sábado, 28 de fevereiro de 2009

O CANAVAL A SEGURANÇA PÚBLICA E A CONTRAVENÇÃO






INDICAÇÃO DE LEITURA DIRIGIDA SOBRE O CARNAVAL FEITA EM PLENO CARNAVAL. (Parte 2)


No mesmo O Globo de domingo 22/02, parte Rio, página 11, Sérgio Ramalho faz um tour sobre a mais demagógica das circunstâncias: Agentes da Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro trabalham para os contraventores do jogo do bicho e fazem a segurança do carnaval buscando em um segundo turno de trabalho - o bico - o merecido salário digno.

A verdade é que Sérgio não descobre a pólvora em sua matéria. Apenas explicita, dando murro em ponta de faca (assim como eu), uma circunstância conhecida de “todos’ os cidadãos deste país, incluindo-se as autoridades do establishment da Segurança Pública, do politboureau do Poder Executivo, Legislativo e Judiciário do Estado e do Governo Federal.

Não haveria carnaval sem a interferência do mecenato (e em conseqüência, da administração) dos patronos do jogo do bicho carioca. È clara também a inferência do tráfico. Nenhuma escola desfilaria com o brilho e a grandiosidade no sambódromo somente com a subvenção da RIOTUR. O Rio de Janeiro tem um carnaval milionário, muitos mecenas e entre eles alguns que a lei observa com reservas.

A cada dia que passa eu admiro mais a clareza das declarações de Hélio Luz no ducumentário Noticias de Uma Guerra Particular de Kátia Lund e João Moreira Salles (http://wwww.youtube.com/watch?y=K9TS_N2ybZ4)

A imprensa costuma denunciar, anunciar e rotular a existência do jogo do bicho como sendo apenas a ponta de um grande iceberg que traz junto consigo o tráfico, o contrabando, a exploração da prostituição e mais uma dezena de delitos e sei lá mais o que...Eu como não sou policial e nem convivo com eles, não sou jornalista alcagüete que se infiltra entre os facínoras para fotografá-los, gravá-los e incitá-los a me cortar todo com uma espada ou a queimar-me em um barril cheio de gasolina ou ainda entre pneus velhos quando descoberto por conta de um prêmio Pulitzer ou similar brasileiro, afirmo, as autoridades são de uma demagogia extrema e nós cidadãos também, pois primeiro condenamos intimamente e também em conversa, em vontade e sede de justiça tais agentes e ações e depois vamos ao espetáculo do samba louvar o show produzido por quem condenamos.

Demagogia maior só no seio e ações dos protestantes e católicos, que fazem a evangelização, pedindo e tomando o pão do cristão, ao invés de, dar o pão junto ao vinho e a palavra.

Todas as autoridades brasileiras sabem e ninguém fala nada, impede ou reclama. E ainda bem. Imagine o Rio sem Carnaval, sem samba, sem Escola de Samba e sem desfile.
Sem a beleza e o espetáculo que são as cores, o brilho, a nudez, a plasticidade, a criatividade em movimento que tal qual um caleidoscópio dobra-se e desdobra-se em múltiplas evoluções de esculturas vivas, de quadros animados e que ainda é a tradição lida e relida de forma absolutamente surreal, lúdica e encantadora.

Este texto não é uma Ode aos que estão as margens...Mas um enxugar de gelo...Um soco na parede...Um murro em ponta de faca...Sobre uma indecisão minha, tua e de todo um bloco de passistas, banqueiros, empresários, artistas, políticos, batuqueiros e Joãos ninguém que envergonharia Aristóteles em sua Ética a Nicômaco.

Agradeço a clareza com que Sérgio Ramalho e Carla Rocha expõem o fato...Não simplesmente buscando fazer denúncia, mas provocando, incitando e sacudindo o homo (nom) sapiens brasileiro a pensar.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

MAURINHO: OCrocodilo Dundee de GUAPIMIRIM


Maurinho, o caseiro do sítio que me chama de tio e a meu irmão de pai (vixe, até ele acha que meu irmão é mais velho que eu, o primogênito, das proles de Íris e Jurema ) - portanto muito mais que um caseiro um cosanguíneo, um parceiro, um filho, um sobrinho - tem lá seus desvarios, viagens e causos a contar.

Já há algum tempo, conhecemos a surucucu de fogo, uma cobra que comete suicídio jogando-se ao fogo. Essa tal cobra é colorida como o fogo e se atrai ou irrita com ele, isso naum ficou bem claro. Quando ataca torna-se um círculo e vem rolando como uma roda incandescente...Não me perguntem se com a língua para fora ou fazendo caras e bocas...O que é fato é ela é assim e ataca assim...Para não causar desgosto a Maurinho a gente ri, sacaneia, faz teatrinho, mas não vai além disto.

