sexta-feira, 1 de julho de 2011

A Arte Imorrível



INICIO DO CREPÚSCULO MATUTINO DE ALGUNS E FIM DO CREPÚSCULO VESPERTINO DE OUTROS...QUISERA FOSSE TUDO SOL


Á Otacílio Farias, O Nosso Cilinho


Nasci em São João de Meriti. Numa cama da casa de meus avós maternos – Virgínia e Jovelino – Nasci de parteira, coisa comum nos idos anos 60, mas meus pais, já eram moradores de Areia Branca, assim, cheguei aqui, recém nascido.

Sou de Areia Branca, desde o tempo da Maria Fumaça, espetaculosa composição para transporte de massa, que cheguei a viajar em companhia de Dna Maria e Seu João, vizinhos do lado de casa - que me tratavam como neto e eram criadores de abelhas (apicultores) – para ir a Jaceruba.
Quase lembro do dia, quase lembro da viagem, quase lembro da fumaceira e da composição. A coisa é meio sinistra em minha memória tão enevoada quanto o ar por onde passava a Maria Fumaça, uma minhocona negra e gigante...Bonita lembrança de bonita imagem.

Por brincar nas ruas de meu bairro – não muito à vontade e liberto, posto que a mama Jurema, era daquelas que pegavam no pé – conheci muita gente, muita lida, alguma moda e movimentação artística e esportiva da região. Por viver sem muita liberdade e com corrente nos pés e cabresto nas vontades, não me relacionei muito de perto, com as movimentações que via nascendo.

O que é fato é que muitos dos grandes artistas e esportistas que esta terra viu nascer brincou, comigo de bola de gude, esteve no mesmo trenzinho durante as voltas em torno do coreto que se armava na praça de Areia Branca, durante o Carnaval – financiados pelo histórico morador e vereador Ziza – Aquele Que Não Promete Realiza (Na sacanagem maldosa de antigamente: Aquele Que Não Mete Alisa), sentou no mesmo banco da escolinha jardim de infância, foi colega do primário ou do ginásio ou ao menos cruzou meu caminho e/ou eu, o dele em alguma das atividades infinitas, que jovens, inventávamos.

Muitos destes artistas e/ou desportistas/esportistas conseguiu fotos e matérias em jornais locais e/ou de nível regional, outros apareceram em noticiários e programas de TV, alguns gravaram disco e por algum tempo viveram deste trabalho sem preço que é a criação artística, mas a grande maioria soçobrou diante do esquecimento, abandono e desprezo.

Quem lembra do Nanau e sua grande voz? Quem lembra do Zé Maria, musicista dos bons, irmão do João Mathias (Panela Zen) que ainda resiste preguiçoso e talentoso na arte da musica ...Lembro-me da música que inscrevi no Festival de Musica do ABEU, como se fosse minha, posto que era um Festival, só para alunos...” pó, pó, pó poeiraaaaaaaaaa”...Musica linda e exuberante...Cadê o Nanau?.

Por onde anda o Milton Russo?. O ilustre professor de violão da maioria da galera da música em Belford Roxo/Pian/Areia Branca e adjacências?. Sei que Milton Russo vive da música, toca na noite, mas poderia tocar para a noite, encanta-la junto a todos nós...E o Ulisses, o show man, que foi da Banda Black Rio (vocalista), do Cidade Negra (backing vocal), direto dos bailes do Embalo´s Clube para as luzes e palcos do Brasil. Cadê Ulisses? Cadê Moisés? Cadê Ferrinho?...E Aqui ousei chegar até Nilópolis...

Quem virou estrela, não voltou a terra para buscar os pobres mortais de artes imortais e a cena não se mantêm ou se afirma.

A maior parte dos artistas que passaram pelo Centro Cultural Donana, o Histórico Aparelho Cultural, talvez o único a existir desde os idos anos 80/90 em Belford Roxo, catalisador e centralizador de muitas ações e emoções, que foram estudadas pelo Sociólogo André Leite, Na obra "Memória Musical de Belford Roxo", que se fizeram ser referência do livro do Calbuque, que será filme no olhar de Cacau Amaral (um dos 5 X Favela) e eu pergunto novamente por onde anda Nino Rap? Do BlackOut/Nocaute, por anda anda Ed MC?. Por Onde anda o Sandro do Baixafrica, O Gui, o Liu?. Alguém sabe de alguma atividade artística do Praxedes Belford?, E eu falo de atividade artística séria e não a sacanagem de fazer uma festa mal organizada, que surgiu, na falta da verdadeira Festa da Consciência Negra.

