolutamente ímpar, solidária, inteligente, simpática e responsável...Obrigado mais uma vez.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

PROVOCAÇÕES EM GIGABYTES, CORAÇÃO E FLÔRES



Há tanta provocação aqui neste meu laptopzinho, velhinho, que nem sei...
Fora à imensidão de musicas que giram algo em torno de 45 Gigas, há os vídeos...E eu os vou explorando feito um arqueólogo em campo...Bem devagar em pequenos passos e sórdidas goladas...

Ter o curta, Ilha das Flores para ver a hora que quero é mais que ter o que pensar e ser provocado e poder deliciar cada frase e cena de forma absolutamente egocêntrica e ditatorial...Com o dedinho no mouse eu posso parar, avançar, pausar e retroceder as imagens apresentadas a meu bel prazer e assim quem sabe quadro a quadro compor musica e poemas...Quem sabe?

A fusão da musica da linda Vanessa da Matta e do cachorrão Chorão do Charlie Brown Jr, no Estúdio Coca Cola/MTV é a certeza de que nada melhor há que um temperinho...O entrosamento e a articulação das bandas e dos dois vocais sugerem muita coisa e a partir da crítica que possa surgir quem sabe um insight rola e surge de algum canto algo bem bacana e autoral...Do prazer que pode surgir – e surgiu em mim – rola a satisfação que é perceber o quanto é plural a criatividade e as possibilidades do fazer artístico.

Na seqüência de paixão em sexo entre René Rousso e Pierce Brosnan no filme de Thomas Crown Affair (versão do original Crown, O Magnífico – com Stevie McQueem e Faye Dunawey, 1968 - eu não consegui alguém tem para me passar?), me vem a dor da saudade de amores que não deram certo na razão de existir...Mas que na verdade do encontro foram pimenta do reino...Fico lembrando, dos dois grandes amores que vivi...Aquele bem guardado em meu coração e que foi o amor adolescente pela mãe de meu filho, um amor bonitaço e cheio de paixão que guardou dezessete anos de minha vida e o amor posterior que foi uma grande aventura de cinco anos, uma entrega sem limites de toda a minha vontade, por uma pós-adolescente que nada tinha ou era e depois de crescer frondosa flor, quis sua vida pra viver como sempre quisera viver...tarde percebi tarde soube que nada mais era se não a maçã de minha vida...Fora do parahíso amarguei dez anos mais de paixão e dores de amores e saudade...

Fica ahí então as três dicas de vídeo junto as musicas More Than I Can Beare do Matt Bianco, The Hell is Around The Corner, do Tricky (se for a versão dele com o Portishead melhor) e quem sabe também Dias de Janeiro do Otto.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Os Rubens, Alves e Braga.............Eu e Renato Aranha.................... A Sutileza e o Superficial


Hoje a tarde...Trabalhando on line na Produção de mais um Sarau Poesia Na Câmara, fui visitado, pelo hermano do coração Renato Aranha...parceiro de copo e alma...Parceiro da conceitual e extinta banda Baixada Super 8...Parceiro de textos e musicas (blogueiro do www.eunaspalavras.blogspot.com)...Parceiro da banda Rota Espiral (sahí bem no início do trabalho) sua atual banda junto ao Dany the Cat e galera...O título veio na foto que procurava para emoldurar o post anterior...procurava algo para servir de imagem ao texto que fala da sutileza de viver a nossa vida...Mesmo com o trivial e mínimo...Formando nossa própria idéia sem a intromissão da mídia...E olha a coincidencia dupla no papo nosso


O papo foi pelo Google Talk...Cosertei alguma coisa mas o básico da digitação cá está...Por isso acho que vcs pouco verão pontos e vírgulas..Para diminuir o tamanho do post eu formatei os diálogos em uma mesma linha


A SUTILEZA E O SUPERFICIAL
Renato: diz aí, véio.
Renato Aranha está conectado.
Sylvio: fala renato
Renato: e aí.
falei em vc hoje.
Sylvio: com amigos?
Renato: com alunos do pré-tecnico, um aluno reclamou comigo de que a professora deu nota baixa em um texto em que ela escreveu, começamos a conversar, sobre o produzir literário...indiquei duas leituras: o seu blogg e Rubem Braga
Sylvio: dei aqui um sorriso: depois de ler o Rubem ela vai querer se matar lendo o meu blogg
Renato: prq.
Sylvio: que aliás to publicando agora um texto que quase perdi
Renato: aí é que é a questão...fão fazeres totalmente diversificados
*são
Tem um texto em que Rubem Braga diz que foi ao Zoológico e viu um pavão e se encantou com a infinidade de cores depois descobriu que o pavão não tem aquelas cores todas, na verdade as gotículas de água formam um prisma em suas penas depois ele faz uma metáfora de que o artista é assim ou pelo menos deve ser assim alcançar o maior número de matizes, com o mínimo Rubem Alves é assim econômico, mas nem por isso menos literário.