Certa feita, resolvi vir para o sítio só...Queria pensar...Escrever...Jogar game...Olhar as coisas daqui, conversar com Maurinho e seus amigos...Com o “Moringa’ que é seu pai de sangue...Beber cair e levantar no bar caverna da dona Zú, no de dona Lúcia e no mercadinho do Seu Geraldo (o dois irmãos) “a cerveja mais gelada de Guapi”, segundo seu slogan...E acabei correndo louco, louco para o sítio de Seu Júlio, não sem pular o muro que separa os dois sítios e pisotear toda a sua plantação de pimentas e feijão por conta de um jacaré o que o doido havia capturado ao tentar entrar no lago do sítio.

Por aqui aparecem muitos jacarés, nas lagoas formadas pelas chuvas nas grandes temporadas e nos brejos criados a mão pela mãe natureza...Maurinho nada entre eles, pois segundo ele, os jacarés não abrem a boca dentro d´agua...Brinca, captura, protege, come...

O Crocodilo Dundee de Guapi, professor de capoeira conhecido como Mestre Motinha na última vez que aqui estive (duas semanas antes do carnaval) disse que a crina do cavalo imersa em água vira cobra...Diante do escândalo de risos e troças de seu pai – meu irmão - químico e farmacêutico pesquisador e de seu tio – eu – caçador de histórias, resolveu provar...Matar a cobra e mostrar o pau...Arrancar a crina e mostrar a cobra...bem.. hoje, quarta de cinzas a tal cobra não apareceu ainda na água gosmenta e escurecida de onde sahíria para a vida...

A última foi disparada no sábado de carnaval...A goiabeira quando molhada pela chuva e na presença de uma cagadinha de passarinho em algum galho muito velho seu, imita a máxima de Franz Kafka em Metamorfose e faz nascer ali um bicho pau...

Se você começar a rir Maurinho vai ficar deprimido e naum vai terminar o seu maravilhoso “ice’ , uma mistura de cachaça, limão, gelo e água...Que depois do “cú de burro’ é a melhor química que sai de suas calejadas mãos.

CU DE BURRO: cachaça mais suco de limão galego com sal...se tomou o suquinho salgado e paulou a cachaça pra dentro...estará a um passo do descompasso.

TED BOY, A REPORTAGEM CRÔNICA DE RODRIGO FONSECA E MINHAS LEMBRANÇAS DE MENINO




O jornalista, Rodrigo Fonseca, do jornal O Globo, na edição de domingo de carnaval, 22 de fevereiro de 2009, faz uma matéria homenagem, que gostei muito, pois que, até na crítica que insere na matéria/crônica sugere carinho e poesia.

A crítica, vem dos pigarros gerados pelo fumante atleta aposentado. Destaco aqui, uma pequena parte do texto que não consegue e nem pretende demonstrar o todo, mas é muito bonita: “(...) o copo que entorna não aplaca sua tosse.Ela fica na garganta, no mesmo lugar onde sobe e desce um refluxo de saudades contidas. Aquele bolo que dá no peito de quem viveu muito e hoje passa as tardes com “Vale a Pena Ver de Novo” ligado na tv. A lembrar...(...)”.

Noves fora, as lembranças do próprio Ted Boy e as que rebusca Rodrigo, surgiram as minhas, as de meu irmão e as dos amigos que compartilhavam o ambiente e a leitura do mesmo jornal naquele domingão ensolarado em que minha cabeça mal continha a quantidade de acontecimentos evoluindo a minha volta (céu, nuvens, sol, arvores, pássaros, pipas, as crianças na piscina, a piscina, os guarda sóis coloridos, o papo animado sob os guarda sóis, meus cuidados com a costela assando no bafo, a cerveja gelada, a leitura, as intervenções divertidas, os banhos no chuveirão, os mergulhos de barriga na piscina, a seleção de músicas, marchinhas antigas de carnaval que fiz rolar para naum sahir totalmente da real e sei lá mais o que..) .

Lembramos dos tempos do programa Telecatch, do Verdugo, do El Chasque, aquele covarde que passava limão nos olhos dos outros, da Múmia, do Mongol (caraca ele era muito ruim)...Das tesouras voadoras e escrachos do Telecatch viajamos, para as aparições de Ted em outros programas, principalmente nos trapalhões (não conseguimos chegar a conclusão de um referendo que ficou no ar, o programa Os Trapalhões ficou ultrapassado e perdeu a graça ou nós é que envelhecemos e vemos graça em outras coisas?)...Eu e meu irmão lembramos de quando o Ted apareceu em nosso bairro fazendo as honras de um circo, da emoção de estar vendo ao vivo e alí em nossa Areia Branca um artista por nós admirado...Tudo graças ao mergulho de Rogério nesta matéria graciosa.