E o Sylvio Neto?...Ainda Canta...Encanta...Faz Música?...É reconhecido como alguém que somou seu brilho ao lado bom da força?

Os artistas locais, colegas, companheiros, parceiros ainda lembram das colaborações, dos patrocínios, das participações e intervenções, feitas com o carinho do coração aberto e com a verve das vísceras espostas e jogadas avanço?

Lobão, da Churrascaria Lobão. Emérito e aguerrido produtor de eventos musicais históricos nesta Baixada de Nosso Senhor da Jacutinga. Por onde anda este guerreiro? E a Roberta do projeto Na Mosca, largou a produção e foi cuidar da própria vida, enquanto pode...
O Edson Bombeiro, ainda canta? ...Qual o Por Que, de seu ocaso?...Gravou disco?

Antes fossem todos estes artistas citados e, outros que perambulam neste momento, por minha memória sequelada e, ainda os outros verdadeiramente esquecidos, por este, que conviveu com a cena...Tanto portentosos e poderosos quanto o Di Melo...Quisera fossem também, Imorríveis...
Antes, que deitados no ocaso, pudessem todos ressuscitar e, tal este talentoso artista, injuriado pela gravadora, como foram tantos daqui Negril, Cabeça de Nego, Nocaute (concorreu com uma musica ao Grammy Latino) – trio de bandas que ao mesmo tempo participou do Rock in Rio, e abriram vários shows de consagradas artistas brasileiros, tais quais, Cidade Negra/Gabriel Pensador/Paralamas do Sucesso/O Rappa entre outros, todos filhos desta Belford Roxo/Pian/Areia Branca – 5 Kilates, Maria Preta.

Antes pudessem todos renascer, para encantar com a força desta nova mídia que alcança com força muitos lares brasileiros com o poder da internet, com o poder da televisão a cabo, com o poder do rádio e com a convergência dos telefones inteligentes.

Di Melo, após audição com o já renomado Jorge Ben, hoje Benjor, lá pelas bandas de 75, pode ter sua oportunidade, com uma simples indicação. Assinou com a antiga Odeon, que viraria EMI-Odeon (A musica dos Sex Pistols, não surgiu à toa). Fez sucesso, até o ocaso, provocado pelo vilão de sempre Empresário/Produtor/Editor (diga-se gravadora)...

No silêncio e no escuro resistiu ainda com sua arte, compondo musicas, poemas e peças artísticas em madeira, até ser reencontrado por Dj´s estrangeiros, que lhe deram uma sobrevida nas pistas de dança do mundo, com a descoberta de seu raro e único disco, Di Melo, produzido pelo não menos talentosíssimo gênio da música o bruxo, Hermeto Páscoal, o long play tem a moral de aparecer no clipe da musica Don´t Stop The Party, dos Black Eyead Peas.

Roberto de Melo Santos de registro e Di Melo de nome artístico, é puro swing e no curta de Alan Oliveira e Rubens Pasáro, Di Melo, O Imorrível, finalizado em 35 mm e com 20 min de duração, ressurge com imagem e som, para as telas e o mundo.
Di Melo, anuncia ter mais de 400 composições inéditas e eu cá de minha alcova (quarto cheio de livros, cds e teias de aranha) torço para que ele tanto quanto meus irmãos de arte e musica, os de Bel e os do mundo, consigam sua sobrevida e chance...Torço para que não desistam, para que não morram de tristeza entregues a bebida, droga, depressão e rancor.
Com fervor segue este post, que linka o pernambucano Di Melo aos fluminenses jacutingas desta minha Cidade Belford Roxo, dono de uma esperança que não brilha em meus olhos mais que pulsa em meu coração.

Segue o água na boca do filme de Di Melo, O Imorrível

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A CORNUCÓPIA DO ESTADO DE SERGIO CABRAL E EIKE BATISTA...OS DONOS DO RIO DE JANEIRO...SOB O FOGO CERRADO DO DEPUTADO MARCELO FREIXO QUE NÃO É FROUXO

Quando este Poeta Blogueiro, encontra na Voz de outro, as palavras que gostaria de ter escrito, com o devido crédito e sem nenhum problema de consciencia: posta aqui, neste espaço.