Sylvio: há mesmo verdade no que diz...Simplicidade na verdade é o que há de mais difícil no fazer quer seja literário quer seja musical expressar de maneira simples é difícil muito
Renato: Vc percorre as possibilidades das idéias antes mesmo delas suscitarem no leitor, prolixo (não veja como crítica negativa) envereda pelo malabarismo vocabular e por aí vai.
Sylvio: bacana tua analise e ainda a costura com os rubens
Renato: mas a prolixidade é pra quem tem assunto
Sylvio: rsrsrsrsrsr cara eu tenho uma onda de dizer que o texto me persegue qdo falo isso me lembro imediatamente da galera sacaneando o Rico (guitarra)
Renato: sei como é
Sylvio: Falam que há um tempo passado ele enlouqueceu e de repente sahia a correr sentindo-se perseguido por um violão
Renato: kkkk esquisofrenia musical
Sylvio: preciso ver filmes merdas, não ler ou não prestar muito a atenção a coisa alguma pois tudo vira texto e isso é horrível
Renato: compulsividade
Sylvio: por isso as vezes nada ouço e nada vejo
Renato: o questionado Paulo Coelho, diz que é preciso a mulher dele ameaçar jogar um balde dágua no computador para que ele pare de escrever...
O escritor Sérgio Santana diz que o escritor é alguém que transborda em experiências
Não me envolvo mais tanto com a literatura formal, admiro os escritores, entendo-os, mas não acredito no ensino da literatura. Literatura não se ensina, se influencia, incomoda´se o outro a ponto do outro querer saber prq.
Sylvio: Muito perspicaz esta tua observação é uma observação maldosa não do ponto de vista crítico
Renato: acho que eu não sou escritor, sou um teórico literário, assim meio Antônio Cândido, meio Swaers
Sylvio: de ser mal com a s coisas mas sim da forma com que olhas uma verdade
é bem verdade que seguir as regras e as escolas literárias dão certo vigor ao escritor
dahí vem sua pujança e técnica e estilo que vão assoberbando os outros...e vão ainda diminuindo as capacidades a volta não há vazão e nem aceitação para o diverso infelizmente esta máxima ainda impera...com dias contados é claro
Renato: Pode ser que agora, com um pouco mais de tempo, eu retome algumas escrituras, até prq ... escrever precisa de ócio, ócio criativo
Sylvio: pois as crises econômicas e os novos formatos de fazer cultura e artes vão sendo modificados pelas mãos da economia e não da observação e sutileza dos que fomentam a arte
A sutileza e o superficial
difícil ver quem sabe unir bem em costura harmônica estas pontas
Renato: pois é....
voltando ao assunto inicial, eu tenho uma aluna, que é uma monstrinha em leitura simbólica... eu a orientei a ler história e ciências.... para não cair na alienação... quiçá insanidade.
Sylvio: ehehehehe
Renato: então surgiu o papo de autores, aí eu dei o endereço do seu blogg
é meio louca essa geração, enquanto tem uns totalmente alienados , tem outros que pô já leram com 14 o que eu tinha lido aos 20
Sylvio: o post feito sobre o Programa Livre e o massacre dos mediadores junto ao Demétro Magnoli rendeu vários recados...Um apenas foi feito de forma identificada
Renato: é preciso velar essa galera.... para que eles saibam digerir tudo....
ah sim....
eu não entro no meu blogg ah um século,
no meu blogg fica piscando sempre o seu último texto postado.
Sylvio: pois é...é um exercício...postar todos os dias é loucura...parece profissão...dá para entender porque existem matérias horríveis em jornais e revistas...Os caras tal qual os médicos precisam de escrever para diversos meios de comunicação e ficam com certeza presos ao texto
eu deveria me sentir feliz por ser perseguido pelo texto
por vezes eu não o encontro mesmo querendo
penso que para jovens como os que vc reporta...nem mesmo oficinas de leitura, bibliotecas e ações parecidas bastam ou são suficientes
ser tutor de uma galera tão plural e a frente de sua geração é algo como cerceá-las de liberdade de expressão e busca