Tomara, que esta matéria naum tenha sido uma exceção na carreira de Rogério Fonseca, pois eu ficaria muito infeliz de ter revivido momentos impagáveis de minha memória por conta e provocação de um jornalista babaca, aqueles do tipo denuncistas, mentirosos, arrogantes e escrotos.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

PRESTOR; O Dinamite Pan Galáctico


A nova aparência do Blogg do Sylvio Neto tem um responsável. E ele é o meu amigo Prestor. Um garoto que conheci a alguns anos atrás quando eu ainda era vocalista da Banda Baixada Super 8 (BS 8). Sempre de preto. Estiloso. Bom papo. Bom camarada. Articulado e articulador. Musico. Blogueiro. Colado com uma galera mais up de Duque de Caxias que é aquela que se articula no Lira de Ouro.

A galera que se articula na arte e na cultura, lá pras bandas de Duque de Caxias, a galera que articula a política cultural no Lira de Ouro e a galera do Bistrô Conexão Brasil tem a sua visibilidade exposta na arquitetura gráfica deste mancebo de riso fácil e que se deixa levar pelas historinhas contadas pelos pobres amigos engajados na arte do fazer cultural para girar sua criatividade para o campo largo da solidariedade, fazendo da arte que lhe deveria dar de comer e vestir e descansar uma estrovenga giratória que a todos atende e a todo lugar atinge.

Alguns cabras da vizinha Duque de Caxias, também se beneficiam desta benevolência artística de enorme simpatia (muito ao contrário dos camisas pretas comuns), pois que aquí em Belford Roxo, pode ser vista ainda sua arte nos cartazes e flys do Sarau Poesia Na Cãmara, que além de serem distribuídos de mão em mão, são também largamente difundidos na net (orkut e email)

Experimentem chegar na Dinamite Pan Galáctica do Prestor ((http://www.prestor.wordpress.com/). De cara você fica envolvido no universo que este maluco beleza cria...O ambiente é plenamente dark, tal qual suas camisas (lembra um pouco aquele puto poeta puto que é também amigo do Prestor: Mr Tubarão)...Sobre o negro fundo, inserções coloridas de pinturas, fotos gravura com tratamento gráfico que nos encolhe antes de acolhe...É uma experiencia bastante instigante viajar pelas trilhas e ruelas alí impostas e exposta a gritar por uma atenção.


No Blog, Prestor experimenta de tudo um pouco, dá seus ares de cronista, jornalista, poeta, musico e devasso lamentador da rara inspiração momentânea é claro...

Este post é uma ode, uma homenagem simples mas sincera deste poeta ao cara que dá a imagem aos nossos empreendimentos artístico culturais...
Vida longa a você meu velho...Vida longa a você parceiro...Vida longa, vida longa, vida longa

Por saber de tuas mãos
Seguras ferramentas
Por saber de teus lampejos
E idéias perfeitos desejos
É que te entrego
Sem rodeios
Meus tortuosos
Esquemas
Sonhos projetos
De pequenos temas
Que vamos dando vida

Que vamos vendo nascer
Que vamos vendo florir

É por saber de tua generosa
Criatividade
Que jamais comparei
A minha e a tua idade
Pois que no campo de batalha
Do devir cultural
Esta paisagem insana
Apenas vive no cronograma
E jamais no ir e vir

É por isso que vamos vendo
Tudo acontecer, tudo explodir
Tudo no mais perfeito carpir
E ainda sempre fora do lugar
Pois que não há lugar algum
Para por nossa criatividade
Que não seja
No seio, peito, coração
De cada um...

DIA TRISTE PARA A DEMOCRACIA LATINO AMERICANA




Muito triste para a democracia da América do Sul, acordar nesta linda sexta feira de sol brilhante e com luzes de carnaval, sabendo que Hugo Chavez, promulgou promulgou ontem a emenda constitucional para a reeleição ilimitada, que lhe permitirá, concorrer novamente ao cargo em 2012.

Mesmo aprovado em referendo popular, que com cerca 54% dos votos, deu vitória as intenções de perpetuação no poder do presidente venezuelano Hugo Chaves, suas próprias declarações já tornam a medida e a circunstância um tanto maquiavélicas demais.