Já venho há bastante tempo, batendo na tecla que os exageros deste governador tem objetivos claros, expecificos e sugerem um projeto de domínio para muitos anos futuros...É o inferno chegando com grande poder sobre este Estado...É A CHAMADA POTESTADE...Cuidado!! O Inferno Está Aberto E Os "diabo" vestem terno, usam óculos escuros e mandam no Rio de Janeiro (qui ça, Brasil inteiro).

Na luta entre o Bem e o Mal...Segue o Mal vencendo...E Olha Que Já Há Muitos Tempo...Salvador Não Há...Mas Alguns Representantes Oficiais e Publicos...Se Fazem Presentes E Parece Que Nos Refrigera...


Fala Do deputado Marcelo Freixo na ALERJ Sobre o Sérgio Cabral, a Empresa Delta e o Eike Batista *


Meu pronunciamento hoje diz respeito a toda essa polêmica envolvendo a
empresa Delta, o Sr. Eike Batista e o Governo do Estado – não poderia ser
diferente.

Por formação, sou professor de História – estou Deputado, Deputado não é
profissão. Como professor de História, sempre tive muitas dificuldades em
Matemática. Para fazer contas era um problema. Eu ficava desesperado quando
aparecia assim: “descubra o valor de x”. Eu tinha pânico! E não é que isso
me persegue, Deputado? Qual é o valor de x? Isso volta à tona no debate do
Rio de Janeiro: quanto vale x? Talvez valha bem menos do que o próprio
imagina.
O cinismo, a desfaçatez, o deboche do Sr. Eike Batista – o “homem x”, cujo
valor não se sabe bem qual é – não combinam com os dados que conseguimos. O
Sr. Eike Batista gosta de financiar campanhas, mas a minha ele nunca
financiou e nunca financiará – nem a minha nem a de muitos Deputados daqui
–, então, não há problemas. Conseguimos ter a independência necessária de
que este Parlamento precisa para fazer os questionamentos.

Sabemos que o Governador, na sexta-feira, dirigindo-se à Bahia, passou por
um episódio terrível, um acidente. Todos nós respeitamos a dor decorrente
desse acontecimento brutal. É uma questão privada, que merece todo o
respeito e consideração, mas existe uma questão pública que precisa ser
apurada. Então sabendo, com maturidade, separar essas coisas, as questões
públicas precisam ser cobradas.

Foi dito aqui que se considera normal o Governador ir para a Bahia no avião
do Sr. Eike Batista e que seria normal também ele estar indo para a Bahia
para participar de uma festa de um empresário dono de uma empreiteira com
grandes investimentos aqui no Rio de Janeiro. Pois bem. Primeiro, eu não
acho isso natural. Aliás, nada deve parecer natural; nada dever parecer
impossível de se mudar, como já dizia o bom Brecht. Agora, é importante
também dizer que o Sr. Eike Batista lançou uma nota dizendo que ele empresta
o avião dele para quem ele quiser; que ele faz com o dinheiro dele o que ele
quiser e que ele não tem nenhum investimento com o Governo do Estado. Eu
quero dizer que o Sr. Eike Batista mentiu. Não é verdade.

É verdade que ele é uma pessoa muito rica - o oitavo mais rico do mundo -,
talvez venha daí a sua soberba. O problema é que o seu dinheiro não compra a
verdade ou não cria uma nova verdade, por mais que ele possa viver no mundo
das fantasias e dos grandes investimentos, sonhando com o Rio de Janeiro sem
pobres ou pelo menos com os pobres muito distantes dos grandes eventos.

Eu quero dizer que eu fiz um levantamento. O Sr. Eike Batista, o homem “X”,
de valor indecifrável, diz que não tem investimentos no Governo do Estado.
Primeiro que a empresa OGX, de petróleo, pertencente ao Sr. Eike Batista,
recebeu no Governo Cabral, de 2007 a 2010, isenção fiscal no valor de
sessenta e nove milhões de reais. Como não tem vínculos econômicos com o
Governo? Tem sim, e não é pequeno.

