sexta-feira, 9 de novembro de 2012

MANTO AZUL


Manta azul escura

que me cobre

noite que ando


lençol de negrume

brilhante

que me acode

por quanto

ando em dormir

jamais

 
travesseiros

que não uso

no enlouquecer de ouvir

fronhas

em tanta voz tanta voz
 

e eu loquaz de andada

sem azimute

chorume inquieto

de um tempo voraz

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

CONVERSA DE BAR: O Ferramental Dos Gestos E Da Palavra



HISTÓRIAS DE BAR

O Ferramental dos Gestos e da Palavra

Não fosse a minha grande preguiça em escrever diariamente, tal como fazia antes, com toda certeza, vários livros estariam prontos a serem rodados com grana própria – que não tenho – ou à serem, enviados à aprovação, das várias e muitas editoras...Um dos títulos seria, com toda certeza, o que se pode ler acima...

“ontem, domingo dia 04 de novembro de demiledoze, tentando curar  uma tristeza e solidão inefável, que me invadia a cabeça, tronco e membros, disputei um pedaço do balcão da birosca do Lourival...Uma Antarctica e dois pedaços de costela, pedi...E iniciamos o papo, sobre tudo que se pode imaginar, já quando estava, na segunda cerveja, surge um conhecido que por hora não lembro o nome e, pediu um conhaque no que dupliquei meu pedido...Lourival, bota um pra mim também  e traça com catuaba – o melhor remédio para sentimentos inefáveis é perder a razão e perder a razão, para este poeta menor é ficar em estado alterado de mente, com álcool – ato contínuo, contei a história de minha experiência pessoal com um “brandy”, o verdadeiro conhaque, que provei oferecido por meu irmão, lá no Rei do Cozido, na Vila são Luiz, em Duque de Caxias...

A esposa do Lourival se aproxima e pergunta: - como é esse teu som com efeitos e telão?...Expliquei e já emendamos no papo sobre pagamentos, falta de pagamentos, pedidos de desconto, desconsideração com a importância de um som numa festa, intromissão dos convidados nos sets de musica, o fato comum e a quase obrigação de usar os vários pen drives que os convidados costumam levar para as festas, para ouvir a musica que gostam, em detrimento da musica preparada e sugerida pelo “dj” da festa e/ou das musicas previamente acordadas com o dono da festa e, ainda  sobre o  fato, de que atualmente, quase todos os “garotos’ que tem um computador em casa – seja desktop ou notebook – terem,  instalado,  o programa virtual dj – que é free – e se pensarem “dj´s”, fato que os torna verdadeiros  pitaqueiros nas festas...

A este comentário, somei rindo, um outro, que deu origem ao que este prolixo texto, quer fazer referência: - e o pior é que eles não se preocupam em comprar um equipamento de som...O investimento é meu e a onda tem de ser deles...

O amigo que chegara e no momento já dividia comigo uma outra cerveja, emenda: - não há trabalho sem ferramentas, eles tem de ter as suas próprias ferramentas...Pois é, completo, rindo ainda mais, com as mãos e os dedos só escultura em barro ou massinha...

O amigo, continua, num falar bacanudo, que somava o sotaque pernambucano e o gestual mover de corpo que era seguido pelo dançar lento e mágico das mãos, que ostentavam um anel em cada dedo: - quando eu sentei praça no Exército, lá no 14 RI de Recife, um sargento levou a gente pra faxina, que demorou muito a ser completada, fato que levou o coronel comandante a ir até nós e perguntar por que ainda estávamos naquele ponto e, eu respondi, como é que eu vou transformar a minha mão em pá para recolher o lixo? – o sargento enlouquecido disse que me puniria, pois além de eu não ter pedido permissão para falar, não se podia responder assim,  ao coronel...E o coronel me deu três dias de dispensa, óh!...Quando eu voltei, ele me perguntou por que eu havia respondido daquele jeito e eu lhe disse, meu coronel, sem as ferramentas certas o homem não progride, pois que,  até os índios e os homens das cavernas usavam ferramentas e ele me disse volta pra casa e fica mais três dias...