No post do Yahoo é possível ler: "Estou pronto para continuar comandando a 'revolução' de 2009 a 2019, pelo menos, se essa for a vontade do povo".

Se a moda pegar, a América Latina volta a época das ditaduras, só que desta vez disfarçada com o respaldo popular...A democracia presume ao menos alguma porosidade, alguma leveza, algum tempo e troca entre os poderes e lideranças políticas...Assim é que se busca e consegue o consenso e a melhora da condição política, ecônomica, social e histórica de uma nação.

Diante do exemplo norte americano, que venceu um preconceito histórico e avançou por sobre a política armamentista, fraudulenta, fascista, ligada ao terror branco e que trouxe ao mundo severa crise ética e moral reinventando uma maneira de fazer o mal e oprimir de George Walker Bush, elegendo o negro Barak Obama...Nós sul americanos vamos fazendo vergonha com esta iniciativa.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

APENAS UM PINGO NO I EM VIII CAPÍTULOS

Enrolei-me todo neste dia pequeno e chuvoso...Então vou postar um texto que é enorme, mas eu o considero bem bacana...É de 2005...E está publicado em um sítio que andei postando www.recantodasletras/autores/sylvioneto

APENAS UM PINGO NO I EM VIII CAPÍTULOS
I

“O forte deve proteger o fraco”
Antoine Fucua – diretor de Lágrimas do Sol“


Para que o mal triunfeBasta que o bom, nãoFaça nada”
Thomas Burke


Com cidadãos de determinada etnia, povo refugiado - fugido, corrido em êxodo, espantado pelo processo de limpeza étnica em curso na Nigéria - na fronteira Nigéria/Camarões, dançando e cantando loas em volta do filho sobrevivente da família presidencial, brutalmente assassinada, o consangüíneo herdeiro do trono – Arthur Azuka. E os heróis americanos, seguindo, em helicópteros para suas bases, embalados por música étnica africana de extrema elegia e comoção, termina o filme “Tears of the Sun” – em bom português Lágrimas do Sol.Não acaba o filme sem o reforço da frase:“Para que o mal triunfeBasta que o bom, nãoFaça nada”Thomas BurkeA “coisa” é esta, deixando para trás o pretexto “A América para os americanos”, insensíveis heróis de guerra – SEAL’s - tornam-se sensíveis ante a animalesco e selvagem extermínio unilateral de uma etnia nigeriana pela cobiça do poder. Genocídio com a beleza, plasticidade e tecnologia hollywoodiana. Um espetáculo. Eu, chorei...E como não chorar? Por “tudo” o que esteve ali explicito, chorar foi o mínimo que pude fazer.Ter que aturar o algoz fazendo caras de herói é de fazer chorar e muito. Um filme com a absoluta prepotência norte americana, fundamentado é claro no velho e idiota conceito do Pan Americanismo. O filme é dirigido pelo excelente diretor negro, Antoine Fucua.Assisti novamente a este filme ontem (18 jun 05), um dia após ter assistido ao Falcão, do Rappa, expressar-se ironicamente em show da V Expo Iguaçu, na Rio Sampa/N.Iguaçu: Falcão dividiu o palco em duas porções imaginárias e, atribuiu um lado as “bandinhas, moedinhas americanas” e o outro a Bandas Brasileiras. Falcão sabe bem do mal que existe na presença, força e mensalão do mundo fonográfico – ali conhecido como jabá. Falcão sabe também da influência contida na imagem, postura e até no discurso de tais “moedinhas, bandinhas americanas”, apesar de ser certo, que a maioria dos ouvintes, fãs e tietes de tais moedinhas, sequer entendem, o que é dito. Valeu a ironia pelo fato de representar desagravo não somente as bandinhas, mas a seus representantes diretos, as gravadoras, transnacionais que conseguem modificar o modus vivendus e operandus dos agentes de comunicação de massa nacionais – mídia eletrônica e impressa – leia-se rádios, tv’s, jornais e revistas, como também o comportamento pessoal, de arranjos e temáticas das bandas daqui.Eu, não ouço somente música brasileira e quando a ouço, muito do que ouço está contido de influência estrangeira: O Rappa é um grande exemplo disto. Coisas dos mundos do Sul, coisas de ex-colônia (ex?). Coisas da invasão cultural. Coisa da globalização e do imperialismo, estética vilã que nos assoberba.