Depois, a sua empresa LLX Minas-Rio, recebeu também, em função do Porto do
Açu, mais seis milhões de isenção fiscal. Tem relações econômicas com o
dinheiro público, sim. Mentiu. Tem. Setenta e cinco milhões de isenção, nos
últimos quatro anos, do Governo do Rio de Janeiro. Como é que não tem?
Empresta avião para quem quiser. Que história é essa? Tem interesse público
e privado misturado. Isso tem que ser investigado; isso é grave. Isso é
muito grave.
É curioso que o Sr. Eike Batista também é doador para a campanha do
Governador Sérgio Cabral. Ele diz que ele doa dinheiro para quem ele quiser.
Ele doa dinheiro pra quem ele quiser nada; ele doa dinheiro para quem
aceita. Ele doou setecentos e cinquenta mil reais para a campanha do
Governo: um por cento do que ele ganhou de isenção. Que nobre coincidência.
A doação do Sr. Eike Batista para a campanha do Governador correspondeu a um
por cento da doação, da isenção – perdoem o ato falho – que o Governador deu
ao Sr. Eike Batista para duas de suas grandes empresas. Como não tem
interesse? Chega de cinismo.
Mais do que isso. Uma parte grande dos investimentos do Sr. Eike Batista é
feita com dinheiro do BNDES, é feita com dinheiro público. Tem milhões de
problemas trabalhistas, ambientais e sociais; está questionado pelo
Ministério Público. Tem uma diversidade de flexibilizações colocadas pelos
órgãos fiscalizadores, que poderiam fiscalizar muito melhor as suas
empresas.

Está aqui o Ministério Público Federal: “O Ministério Público Federal
verificou” – percebam os senhores – “que o projeto”, eu estou falando do
Porto do Açu, “foi licenciado sem que se conhecesse sequer o traçado do
mineroduto e que ele atingiria vários sítios históricos e arqueológicos ao
longo do seu caminho, com impacto sobre comunidades tradicionais, às quais
não foram sequer consideradas relevantes no Eia-Rima”. Conseguiu
autorização; flexibilizaram tudo. O Ministério Público Federal recorreu; o
Ministério Público Federal disse que é um escândalo. E mais, estou falando
de pareceres do Ministério Público Federal. Está aqui!
O Ministério Público Federal diz o seguinte: “os motivos seriam fato de o
empreendimento não haver sido licitado”. Não há licitação. A cessão da área
para o porto ter sido indevida e a licença ambiental dada ao empreendimento
ocorreram sem a aprovação do estudo do impacto ambiental. Não houve estudo
de impacto ambiental. É uma vergonha! E ele vem para cá dizer que não tem
nada a ver com a iniciativa pública, que a dele é só iniciativa privada, que
ele não tem investimento!?

Senhores, o Hotel Glória que ele comprou, em 2008, recebeu 146 milhões do
BNDES. Só esse investimento. Quer dizer que ele não tem nada a ver com
dinheiro público? Ele não tem nenhum problema com dinheiro público? E aí ele
empresta o avião dele para quem ele quiser? Não é bem assim a história.

Vimos aqui desmascarar a fala cínica do Sr. Eike Batista ontem. Ele tem
responsabilidade e tem interesse nas questões públicas do Rio de Janeiro. Os
seus grandes negócios passam sim por investimentos, licenças e pareceres do
nosso poder público. Então, não é boa, não faz bem para o espírito
republicano essa relação de empréstimos de aviões, de jatos ou disso e
daquilo para quem deveria ter um pouco mais de cuidado nessas relações. Não
é bom. Para o mínimo espírito republicano.

O que eu estou dizendo é que isso precisa ser investigado. Não estou
antecipando nenhum julgamento. Mas estou dizendo que isso tem que ser
investigado. Da mesma maneira, tem que ser investigada a empresa Delta.
Lamentavelmente, o líder do Governo veio ontem aqui dizer que a empresa
Delta tinha feito todos os seus negócios com o Governo do Estado através de
licitação. Lamento dizer que não é verdade. Não é verdade!