E rindo, continua, quando me apresentei de volta ele me perguntou, você quer servir a mim e a minha família em minha casa?...É claro, meu comandante...E desde aquele dia nunca mais botei os pés no quartel e usei farda, servia somente ao coronel e a sua família, lá conheci a sua filha e, estou casado com ela faz  40 anos...óh!

 

sábado, 2 de junho de 2012

LEVA E LAVA


LEVA E LAVA



Nas pontadas agudas

De dores que me surgem

Com mais frequência que antes

Vem-me o riso da esperança

E o renovado pedido: me leva

Me leva, me lava...



Que vontade de morrer da porra

Que vontade arretada de não ser

De não sofrer

De não aturar

De não ver, de não saber, de não querer



Em noite alta ou em pino dia

Enfio-me na lida

De pensar, pensar, pensar

E me surge com dor o pesar

De não poder saber equilibrar

De não saber surgir forte

Ante ao adverso perverso verso

Que não cansa de em cima de meu riso

rimar

sexta-feira, 1 de junho de 2012

FIO DE LUZ

Na Violência Que Ja Rola Há Milhares De Anos...O Dia Que Não Tem Paciencia...E A Noite Que Não Tem Espera...Em Sua Guerra...Fazem Um Devir De Devorar...E O Inferno Que Quer O Céu... Sobe A Terra...Nas Sombras Dessa Infinita Distração...O Céu Em Dialética Calma...Não Se Abala...Pois Vive A Eternidade Da Interação Do Tempo/Espaço...E Eu?...E Eu?...O Que Faço Neste Meu Fincar De Pés Na Terra No Limite Dolorido Deste Escorregar Pelo Fio De Luz da Lanterna?

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Zé Américo E O Armazem A Feira De Areia Branca Sob O Olhar Do Poeta



I



Hoje, Areia Branca, acordará muito mais pobre...Em sua alma de urbe e existência ativa de pequeno bairro, um de seus cidadãos - histórico e se não tão autóctone tal qual meu irmão Sidney Monteiro, nascido sob os cuidados do jah falecido e famoso Dr Lacerda, na clinica à esquina desta minha rua Bela Vista, na manhã de um dia de São Pedro,  nos idos de 1965, tendo tido ainda daquele famoso clinico geral, obstetra e aborteiro os carinhos da sugestão do nome,  não recebido em cartório e batismo,  de "Pedro piroca", posto que fora parido pros lados da fazenda de seu pai, nos arredores de Vassouras, lida que nos serve até os dias atuais com queijos, linguiça, manteiga, mel e aguardente...

II



O José Américo, o conhecido "Zé Américo", filho e herdeiro do "Seu Américo" e, ainda, amigo primeiro de meu pai quando de sua chegada a esta Belford Roxo (Areia Branca), junto a sua Jurema, com este poeta já encomendado, senhor primogênito desta gen dos Albuquerques e ainda primogênito neto da gen dos Peixoto de Albuquerque, para à partir de uma casa de estuque, construir sua história e constituir familia...Já não estará mais entre nós e todos os produtos de seu empório, Armazém A Feira de Areia Branca ...



III

Zé Américo, após assistir e viver a virada do século e o transformar da sociedade, resistiu a dois infartos, vários casamentos, filhos e netos, a perda de vários amigos e entre eles seu pai, o " Seu Américo" - uma espécie de coroné do bem, um empreendedor bem relacionado com a política e demais autoridades locais, senhor de posses, determinação, autoridade, moral e amizades - O Zé , resistiu a uma emancipação, a pressão do mercado que queria seu espaço, seu empório e ganha pã, resistiu a nova formatação de lay out para mercados e ainda aos computadores e seus softwares, para  controle de estoque e críticas de compra, resistiu as registradoras e marcas da moda...