II

A Gênese do Mal


“Deus já abandonou a África”
Ten. Waters –BRUCE WILLIS/ Lágrimas do Sol

A Declaração da Independência, primeiro passo para consolidar as guerras pela independência promovidas pelas treze colônias americanas, o alargamento das fronteiras territoriais e a expansão para o Oeste, Secessão de 1861 a 1865, depois um Pacto Federativo com força suficiente para dar potência a cada unidade da federação, pronto, estava consolidado o Estado Nacional Norte Americano, os Estados Unidos da América, daí, depois da Doutrina Monroe com “A América para os americanos”, uma questão geopolítica advinda do pensamento de Mahan, vieram a emenda Platt, o Big SticK – o grande porrete sobre a América Latina – as zonas de controle perpétuo e muitas outras ações de coerção e de caráter imperial.Ações que em conjunto a outras criaram a nação mais poderosa do mund
III

O Nascimento das Diferenças


“A felicidade é um estado de espírito; por conseguinte, não pode ser duradoura. É um nome abstrato composto de algumas idéias de prazer”
Voltaire

Da implantação de entrepostos comerciais, passando pelas grandes navegações e “descobertas”, até a consolidação de colônias ultramarinas, a Europa viu passar algum tempo, como profetizara Camões. Muita riqueza passou por suas naus, caravelas, mapas e documentos, hoje históricos, guardados e reservados a museus e arquivos nacionais, na América e em solo diversificado do território Europeu.Ásia, África e América, conflitos com populações locais, batalhas incontáveis, escravidão e pobreza, riqueza e nobreza. Das plantations nas Américas até a Revolução Industrial, passando pela Revolução Francesa e a famigerada necessidade de mais matéria prima e da conquista de mais mercados consumidores: mais conflitos com populações locais, batalhas incontáveis, escravidão e pobreza, riqueza e nobreza.O Tratado de Versailhes, segurou essa onda em conjunto com o desmembramento do monstro, o Império Austro-Húngaro, através do Tratado de Saint-Germain e do surgimento de novos Estados (Polônia, Tchecoslováquia, Hungria e Iugoslávia).Nos anos 40, mais um monstro havia crescido bastante e avançava...Era a Alemanha de Hitler. A Europa penou e pagou caro, ficou física, econômica, política e socialmente arrasada. Depois de Yalta e Potsdam, os companheiros aí de cima os E.U.A, deram uma mãozinha com o Plano Marshal. Uma injeção de capital da ordem de 13 bilhões de dólares foi o ânimo necessário para fazer com que os europeus se lembrassem da Paz de Westfallia. Primeiro veio a Benelux, daí a reunião em Maastricht em 91 e a constituição da U.E foram cerca de 47 anos de prosperidade e domínio, que estará consolidado se o bloco não rachar diante do NÃO francês e holandês, contra a Constituição Comum.Amiga de Areia Branca, hoje com cidadania francesa, casada, com filho e morando lá, afirma provocada por mim em e-mail recente, que o NÃO é um voto contra a possível entrada da Turquia no bloco: “Aquele país seria a porta de entrada para os loucos terroristas com aquela religião, que mata e come pessoas de outras religiões e ainda submete as suas mulheres a castigos físicos e outras atrocidades”, do tamanho das cometidas pelos nigerianos do filme citado acima.


IV

Crime e Castigo – A Esperança e o Golpe

“Ou você está vivo e orgulhoso ou você está morto.E quando está morto não se incomoda com nada”
Steve Biko


O demilecinco de Tom Zé (Jornal do Brasil, caderno B, 02 de Jan 05) é um ano muito importante para o mundo: Ano de Cervantes, 60 anos do fim da 2º G. M e também dos malditos campos de concentração do holocausto (os judeus israelenses deveriam pensar nisto todo o dia e parar de foder os palestinos) e toda sorte de perseguições e atrocidades cometidas pelos porcos nazistas alemãs, Aniversário de 60 anos de Bob Marley (morto faz aniversário?), Ano do Brasil na França e ainda rola um ventinho de lembrança das comemorações por Getúlio e o Golpe Militar.O dois mil e cinco dos brasileiros comuns tem um novo golpe, um golpe branco, sem armas de porte, parecido com o de Lacerda contra Getúlio.O dois mil e cinco daqueles que como eu tem carteirinha de filiação partidária com o partido da estrela, aquele que elegeu o Dom Quixote, o engenhoso fidalgo de La Mancha, para lutar, patético, sonhador, guerreiro e homem, contra os moinhos do campo desértico da realidade da elite intransigente do Brasil, o insistente Lula do PT, é de vergonha, o que é que eu vou fazer com esta carteirinha? – NÃO VOU NÃO – Isto eu não faço, bundinha que mamãe botou a mão não é lugar para isto. Como olhar para os amigos e inimigos advindos das discussões acaloradas?