talvez seja covarde...o legal é fazer um movimento ou um momento para que elas coloquem para fora...e não importa se de maneira estilosa ou não...esta apreensão gerada pela leitura...e ahe pode ser em fotografia, vídeo, poesia, contos, roupas, crônicas sei lá...
Renato: Tem uma gatinha baixinha no pré vestibular da noite que a garota adora ler, vc fala de um autor ela sabe a respeito....
Sylvio: engraçado é o que durante a nossa conversa eu publiquei..tem muito haver de certo com o que temos falado
Renato: falei do Ariano Suassuna, mas sempre traço paralelos tracei com o Mangue e a ojeriza dele às novidades
Sylvio: são pessoas que estão atentas...muito atentas ao que rola ao seu redor...farejam cara...queria muito que meu filho fosse assim...acho que assim nós conversaríamos mais
Renato: mas eu hoje sou muito informal para ensinar a literatura dos programas
Sylvio: ele é hamorial (armorial?)
sabe renato...eu acabei por entender um pouco da neura do Suassuna eu próprio já falei muito de bandas de reggae, samba, rap sem compromisso o compromisso não tem nada que ver com a introdução de novidades, com a mistura ou com o tempero pde-se fazer isso (e a cho que o movimento mangue beat é um dos melhores exemplos) criando algo absolutamente respeitável mas há os que o fazem e putz...vc sabe bem
a musica sertaneja hoje é conhecida apenas elos que gostam e pesquisam e qdo vc mostra a verdadeira musica todos dão de lado por conta dos neo lá em Guapi todos gostam de forró...vai lá e toca ze ketty, toca luiz gonzaga...toca uma sertaneja pra eles...vão virar de costas...pois gostam do calcinha preta e afins...
Enviado - 16:57, quarta-feira
Renato: sei... é igual lá em Paracambi
Enviado - 17:00, quarta-feira
Renato: cara vou sair, vou lá no curso dár dois tempinhos para uma turma de PM
Sylvio: ok vai lá...qdo tiver a fim e com tempo de uma ligada pra pagar tres brejas
Renato: a fim eu tõ
tô é sem grana.
Sylvio: normal para mim que só vivo sem...Quando tiver...projeto para o futuro...rsrsr
Renato: pô hoje estava indo o álcool acabou ali no Jardim Íris
Sylvio: que braba...e como foi?
Renato: encostei o carro e fui a pé, só peguei o carro era uma hora
Sylvio: ah professor...por que se-lo por que não sê-lo?
Renato: cheguei dei aula para o pré vestibular e pré técnico e depois disse: aí me dá um vale aí se não não tenho como voltar mais tarde.
Sylvio: ainda bem que hoje é dia 03...
Renato: tô conversando aqui , com um cara de português, que eu assim preparei para a sala de aula. Nós estamos criando, ou tentando bolar métodos novos de redação. com códigos, algumas paradas....
Sylvio: legal...tudo que seja mais interessante e fácl é válido
Renato: e a outra parada é fazer on line, mas esse é outra proposta.
Sylvio: eu to ouvindo uma galera nova e queria te passar uma musica muito foda depois a gente faz isso
Renato: quem? mas quem é a banda?
Sylvio: potishead, tricky, e rola ainda o Massive atack que ja é conhecido
Renato: eu tava ouvindo progressivo, os caras são doidos música de 19 minut0os
Sylvio: é um formato absolutamente anti comercial acho que por isso acabou
Renato: o curso assinou a carteira desse prof. com quem estou falando... boa aquisição, o cara é bom.
que nada cara, tá vindo uma galera nessa onda
deixa eu te dar o nome
Sylvio: po mas eles jah existem desde 91
Renato: dream teather
Sylvio: eu é que não os conhecia...na verdade conhecia sem conhecer...pois uma das musicas tem a base usada pelos racionais
ah sim tu fala de progressivo...sei
sim mas o dream é antigo
Renato: bem que eu já tinha ouvido essa parada em algu8m lugar
ah tá
então é novo pra mim
mas não tenho muita paciência não
Sylvio: pois é...qdo a gente descobre é sempre novo
Renato: muito grande cheio de tribiritifiririkfiri na guitarra
Sylvio: cara há muita coisa...muita mesmo sendo feita...na inglaterra e no Brasil é claro...muita mistura bacana
Renato: cara vou sair...
vou
Sylvio: abraço e bom trabalho
Renato: essa turma da Pm tá acabando ainda bem
o bom é que passa rápido a aula à noite
Sylvio: vc fica dando asas a cobra