IV

Mas, o Zé, não resistiu a seu coração( ou será que seu coração não resistiu ao Zé?)...Que levou-lhe a vida para a noumenalidade do não ser...Vai ele botafoguense junto a um pedaço da História deste bairro,  que sabia melhor que ninguém, contar bem - e eu adorava provocar e ouvir: as velhas histórias dos roubos de cavalos, das idas e vindas da Maria fumaça, a suas conquistas amorosas, as obras de recuo do empório para trás da estação a feira de Areia Branca, o mandato por Nova iguaçu e a mini gestão deste bairro feita pelo  vereador Ziza entre outras tantas histórias - a gozar e somar da presença do seu amigo “ federal” ou ainda “fluminense”, que era meu pai, Iris Peixoto de Albuquerque...O Irinho...E ainda dos seus, lá pros lados do céu e do paraíso...Abraços  a meu velho  brodi Zé,,,Que fiques bem...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A Arte Imorrível



INICIO DO CREPÚSCULO MATUTINO DE ALGUNS E FIM DO CREPÚSCULO VESPERTINO DE OUTROS...QUISERA FOSSE TUDO SOL


Á Otacílio Farias, O Nosso Cilinho


Nasci em São João de Meriti. Numa cama da casa de meus avós maternos – Virgínia e Jovelino – Nasci de parteira, coisa comum nos idos anos 60, mas meus pais, já eram moradores de Areia Branca, assim, cheguei aqui, recém nascido.

Sou de Areia Branca, desde o tempo da Maria Fumaça, espetaculosa composição para transporte de massa, que cheguei a viajar em companhia de Dna Maria e Seu João, vizinhos do lado de casa - que me tratavam como neto e eram criadores de abelhas (apicultores) – para ir a Jaceruba.
Quase lembro do dia, quase lembro da viagem, quase lembro da fumaceira e da composição. A coisa é meio sinistra em minha memória tão enevoada quanto o ar por onde passava a Maria Fumaça, uma minhocona negra e gigante...Bonita lembrança de bonita imagem.

Por brincar nas ruas de meu bairro – não muito à vontade e liberto, posto que a mama Jurema, era daquelas que pegavam no pé – conheci muita gente, muita lida, alguma moda e movimentação artística e esportiva da região. Por viver sem muita liberdade e com corrente nos pés e cabresto nas vontades, não me relacionei muito de perto, com as movimentações que via nascendo.

O que é fato é que muitos dos grandes artistas e esportistas que esta terra viu nascer brincou, comigo de bola de gude, esteve no mesmo trenzinho durante as voltas em torno do coreto que se armava na praça de Areia Branca, durante o Carnaval – financiados pelo histórico morador e vereador Ziza – Aquele Que Não Promete Realiza (Na sacanagem maldosa de antigamente: Aquele Que Não Mete Alisa), sentou no mesmo banco da escolinha jardim de infância, foi colega do primário ou do ginásio ou ao menos cruzou meu caminho e/ou eu, o dele em alguma das atividades infinitas, que jovens, inventávamos.

Muitos destes artistas e/ou desportistas/esportistas conseguiu fotos e matérias em jornais locais e/ou de nível regional, outros apareceram em noticiários e programas de TV, alguns gravaram disco e por algum tempo viveram deste trabalho sem preço que é a criação artística, mas a grande maioria soçobrou diante do esquecimento, abandono e desprezo.

Quem lembra do Nanau e sua grande voz? Quem lembra do Zé Maria, musicista dos bons, irmão do João Mathias (Panela Zen) que ainda resiste preguiçoso e talentoso na arte da musica ...Lembro-me da música que inscrevi no Festival de Musica do ABEU, como se fosse minha, posto que era um Festival, só para alunos...” pó, pó, pó poeiraaaaaaaaaa”...Musica linda e exuberante...Cadê o Nanau?.