V

Terra de Filhos da Puta


“A história não é mais que uma seqüência de crimes e de desgraças”
O Ingênuo/ Voltaire

No show do Rappa, já comentado acima, um outro episódio foi marcante: Quando minhas pernas já doíam além do que seria agradável e ainda além do que aprendi a suportar (nos amargos tempos de Terceiro Sargento de Infantaria do Regimento Sampaio), Falcão surge com mais um discurso em meio ao ataque visual de imagens que irrompiam dos telões convergentes ao som hipnótico, indecifrável e lisérgico - hardcore – Falou ele, sobre os filhos da puta que gravitam na vida pública brasileira. Sobre os filhos da puta que habitam o Congresso Nacional. Sobre os filhos da puta que promovem um golpe no Brasil a custa da pobreza, fome, sede e violência que aqui reina, sobre os filhos da puta que me traíram e também a muitos que otários estão filiados a um bom número de anos. Falou enfim sobre os filhos da puta filhos da puta, que são uns filhos da puta...da pobre e coitada puta, que também deve ser uma boa filha da puta e novamente coitada.


VI

A Favela Chic

“Na verdade nunca, jamais, em nosso passado histórico, tivemos ao alcance de nossas mãos tantos utensílios e ingredientes para o preparo da mais deliciosa refeição para a felicidade de todos os homens. Mas o que cozinhamos é um angu de caroço infernal. Sobra-nos poder.Falta-nos sabedoria.”
Rubem Alves – Conversas Com Quem Gosta de Ensinar, pg131


O ano de Cervantes, é mundial. Acredito que deva haver culturas que não absorveram tal literatura. Poucas com certeza. Se quase todas as culturas do mundo consomem Paulo Coelho, é impossível que um número distante do nulo, rejeite a Cervantes. Mas...sabe-se lá!!O que é fato é que as esperanças em melhora e boa vontade, este ano, de forma simbólica podem estar mais fortalecidas, pois do grego, simbolus é o que junta, agrega, une...Apesar da xenofobia de minha amiga brasileira na França (engraçado, pensei que as grandes metrópoles dessem ao ser humano a grande noção do cosmopolitismo universalista com todas as liberdades que ele contém – principalmente a nós brasileiros e belforroxenses) e também da dos franceses e holandeses que com certeza estão se vingando dos desgovernos que os leva a miséria do desemprego, do aumento de impostos e das crises econômico-sociais (nada comparada a que se pode ver no bairro Sta Thereza , aqui em Belford Roxo), precisam eles, os Europeus de lembrar de Westfallia, de Hugo Grotius e principalmente de Thomas Hobbes e o Leviatã. Devem lembrar do mal contido naquelas páginas e naqueles anos de guerras contra pares, primos e irmãos. Devem correr a trocá-lo nas livrarias por Don Quixote, pois que, tudo que se fragmenta vira diabolos, do grego, desagregar.Agregados os jamaicanos, seguiram Bob Marley, junto aos seus ensinamentos e pregações que “invadiriam o mundo como as ondas do mar invadem a praia”, através da música Reggae. Enlevo para o povo negro, enlevo para a dança, para a alegria – Música - prova de que é possível chegar lá , é possível sair do gueto e da favela (mesmo que, como afirma Mano Brown, sempre a carreguemos dentro de nós).