Só em 2010, Srs. Deputados e Deputadas, sem licitação, a empresa Delta
recebeu R$ 127 milhões. Só em 2010, o que corresponde a 23% do total de 2010
empenhados para a empresa Delta. Só em 2010. Era nesse evento, do
aniversário do dono dessa empresa Delta que o Governador estava se dirigindo
no jato do Sr. Eike Batista. Perdoem-me, mas essa não é uma questão privada.
A questão privada eu respeito e não temos nada a ver com isso. Mas não é
isso. É que essa agenda mistura uma questão privada com uma questão pública
seriíssima. Seriíssima!

Não é normal, não pode ser vista como normal. Não adianta dizer que só no
mundo privado de um fim de semana. Na segunda, essas pessoas continuam se
conhecendo e se encontrando. Por que a grande concentração de investimentos
em 2010, ano de campanha? Por quê? O total do contrato com a Delta,
senhores, é de R$ 918 milhões só neste Governo. Os números são assustadores.
Essas relações privadas não ficam no campo privado. Trazem uma necessidade
muito grande de explicações públicas. Públicas!

Essas relações, senhores, não são naturais. Colocam sob suspeita as decisões
públicas que envolvem dinheiro público e convênios públicos. Espero que esta
Casa exerça o seu papel fiscalizador e já estamos fazendo isso.

Hoje, um grupo de Deputados preparou um requerimento de informação, cobrando
as informações pertinentes, tanto referentes aos negócios do Sr. Eike
Batista como da Delta. E o Governador tem obrigação de responder. Essas
respostas são importantes para que possamos esclarecer que o mundo privado
realmente não se mistura com o mundo público. É o que desejamos.

*Marcelo Freixo em pronunciamento no plenário da Alerj em 22/6/11.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

VARIEDADES 2

ENGRAÇADAS, IMPORTANTES, SÉRIAS E LUXUOSAS



ENGRAÇADO

O Macaco Suicida


video


SHOW

Amanda Garruth

Conhecí esta menina, linda e gentil, dona de maravilhosa voz e talento, no mesmo lugar onde se apresentará SESC/SJM...Convidei-a a estar comigo e com os meus, no SARAU POESIA NA VARANDA (ED. PT/B. ROXO), e lá foi ela junto a seu pai, um gentil e animado guardião, produtor e empresário prestigiar o evento...


Por tal respeito e carinho, convoco a todos que prestigiam este blog e este poeta a estar no SESC/SJM, para assistir ao show, dando deleite a alma e encantamento ao coração.

Amanda Garruth no Show Hora & Lugar
8/7, sexta-feira, 20h
Participação especial: Tchub Dchuba
R$3 (assoc. Sesc Rio), R$6 (est., id.), RS12
Sesc São João de Meriti - Av. Automóvel Clube, 66. Tel.: (21) 2755-7070.
Classificação Livre



LITERATURA/indicação



Ler, é bom e importante sempre...Sem a intenção de apreender algo ou com esta vontade/potência, a leitura nos faz bem e é algo de importância terapêutica...Trata o desconhecimento, a ignorância, a burrice, a raiva, a descompostura, a ética e a moral (não que estas últimas me importem tanto para citar como exemplo...mas algo dentro delas é bem verdadeiro, necessário e importante na condução da vida e das relações sociais)...Mas...Nem sempre estamos em condição de comprar um livro...E livro bom é aquele que gostamos de ler...Por vezes o caixa está baixo até para comprar livros no sebo ou na feira...


Então...Vou repassar um link, super, super legal...Que é um dos conteúdos da biblioteca do UOL...Lá tem os clássicos dos clássicos da Literatura Mundial, tipo Kafka, Goeth e tal e,ainda, os clássicos da Literatura Nacional tipo Machado de Assis, Augusto dos Anjos e tal...Lá você escolhe seu autor e seu livro e clica...O livro carrega em PDF e você pode ler on line ou salvar para seu HD...Parada de 5 minutos ou menos...Sem Aquela bravura absurda de ter que ir para o baixa aqui ou outros similares...

o link é:


http://www2.uol.com.br/cultvox/gratis/gratis.html



LEITURA BLOG/Indicação



Esta indicação, faço, com muitíssimo prazer, pois que, trata-se, do pensamento de uma pessoa, de um amigo, como assim o considero, que muito estimo e que muito respeito sempre demonstrou a este poeta, espargido on line.