Por onde anda o Milton Russo?. O ilustre professor de violão da maioria da galera da música em Belford Roxo/Pian/Areia Branca e adjacências?. Sei que Milton Russo vive da música, toca na noite, mas poderia tocar para a noite, encanta-la junto a todos nós...E o Ulisses, o show man, que foi da Banda Black Rio (vocalista), do Cidade Negra (backing vocal), direto dos bailes do Embalo´s Clube para as luzes e palcos do Brasil. Cadê Ulisses? Cadê Moisés? Cadê Ferrinho?...E Aqui ousei chegar até Nilópolis...

Quem virou estrela, não voltou a terra para buscar os pobres mortais de artes imortais e a cena não se mantêm ou se afirma.

A maior parte dos artistas que passaram pelo Centro Cultural Donana, o Histórico Aparelho Cultural, talvez o único a existir desde os idos anos 80/90 em Belford Roxo, catalisador e centralizador de muitas ações e emoções, que foram estudadas pelo Sociólogo André Leite, Na obra "Memória Musical de Belford Roxo", que se fizeram ser referência do livro do Calbuque, que será filme no olhar de Cacau Amaral (um dos 5 X Favela) e eu pergunto novamente por onde anda Nino Rap? Do BlackOut/Nocaute, por anda anda Ed MC?. Por Onde anda o Sandro do Baixafrica, O Gui, o Liu?. Alguém sabe de alguma atividade artística do Praxedes Belford?, E eu falo de atividade artística séria e não a sacanagem de fazer uma festa mal organizada, que surgiu, na falta da verdadeira Festa da Consciência Negra.

E o Sylvio Neto?...Ainda Canta...Encanta...Faz Música?...É reconhecido como alguém que somou seu brilho ao lado bom da força?

Os artistas locais, colegas, companheiros, parceiros ainda lembram das colaborações, dos patrocínios, das participações e intervenções, feitas com o carinho do coração aberto e com a verve das vísceras espostas e jogadas avanço?

Lobão, da Churrascaria Lobão. Emérito e aguerrido produtor de eventos musicais históricos nesta Baixada de Nosso Senhor da Jacutinga. Por onde anda este guerreiro? E a Roberta do projeto Na Mosca, largou a produção e foi cuidar da própria vida, enquanto pode...
O Edson Bombeiro, ainda canta? ...Qual o Por Que, de seu ocaso?...Gravou disco?

Antes fossem todos estes artistas citados e, outros que perambulam neste momento, por minha memória sequelada e, ainda os outros verdadeiramente esquecidos, por este, que conviveu com a cena...Tanto portentosos e poderosos quanto o Di Melo...Quisera fossem também, Imorríveis...
Antes, que deitados no ocaso, pudessem todos ressuscitar e, tal este talentoso artista, injuriado pela gravadora, como foram tantos daqui Negril, Cabeça de Nego, Nocaute (concorreu com uma musica ao Grammy Latino) – trio de bandas que ao mesmo tempo participou do Rock in Rio, e abriram vários shows de consagradas artistas brasileiros, tais quais, Cidade Negra/Gabriel Pensador/Paralamas do Sucesso/O Rappa entre outros, todos filhos desta Belford Roxo/Pian/Areia Branca – 5 Kilates, Maria Preta.

Antes pudessem todos renascer, para encantar com a força desta nova mídia que alcança com força muitos lares brasileiros com o poder da internet, com o poder da televisão a cabo, com o poder do rádio e com a convergência dos telefones inteligentes.

Di Melo, após audição com o já renomado Jorge Ben, hoje Benjor, lá pelas bandas de 75, pode ter sua oportunidade, com uma simples indicação. Assinou com a antiga Odeon, que viraria EMI-Odeon (A musica dos Sex Pistols, não surgiu à toa). Fez sucesso, até o ocaso, provocado pelo vilão de sempre Empresário/Produtor/Editor (diga-se gravadora)...