Renato: só mas uma coisa
o google earth 5 é foda
Sylvio: existe movimento?
Renato: ainda não, não para a gente
Sylvio: a imagem ainda é estática?
Renato: já existe com o movimento mas não é liberado para a gente já pensou o caos que ia ser
Sylvio: vai dar merda
Renato: principalmente no rio o tráfico monitorando a saida de viatura desde o batalhã batalhaõ
Enviado - 17:25, quarta-feira
Renato: o carro forte chegando ao banco
já existe, mas por enquanto a gente fica com o estático
mas digo assim ele tem uma linha de tempo
Sylvio: tecnologia a serviço de todos...TODOS e toldos
Renato: retrocedi a 1940 e aí vc vê como o globo era mais verde as áreas que foram se transformando
Sylvio: caraca tem essa possibilidade?
Renato: para pior é claro.
tem
eu também não sabia, descobri agora sem querer
Sylvio: sempre futucando
cara, agora vou mesmo. fui
dá um abraço ai na galera.
Sylvio: valeu

É PRECISO ESTAR ATENTO E FORTE


É mesmo preciso...Sempre...Estar atento e forte...

Se nos deixamos levar...A mídia nos carrega com mais vigor que o loading do dia a dia...

E havemos de concordar que o nosso dia a dia – e o de ninguém desde que esteja atento é igual ao de outro – está sempre carregado de fortes emoções e impressões que passam por vezes despercebidos por conta do alarde e gritos diários dos fazedores e vendedores de notícias...

Consegui, ontem (28/05/09), já que estou sozinho no sítio, cozinhar batatas de maneira/forma, simplesmente, deliciosa: coloquei manteiga na panela e juntei três batatas descascadas e inteiras, deixei pegar um pouco, tapei a panela...Após uns 30 segundos, destapei e em meio à fumaceira toda que subiu, juntei uma cebola descascada e inteira...Mexi bem...Acrescentei pimenta do reino e depois tasquei água até tapar as batatas e a cebola...Acrescentei um sache de sazon, um cubinho de caldo knnor, algumas generosas pitadas de Foundue e Grill Maggi, colorau e ainda tempero sírio, sal e azeite.

Tapei e deixei cozinhar...O cheirinho que subiu tomou conta de toda a casa e envolveu meu momento com um abraço e beijo de impressões tão profundamente marcantes que ao comer pude sentir a importância, a delicadeza, a arte e a delicia do cozinhar...

Somos mesmo muito mais que seres humanos...Somos puro tempero...

Enquanto isso...Lembrava de ter visto e ouvido, o Sylvio Santos, em seu programa anunciar inscrições abertas para moças bonitas, somente bonitas e com boa voz para compor mais um de seus programas – deve ser ele seguidor de Vinicius de Moraes, na frase memorável: “que me perdoem as feias, mas a beleza, é fundamental “ – Vinicius falou mesmo esta merda de frase? É verdade?

Para além mar – Na Inglaterra - uma escocesa, mulher feia (não fui eu quem criou os padrões), ridicularizada (por várias vezes segundo consta) consegue dobrar a nervura do real e sagra-se como “la voe” – colocando por terra a máxima de que o talento para as artes cênicas e musicais tenha de ser encontrado ou consagrado por belos rostos e corpos.

Não duvido que se crie no futuro um padrão de beleza para os pintores e pintoras e ainda para toda a classe de artistas plásticos.

É mesmo preciso estar atento e forte...

Dahí, e ainda durante um tudo ao mesmo agora, coloquei algumas peças de roupa na máquina de lavar...Ação simples e cotidiana...Para as donas de casa, que também devem achá-la, enfadonha, cansativa e tediosa...Eu...Apenas cumprindo uma necessidade casual...Busquei a atenção e a força do momento: afinal nunca houvera antes ligado uma máquina de lavar, nunca antes havia estado prostrado diante de uma máquina a esperar as horas de sua engenhosa maquinação lavatória, enxugatória, torcitória e liberatória...E neste tempo de espera, um loading de memória se confraterniza com os que se agregavam as horas de espera:
Ao assistir ao filme – Carga Explosiva 3 (Transporter 3 – com o grandalhão Jason Statham – pêra ahê...cês tão rindo de que? Quando foi que falei que soul intelectual? – pude ver um ataque nítido aos russos na citação do inspetor intelectual e confuso que segue a saga da série desde o primeiro episódio – ai ai ai - de que são eles um povo sem riso, tristes, lúgubres, malvados e infelizes, quando cita, Dostoievski, dizendo serem páginas e páginas de dor, sofrimento e solidão: “ meu deus quando é que esse povo rí?” ... E isto, somente, para não desdobrar o que é possível entender da onda criada e potencializada pela mocinha indefesa do filme, uma ucraniana, que rechaça com a veemência de um ofendido, o fato de ter sido confundida com uma russa: “nós sentimos e vemos o mundo com isto aqui (tocando com as mãos o coração)”.