Cezar Ray é padrinho junto a Marcelo Peregrino do Sarau Poesia Na Varanda (E foi o cara me me apresentou ao André Eiras, meu grande hermano, figuraça de quem ando muito saudosão)...Se nada mais fosse...Este título...Já o Consagraria como dono do meu coração...


É um blog bastante ativo e variado...Tem o formato de uma revista, bem ilustrado e com muitas letras e palavras bezuntadas de encanto...Em qualquer canto do quadrado blog há encantamento, canto e idéias mil...Ele fala de seu mundo...O mundo de Cezar Ray (Ray de Raimundo com muito orgulho sim senhor), um mundo interno e um mundo externo que nele - em sua cabecinha de Raimundo - é um só...Grandioso e fantástico mundo.


Eu ousei dizer, que Zarayland é um blog quadrado, porque o mundo de Zaray, não é tal o de qualquer ser humano...Humano, humanista, hommo Sapien é ele sim...Mas, não é qualquer um...Posto que é Cezar Ray - e repito Ray de Raimundão...Mermo!!! - Então, redondos giram e são os textos - ahaha até as fotos - redondos por sua volta completa em sí mesmos...Mas não se apresentam assim...Posto que diferente cabeça tem este poeta, letrista compositor, contista, artista plástico e designer gráfico, que nos deixou na saudade, de poder vir quando pode e, seguiu para encantar - qualquer, mais qualquer mesmo - canto - de Recife...Dizem que pra "caranguejo", faltam-lhe somente as patinhas posto que as anteninhas de "antenadão Zaray", jah lhe dão posto...É Mais um MangueTown...Que vai ficando peixe:

...Por ele mesmo: Já postei este conto no início do Zarayland, mas acho que ninguém leu e eu gosto muito dele. Foi num EnContos do Rio que o Eloy sugeriu o tema: A Insônia do Barbeiro. E eu situei meu persangem em Macondo, do maravilhoso livro de Gabriel Garcia Marques, CEM ANOS DE SOLIDÃO. Boa leitura!


http://zarayland.blogspot.com/2011/03/insonia-do-barbeiro-uma-heresia-com.html



Zarayland: A Insônia do Barbeiro (Uma heresia com Garcia Marquez) - www.zarayland.blogspot.com



terça-feira, 21 de junho de 2011

VARIEDADES

IMPORTANTES, BOBAS, SUTIS E LOUCAS

PIADA


A mulher es
tava do outro lado da rua, fofocando com uma amiga e o marido em casa, conferindo a mega sena.
Quando viu que tinha
acertado as seis dezenas enlouqueceu e começou a gritar:- Jurema, Jurema!!!!!!! Ganhei, ganhei a mega-sena!!!!
A mulher atraves
sa a rua como louca, vem um ônibus e mata a coitada.
O marido fala:

- Puta que pariu, quando o cara tá com sorte, tá com sorte mesmo HEIM !!!


NOTÍCIA/POLICIAL

Comeu A Filha Do Cacique

NOVIDADE/Ciência

O VINAGRE E O BAFÔMETRO.
Adeus Bafômetro!


NÃO DEMOROU QUASE NADA PARA INVENTAREM A TRETA! BRASILEIRO NÃO TEM JEITO MESMO...

O bafômetro não mede o nível de álcool e sim, a presença
de cetona, que é o efeito da queima de gordura.
Como o álcool diminui o açúcar no sangue, o corpo passa a
queimar gordura e, como conseqüência, o hálito começa a apresentar corpos cetônicos.
OBS: Pessoas em dieta de Atkins, ou em jejum, também apresentam corpos cetônicos no hálito, em virtude da ausência de carboidratos causada pela dieta. Como conseqüencia dessa falta, o organismo queimará gordura.

Mas a mutreta do bafo é a seguinte
: leve sempre no carro um vidrinho de vinagre e a qualquer sinal de blitz, tome um gole, porque o ácido acético (denominação química do vinagre) reage com a cetona, dando como resultado o acetato, que é indetectável no bafômetro.
Ricardo - Engenheiro Químico e CACHACEIRO
(da fábrica de Vinag
re de Lucélia - SP)


LANÇAMENTO LIVRO/ACADÊMICO



Escravidão africana no recôncavo da Guanabara (Séculos XVII-XIX)

Programação:

Abertura: 15:00h. – Prof. Doutorando - Julio Cesar Medeiros da Silva Pereira – Diretor do Núcleo de pesquisas do IPN/FIOCRUZ

Coordenação: Profª Drª Mariza Soares de Carvalho – UFF-LABHOI-NIAF/CNPq.