No silêncio e no escuro resistiu ainda com sua arte, compondo musicas, poemas e peças artísticas em madeira, até ser reencontrado por Dj´s estrangeiros, que lhe deram uma sobrevida nas pistas de dança do mundo, com a descoberta de seu raro e único disco, Di Melo, produzido pelo não menos talentosíssimo gênio da música o bruxo, Hermeto Páscoal, o long play tem a moral de aparecer no clipe da musica Don´t Stop The Party, dos Black Eyead Peas.

Roberto de Melo Santos de registro e Di Melo de nome artístico, é puro swing e no curta de Alan Oliveira e Rubens Pasáro, Di Melo, O Imorrível, finalizado em 35 mm e com 20 min de duração, ressurge com imagem e som, para as telas e o mundo.
Di Melo, anuncia ter mais de 400 composições inéditas e eu cá de minha alcova (quarto cheio de livros, cds e teias de aranha) torço para que ele tanto quanto meus irmãos de arte e musica, os de Bel e os do mundo, consigam sua sobrevida e chance...Torço para que não desistam, para que não morram de tristeza entregues a bebida, droga, depressão e rancor.
Com fervor segue este post, que linka o pernambucano Di Melo aos fluminenses jacutingas desta minha Cidade Belford Roxo, dono de uma esperança que não brilha em meus olhos mais que pulsa em meu coração.

Segue o água na boca do filme de Di Melo, O Imorrível

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A CORNUCÓPIA DO ESTADO DE SERGIO CABRAL E EIKE BATISTA...OS DONOS DO RIO DE JANEIRO...SOB O FOGO CERRADO DO DEPUTADO MARCELO FREIXO QUE NÃO É FROUXO

Quando este Poeta Blogueiro, encontra na Voz de outro, as palavras que gostaria de ter escrito, com o devido crédito e sem nenhum problema de consciencia: posta aqui, neste espaço.

Já venho há bastante tempo, batendo na tecla que os exageros deste governador tem objetivos claros, expecificos e sugerem um projeto de domínio para muitos anos futuros...É o inferno chegando com grande poder sobre este Estado...É A CHAMADA POTESTADE...Cuidado!! O Inferno Está Aberto E Os "diabo" vestem terno, usam óculos escuros e mandam no Rio de Janeiro (qui ça, Brasil inteiro).

Na luta entre o Bem e o Mal...Segue o Mal vencendo...E Olha Que Já Há Muitos Tempo...Salvador Não Há...Mas Alguns Representantes Oficiais e Publicos...Se Fazem Presentes E Parece Que Nos Refrigera...


Fala Do deputado Marcelo Freixo na ALERJ Sobre o Sérgio Cabral, a Empresa Delta e o Eike Batista *


Meu pronunciamento hoje diz respeito a toda essa polêmica envolvendo a
empresa Delta, o Sr. Eike Batista e o Governo do Estado – não poderia ser
diferente.

Por formação, sou professor de História – estou Deputado, Deputado não é
profissão. Como professor de História, sempre tive muitas dificuldades em
Matemática. Para fazer contas era um problema. Eu ficava desesperado quando
aparecia assim: “descubra o valor de x”. Eu tinha pânico! E não é que isso
me persegue, Deputado? Qual é o valor de x? Isso volta à tona no debate do
Rio de Janeiro: quanto vale x? Talvez valha bem menos do que o próprio
imagina.
O cinismo, a desfaçatez, o deboche do Sr. Eike Batista – o “homem x”, cujo
valor não se sabe bem qual é – não combinam com os dados que conseguimos. O
Sr. Eike Batista gosta de financiar campanhas, mas a minha ele nunca
financiou e nunca financiará – nem a minha nem a de muitos Deputados daqui
–, então, não há problemas. Conseguimos ter a independência necessária de
que este Parlamento precisa para fazer os questionamentos.