VII

Além do Texto


“Êcrassez l’ínfâme (Esmagai o Infame)”.
Voltaire

Como ir além deste texto?Como unir as arestas, pontas e idéias que puderam surgir ao longo deste discurso escrito?Temos aqui a esperança quixotesca embalada pela música reggae jamaicana e a brutalidade humana expressa na prepotência de SER solução , enquanto que É a causa. Temos a própria solução em fato verdade, surgida da esperança e um ranço histórico de amplo espectro, uma herança de destruição e ódio gerida e parida pela ganância e pelo colonialismo, repetida pelo neocolonialismo e vai amontoando-se na globalização e no neoliberalismo: “O Estado contemporâneo foi uma criação da civilização européia”, “Nos séculos XIX e XX, o neocolonialismo europeu - deflagrado pela Revolução Industrial – traçou fronteiras políticas na Ásia e na África”, “De 1876 a 1915, aproximadamente um quarto da superfície do planeta foi distribuído entre um pequeno número de .potências industriais. A parte de cada uma delas na dominação dos territórios e mercados do mundo foi determinada pela sua força naval, militar e econômica: Assim a Grã-Bretanha, França, Estados Unidos, Bélgica e Holanda, nesta ordem* seguidas das recém formados nações Itália e Alemanha e das lendárias e épicas* Portugal e Espanha”. (A Nova Geografia – Estudos de Geografia Geral, Demétrio Magnoli e Regina Araújo – ed. Moderna, pgs.44 e 45/* do autor).Afinal e então quem criou as duras tragédias sociais, econômicas e políticas no mundo Africano, principalmente na África subsaariana? Quem sangra como porco ou galinha o povo africano? A realidade dos Estados e fronteiras da Africa, é africana? Ou uma exportação da Europa e América, uma herança maldita da maldita colonização?A integração espacial dos negros norte-americanos está consolidada?Os negros entraram naquele império a contra gosto e pela porta dos fundos, Maryland e Virginia, foram essa porta. Hoje são cerca de 12% da população daquele país – a 13º , 14º e 15º emendas, deram direitos que somados a outros e outros, levaram Collin Powell, Condollessa e outros “bons americanos negros”, a linha de frente do poder nos Estados Unidos – Estão eles lá a fazer para os negros, o que está a fazer aqui Pelé – Merda nenhuma!!E o negro Antoine Fucua – diretor de Lágrimas do Sol, ainda diz: “O forte deve proteger o fraco”. Na terra do Self Made Man e do Do It Yourself? Hu, hum!!Eparrê Misinfim!!Já ouviram falar, na Law Jim Crow? Lei do Zé Urubu, antigo conjunto de leis segregacionistas americanas, que já não existem mais. Apesar das políticas positivas em favor das minorias étnicas, lá tanto quanto aqui, na África e Europa os maiores índices de desemprego estão entre os negros, a região mais pobre dos Estados Unidos está no velho Sul, região com passado marcado pela escravidão: Martin Luther King, Malcom X, Mohammad Ali, James Brown, Mike Tyson, Michel Jackson...Quem será a próxima vítima??????“Não é com ódio que se mata, mas com o riso...De toda a verdade que não é acompanhada por um riso,Pelo menos deveríamos dizer que é falsa” NietzscheQuem não cuida de seus negros vai cuidar dos negros do outro???E para quem não cuida de seus filhos e de seu povo? Devo indicar o show do Rappa ou um passeio na Nigéria, de Lágrimas do Sol, com direito a ter o queixo decepado por facão para que não possa mais falar, o que não pode ou não quer cumprir??E minha carteirinha??Engrosso o caldo com o PT ou me alinho às fileiras da militância para repudiar o golpe em um desagravo afinado??Seriam Roberto Argh Jéferson e Zé Dirceu farinhas do mesmo saco? Ou ainda chega a ser melhor Jéferson, pois que a sua história, não lhe nega a imoralidade ato contínuo e contrário ao nobre “companheiro”, militante antigo e de longas guerrilhas? E Zé Genoíno, é mesmo genuíno ou aquele ficou lá no Chambioá?Ou terei ficado, eu mesmo, realmente um esdrúxulo prolixo, maluco e doente pois que, juntar “Lágrimas do Sol”, O Rappa, A formação da Estética Imperialista Vilã dos E.U.A e da U.E, O Importante ano de 2005 – com suas nuances especificadas, O Caso e o Descaso com a Negrada Norte Americana, e dos diversos países da África Negra (cada um é um com diferenças a dar com o pau) buscando formular uma estética do colonialismo contemporâneo que circula pelas vias culturais, que privilegiadas pelo processo de circulação de mercados, mercadorias e fluxos de capital tem determinado quais seguimentos do pensamento devem, podem e precisam ser seguidos em detrimento do olhar necessário, sugerido por Cervantes ou por Bob Marley e até mesmo bravamente panfletado por Marcelo Falcão?


VIII

Durante todo esse tempo, não me escapou um sorriso que não me parecesse um crime
Voltaire sobre o caso La Barre

Impõem-se a saída e o abandono do possível que existe na esperança e na fé que se encontra sem o sacrifício do intelecto, fora da religião e, que está sob o teto do concreto, para dar vida a fixidez do impossível, do desespero residente nas ações extremadas, que vão de encontro ao humanitarismo, querendo fazê-lo vivo sob outras óticas e ideologias. É esse espetáculo de fé e sacrifícios que encontraram “alguns daqueles homens loucos e barbudos do Islã” , que reclama e alfineta no voto NÃO, minha amiga franco-brasileira. Na África, diversos países já são casulos desse mal. Também na América Latina o espetáculo do mal tomou lugar. Na América do Sul a antiga América Espanhola, vários países desabam lares e homens sob as ações do extremado terrorismo. E o Brasil...?Daquele lado, bandinhas, bundas-moedinhas americanas...Deste lado Bandas brasileiras.Daquele lado ideologias neoliberopuritanas de texturas xenófobo-eugênicasDeste lado frevo, maracatu, samba e liberdadeDaquele lado a bancada de Filhos da Puta do Roberto Argh Jefferson, do Mensalão, do escândalo dos correios, da empresa de resseguros(...) e dos Filhos da Puta no PT e do BrasilDeste lado meu filho, seu filho, nossos filhos e o futuro do Brasil“Esmaguemos os fanáticos e patifes, suas hipócritas declamações, seus miseráveis sofismas, a história mentirosa, o amontoado de absurdos. Não permitamos que os possuidores de inteligência sejam dominados pelos que não têm – e a geração futura nos deverá a razão e a liberdade”.“Êcrassez l’ínfâme (Esmagai o Infame)”.Voltaire