Atento e forte ao feeling dos momentos...Sorri feliz, pelo carregamento de memória...Visto que é ela para mim uma riqueza que não possuo, e comprovo aqui este fato, pois enquanto escrevo, no esforço da lembrança do ontem...Uma névoa encobre a nitidez do vivido, pensado e sentido...Inveja grande do Sr Leslie, do filme Citizen Kane – ah ah ah !... me vinguei agora – quando visitado na clínica de idosos (Memorial Hospital) pelo repórter que investiga a origem e significado da última palavra proferida por Charles Foster Kane: “Rosebud”, diz ter uma memória invejável pois de nada se esquece:” Eu me recordo de absolutamente tudo jovem é a minha maldição...uma das maiores maldições infligidas ao homem: a memória”

E assim, entre lapsos de memória e insights vigorosos...Vou seguindo tentando prestar atenção a minha vida e a seu entorno em tom e nitidez maiores que o apresentado ao mundo pelos canais de mídia e informação e ainda pelos filmes: Os clássicos, os série B e os block busters...

É preciso, mesmo, estar atento e forte

Na Trilha sonora de Transporter 3/ Carga Explosiva 3 – que é bem bacana – rola um clássico: Hell is Around The Corner com a banda/projeto Trick – veja em youtube: http://www.youtube.com/watch?v=oCRIeBGXTTk

terça-feira, 2 de junho de 2009

ROSEBUD


Por todo o tempo vivido em trabalhos mal remunerados
Rosebud
Por todo o tempo de trabalho que me tornou um soldado
Um mal soldado, um mal estar ambulante...Um desesperado e bem pago soldado
Rosebud
Por toda tristeza que é ser só...Diante, entre, abraçado e aos risos com a multidão
Rosebud
Pelo fato de não ter conseguido até então entender os meandros, artifícios, desencontros, malefícios,
Malefícios,...
Desencantos em desencontros
E a sordidez
Do viver: rosebud

Rosebud
Rosebud
Rosebud

Seja lá o que isso significa

Rosebud
O caralho
O caralho a quatro
Rosebud

Por toda a tristeza e solidão do agora
Por todo o esquecimento do querer
Por tudo o que é ser
Por todo Hammelet que existe em mim
Por mim e ainda pelo sim
Talvez ainda pelo não
Pela falta de perdão
Por querer sempre a tua mão

Rosebud
Rosebud

Rosebud
Rosebud
...Rosebud
seja lá o que isso quer dizer

Uma peça entre o ser e o não ser
Quem sabe o ouro atrás de mesquinharias do não ser
O elo perdido entre o ser e o querer
A lágrima escondida e guardada em cheiros no travesseiro
O grito escondido por detrás dos cantos durante o banho
No banheiro
Ou um grito calado que infla o peito
Rosebud
Rosebud

Uma palavra qualquer ou qualquer jeito
De fazer abrir o peito
E em muitas palavras arquitetar um jeito
De chamar atenção
De se dizer poeta

Puto
Solitário
Profeta

Fazedor de poemas
Quem sabe escrevedor de texto que nem vale a pena ler
Um Sylvio Neto qualquer
Quase todo por assim dizer

Ser
De nervuras reais
Visceral , inquieto
Arquiteto e criador até onde sabe ser

Rosebud
Toque para mim
Meu esquema
Dilata
E Dias de Janeiro

Deixe que fique tocando o dia inteiro
O dia inteiro para minha alma
O dia inteiro para minha calma
E me deixe assim...A sonhar com os Bancos de Cor Laranja

Rosebud
Maldito salário de merda que não tenho
Impiedoso emprego pelo qual na busca me empenho
Inefável é a ardência de produzir poemas
Tal qual é o vigoroso embuste de meus dias em sarais
Calor de meus ais...paixão de meu dias
Ah ah ah ah!!!!!!!!!!
Bem que podiam me sustentar

Rosebud

terça-feira, 19 de maio de 2009

PETROBRAS E AFRO REGGAE: Gritos Que Ecoam Na Multidão



A cerca de dois meses estive em visita junto a duas amigas – A Arquiteta Priscila Pontes e a Acadêmica da Universidade de Liverpool Lucy Grant – ao Complexo do Cantagalo, que reúne a comunidade do Pavão, Pavãozinho e do Cantagalo.