Sabemos que o Governador, na sexta-feira, dirigindo-se à Bahia, passou por
um episódio terrível, um acidente. Todos nós respeitamos a dor decorrente
desse acontecimento brutal. É uma questão privada, que merece todo o
respeito e consideração, mas existe uma questão pública que precisa ser
apurada. Então sabendo, com maturidade, separar essas coisas, as questões
públicas precisam ser cobradas.

Foi dito aqui que se considera normal o Governador ir para a Bahia no avião
do Sr. Eike Batista e que seria normal também ele estar indo para a Bahia
para participar de uma festa de um empresário dono de uma empreiteira com
grandes investimentos aqui no Rio de Janeiro. Pois bem. Primeiro, eu não
acho isso natural. Aliás, nada deve parecer natural; nada dever parecer
impossível de se mudar, como já dizia o bom Brecht. Agora, é importante
também dizer que o Sr. Eike Batista lançou uma nota dizendo que ele empresta
o avião dele para quem ele quiser; que ele faz com o dinheiro dele o que ele
quiser e que ele não tem nenhum investimento com o Governo do Estado. Eu
quero dizer que o Sr. Eike Batista mentiu. Não é verdade.

É verdade que ele é uma pessoa muito rica - o oitavo mais rico do mundo -,
talvez venha daí a sua soberba. O problema é que o seu dinheiro não compra a
verdade ou não cria uma nova verdade, por mais que ele possa viver no mundo
das fantasias e dos grandes investimentos, sonhando com o Rio de Janeiro sem
pobres ou pelo menos com os pobres muito distantes dos grandes eventos.

Eu quero dizer que eu fiz um levantamento. O Sr. Eike Batista, o homem “X”,
de valor indecifrável, diz que não tem investimentos no Governo do Estado.
Primeiro que a empresa OGX, de petróleo, pertencente ao Sr. Eike Batista,
recebeu no Governo Cabral, de 2007 a 2010, isenção fiscal no valor de
sessenta e nove milhões de reais. Como não tem vínculos econômicos com o
Governo? Tem sim, e não é pequeno.

Depois, a sua empresa LLX Minas-Rio, recebeu também, em função do Porto do
Açu, mais seis milhões de isenção fiscal. Tem relações econômicas com o
dinheiro público, sim. Mentiu. Tem. Setenta e cinco milhões de isenção, nos
últimos quatro anos, do Governo do Rio de Janeiro. Como é que não tem?
Empresta avião para quem quiser. Que história é essa? Tem interesse público
e privado misturado. Isso tem que ser investigado; isso é grave. Isso é
muito grave.
É curioso que o Sr. Eike Batista também é doador para a campanha do
Governador Sérgio Cabral. Ele diz que ele doa dinheiro para quem ele quiser.
Ele doa dinheiro pra quem ele quiser nada; ele doa dinheiro para quem
aceita. Ele doou setecentos e cinquenta mil reais para a campanha do
Governo: um por cento do que ele ganhou de isenção. Que nobre coincidência.
A doação do Sr. Eike Batista para a campanha do Governador correspondeu a um
por cento da doação, da isenção – perdoem o ato falho – que o Governador deu
ao Sr. Eike Batista para duas de suas grandes empresas. Como não tem
interesse? Chega de cinismo.
Mais do que isso. Uma parte grande dos investimentos do Sr. Eike Batista é
feita com dinheiro do BNDES, é feita com dinheiro público. Tem milhões de
problemas trabalhistas, ambientais e sociais; está questionado pelo
Ministério Público. Tem uma diversidade de flexibilizações colocadas pelos
órgãos fiscalizadores, que poderiam fiscalizar muito melhor as suas
empresas.