Publicado no Recanto das Letras em 21/06/2005Código do texto: T26659

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

POESIA NA CÂMARA - POESIA SEMPRE

Hoje, estive na Câmara Municipal de Belford Roxo, para tratar de assuntos referentes ao Sarau Poesia Na Câmara.
A Câmara, que está com ares de igreja, não por conta de rezas ou orações, mas por conta do grande número de pessoas que por lá circulavam aos lotes, para solicitar, alguma coisa.
Parece até, aquela história medieval, de que colonos pagãos, por estarem a sofrer de escrufulo (manchas e feridas em erupção na pele durante o período da peste negra) e, que por conta deste fato, corriam a serem tocados pelo rei, que detinha o poder de curá-los, por conta de seu poder atemporal, com o tal toque.
E eles faziam esta peregrinação duas vezes por ano...De forma incessante...Mostrando assim, que o rei, a ninguém curava...Mas sim, alimentava a esperança e a fé do milagre...Alimentava a certeza da necessidade do milagre.

Não fora a primeira vez que entrava na Câmara Municipal de Belford Roxo. No ano passado por conta dos acertos para a realização do Sarau Poesia Na Câmara, e ainda, da própria realização do evento, tive o prazer de lá estar várias vezes. Este ano, eu já havia estado por lá, ao menos uma dúzia de vezes, tentando falar com o diretor geral da casa, o Sr. Flávio, sem sucesso – início de legislatura e governo – muito a ser feito em pouco tempo...Sempre entendi a situação o que não me impedia o muxoxo.

De cara a CMBR impacta. Não por conta de algum luxo ou beleza, mas sim, por ser o centro do poder em Belford Roxo. Entre o impacto da chegada e o alívio do ar condicionado central...Super fresco...Surge o atendimento, super hiper personal, do agente Vital, que camarada educado meu...Revezando o atendimento telefônico e o de visitantes com um companheiro seu (não lembro o nome) e ainda com o bródi das antigas e motociclista do Motoclube Cowboys do Asfalto, Maurício Piu...A coisa ali flui de forma muito bacana.

Quem conhece este maldito poeta sabe que ele, o Duílio Egon (Pastor da Rebeldia), segundo Renato Aranha, não fica a rasgar seda por demagogia ou interesse pessoal.

Após tantas idas e vinda infrutíferas...Hoje...O trato foi especial...Atendido pelo diretor administrativo Dr. Fabiano e ciceroneado por Maurício Piu...Na recepção mesmo eu abri o notebook e explanei ao diretor, atento, o que é o Sarau Poesia Na Câmara e mostrei em fotos o que foi o projeto no ano passado...

O diretor comprou a idéia e comentou da importância institucional deste projeto cultural. Em suas próprias palavras falou das marcas culturais que várias Cidades do Rio de Janeiro tem, citou inclusive algumas da Baixada e lamentou não ter Belford Roxo, nada que o caracterize e que seja uma marca da Cidade.
EU, poderia ter feito ali uma intervenção e citar o reggae. Dizer que Belford Roxo é a Cidade do reggae...Mas pergunto: Ainda é? O movimento se mantém ao nível de poder alguém dizer, Belford Roxo, é a Cidade do reggae?
Não. Infelizmente não. Não podemos mesmo fazer tal afirmação...Mas ainda haveremos de voltar a poder gritar desta forma...O Donana vai voltar e forte.

Depois de oferecer sua própria sala e computador para a produção do ofício que se faz necessário para dar suporte legal da existência da cessão da Câmara, dar conhecimento às datas de utilização dos espaços solicitados (plenário e saguão) ainda me apresentou ao diretor geral Sr Flávio e ao Presidente da Câmara o Vereador Waguinho.

A há...hú...hú!!!!!
Tá liberado. A Câmara é da Poesia por mais um ano ao menos...
Poesia Sempre

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