Lá no alto da comunidade, encontramos um antigo hotel abandonado que foi encampado no governo Leonel Brizola, e virou Brizolão (na verdade funcionam ali três CIEP´s) e ainda um núcleo do Projeto Criança Esperança da Rede Globo/Unicef e ainda o núcleo Cantagalo do Afro Reggae – era dia do Circo – e como por lá rolam várias oficinas de circo (entre outras artes e uma academia de boxe e ainda uma rádio comunitária) para a molecada (que são contratadas para trabalho em circos em diversas partes do mundo, incluindo, o Circo de Soleil), fomos convidados, depois de agradável papo e explicações a cerca do funcionamento do núcleo, a assistir, a apresentação dos alunos.

Perguntei a uma das Coordenadoras do Núcleo: - por que com toda a visibilidade do AfroReggae, e ainda, pelo fato de ser hoje dia do circo não há uma câmera sequer de fotografia e/ou de vídeo dos jornais e televisões aqui?
Ao que responde ela: Sylvio, a eles (imprensa) só interessa mostrar o que há de pior aqui...Se hoje estivesse acontecendo aqui, um tiroteio, um confronto, a paisagem limpa que você vê, estaria poluída com um número enorme de helicópteros, jornalistas e a policia...Mostrar o que a favela produz de bom não dá audiência...

A apresentação foi algo de muito lindo...Não é possível ter idéia sem presenciar a qualidade da apresentação, e portanto, da formação daqueles jovens...Imagino aquela comunidade invadida com um grande choque de educação, saúde, cultura, arte e lazer.

Mudando de alhos para bugalhos e tentando ainda costurar uma tese crônica:

Que a Petrobrás nos deve explicações a cerca de suspeições em sua administração não há dúvida;
Que seus documentos fiscais devem ser divulgados no site transparência zero é um mínimo de exigência a ser feito

Mas

Usar a potência do momento que a empresa atravessa, jogando-a, de forma tresloucada a voracidade insana de um Congresso Nacional, maculado, prejudicado, sangrando muito, quase aos pés da cruz é muito zelo e irresponsabilidade...Para salvar a imagem desconstruída a cada dia, por ações irresponsáveis de nossos senadores e deputados, joga-se aos desencontros da imprensa comprometida brasileira que tritura e vende nas praças brasileiras tal churrasquinho de gato a grande Petrobrás.

O que me impressiona é a forma como a transação toda é feita e construída, e o despreparo meu e da sociedade brasileira, para degustar o fato tal como ele é posto a mesa ou a praça ou a margem da rua...É impressionante.

Tal qual a cena, e circunstância, que vivi junto as minhas engajadas e atentas amigas no Complexo do Cantagalo, acontece em outras dimensões com a Petrobrás...Não é vantajoso a necessidade de IBOPE das emissoras de tv e ainda aos números de venda de jornais divulgar a ação magistral, sensacional e mágica de um trabalho tão difícil quanto o que realizam os artístas oficineiros, as profissionais da área de Assistência Social e Psicologia, as Cozinheiras, os Coordenadores e enfim todos que ali devotam tempo de vida para acordar a sociedade de que é possível fazer uma máquina emperrada funcionar tanto quanto não é interessante a imprensa comprometida e aos parlamentares da oposição vislumbrar tamanha conjuntura de sucesso na condução problemática da Nação brasileira, esta mesma, em que apoio meus pés e que vejo crescer meu filho e sobrinhos...

Para impor uma existência que não tem produzido repercussão alguma que não sejam as vergonhosas atitudes que a imprensa não nos tem poupado a cada dia – e ainda bem que existe ainda, dentro deste quarto poder, alguma sanidade, seriedade e ética – dilui-se a importância daquela que é e sempre será o orgulho nacional

E por favor não me vejam pelo teor deste post, como um ufanista do governo ou da Petrobrás...Soul não...Só que não há como ficar calado diante desta mequetrefica manobra.