Está aqui o Ministério Público Federal: “O Ministério Público Federal
verificou” – percebam os senhores – “que o projeto”, eu estou falando do
Porto do Açu, “foi licenciado sem que se conhecesse sequer o traçado do
mineroduto e que ele atingiria vários sítios históricos e arqueológicos ao
longo do seu caminho, com impacto sobre comunidades tradicionais, às quais
não foram sequer consideradas relevantes no Eia-Rima”. Conseguiu
autorização; flexibilizaram tudo. O Ministério Público Federal recorreu; o
Ministério Público Federal disse que é um escândalo. E mais, estou falando
de pareceres do Ministério Público Federal. Está aqui!
O Ministério Público Federal diz o seguinte: “os motivos seriam fato de o
empreendimento não haver sido licitado”. Não há licitação. A cessão da área
para o porto ter sido indevida e a licença ambiental dada ao empreendimento
ocorreram sem a aprovação do estudo do impacto ambiental. Não houve estudo
de impacto ambiental. É uma vergonha! E ele vem para cá dizer que não tem
nada a ver com a iniciativa pública, que a dele é só iniciativa privada, que
ele não tem investimento!?

Senhores, o Hotel Glória que ele comprou, em 2008, recebeu 146 milhões do
BNDES. Só esse investimento. Quer dizer que ele não tem nada a ver com
dinheiro público? Ele não tem nenhum problema com dinheiro público? E aí ele
empresta o avião dele para quem ele quiser? Não é bem assim a história.

Vimos aqui desmascarar a fala cínica do Sr. Eike Batista ontem. Ele tem
responsabilidade e tem interesse nas questões públicas do Rio de Janeiro. Os
seus grandes negócios passam sim por investimentos, licenças e pareceres do
nosso poder público. Então, não é boa, não faz bem para o espírito
republicano essa relação de empréstimos de aviões, de jatos ou disso e
daquilo para quem deveria ter um pouco mais de cuidado nessas relações. Não
é bom. Para o mínimo espírito republicano.

O que eu estou dizendo é que isso precisa ser investigado. Não estou
antecipando nenhum julgamento. Mas estou dizendo que isso tem que ser
investigado. Da mesma maneira, tem que ser investigada a empresa Delta.
Lamentavelmente, o líder do Governo veio ontem aqui dizer que a empresa
Delta tinha feito todos os seus negócios com o Governo do Estado através de
licitação. Lamento dizer que não é verdade. Não é verdade!

Só em 2010, Srs. Deputados e Deputadas, sem licitação, a empresa Delta
recebeu R$ 127 milhões. Só em 2010, o que corresponde a 23% do total de 2010
empenhados para a empresa Delta. Só em 2010. Era nesse evento, do
aniversário do dono dessa empresa Delta que o Governador estava se dirigindo
no jato do Sr. Eike Batista. Perdoem-me, mas essa não é uma questão privada.
A questão privada eu respeito e não temos nada a ver com isso. Mas não é
isso. É que essa agenda mistura uma questão privada com uma questão pública
seriíssima. Seriíssima!

Não é normal, não pode ser vista como normal. Não adianta dizer que só no
mundo privado de um fim de semana. Na segunda, essas pessoas continuam se
conhecendo e se encontrando. Por que a grande concentração de investimentos
em 2010, ano de campanha? Por quê? O total do contrato com a Delta,
senhores, é de R$ 918 milhões só neste Governo. Os números são assustadores.
Essas relações privadas não ficam no campo privado. Trazem uma necessidade
muito grande de explicações públicas. Públicas!

Essas relações, senhores, não são naturais. Colocam sob suspeita as decisões
públicas que envolvem dinheiro público e convênios públicos. Espero que esta
Casa exerça o seu papel fiscalizador e já estamos fazendo isso.

Hoje, um grupo de Deputados preparou um requerimento de informação, cobrando
as informações pertinentes, tanto referentes aos negócios do Sr. Eike
Batista como da Delta. E o Governador tem obrigação de responder. Essas
respostas são importantes para que possamos esclarecer que o mundo privado
realmente não se mistura com o mundo público. É o que desejamos.

*Marcelo Freixo em pronunciamento no plenário da Alerj em 22/6/11.