Mesa 1 – Escravidão como experiência coletiva – 15:15h. às 16:00h.

Comunicações:

01 – A família escrava em Jacutinga, 1686-1721

Profª. Doutoranda Denise vieira Demétrio – UFF/LABHOI – bolsista da CAPES

02 – Africanos e crioulos, nacionais e estrangeiros: os mundo do trabalho no Rio de Janeiro nas décadas finais do oitocentos

Profª. Doutoranda Lucimar Felisberto do santos – UFBA/bolsista Fundação FORD

03 – Crise e decadência: a Fazenda do Iguaçu e seus escravos, século XIX

Prof. Ms. Paulo Henrique Silva Pacheco – LEDDS/UERJ – Prefeitura Municipal de Magé

Debate – 16:00h. às 16:30h.

Mesa 2 – A escravidão como negocio – 16:30h às 17:00h

Comunicações:

01 – A pesca da baleia na capitania do Rio de Janeiro (século XVII)

Prof ª Camila Baptista Dias – NEAMI-UFF/Rede Estadual de Ensino

02 – Pombeiros e o pequeno comércio no Rio de Janeiro do século XIX

Profª doutoranda Juliana Barreto Farias – USP/RHBN – bolsista CNPq.

03 – Escravidão, tráfico e farinha: a viagem redonda entre o Rio de Janeiro e a Baía de Biafra

Prof. Dr. Nielson Rosa Bezerra – CRPHDC-BF/bolsista produtividade BN

04 – O mercado do Valongo e o comercio de africanos – RJ (1758-1831)

Prof. Ms Claudio de Paula Honorato – IPN/FEUDUC-LABEHM/FST/Rede Estadual de Ensino

Debate: 17:30h às 18:00h.

Lançamento do livro – 18:00h.

terça-feira, 7 de junho de 2011

rODa vIvA... poESia dE MIm 2 !!! dE pODeR vEr e ouVIr cOm rAncor


MAIS UM DIA

Mais Um Dia
Pra Viver
Quantos MaIS
Até Morrer?

A Vida È Feita
de Dias
Muitos Dias
de Viver
Até Que Nos Encontra
A Morte
No Dia De Morrer

Fora O Que Se Morre
Pelo Caminho
Que A Vida Faz
Nos Muitos Longos Minutos
Onde Há Vida
Apenas Pelo Bater Do Coração

É Inexorável O Tempo...
O Tempo de Viver
Vive Por Acabar...



SANTO UMBIGO

Desvarios Cristãos Da Falta De Ética Dos Líderes Perversos


O Que Há De Certo

O Que Há de Santo

O Que Há De Tanto

Na Alma Destes

Que Se Dão Apaixonados

Aos Dogmas Dos Desvarios Cristãos?

O Que Há de Justo

O Que Há de Ético

Onde Anda A Moral

Dos Líderes Perversos

Que Conduzem Tal Retardados

Suas Ovelhas

Num Pastorado de Pervertidas

Ações Financeiras?

E Esses Que Caminham

A Meu Lado

O Que Há De Santo

Em Suas Ações?

Não Lhe Bastam As Rezas,

Preces, Passes e Orações.

Gostam Mesmo

É De Comer, Mastigar

E Engolir...

Pobres e Desenlevados

Corações...

Pobres Ovelhas Negras

Que Só Enxergam

Um Palmo Diante

De Seus Narizes

E os Seus, Só E Somente

Os Seus

Próprios Umbigos

Num, Dar-se, Absoluto

A Conquista, Ao Ter e Ao Ser

Traduzindo Em Vil

A Cornucópia Evangélico Cristã

Sai Pra Lá

Coisa Ruim!

Sai Pra Lá

Vampiro do Senhor

De Breu...

Chega! Aparta de Mim

E Desvele Teu Negro Véu

Disfarçado de Céu


POBRE POEMA

Do fundo da alma

Tiro dores de vida

E na pele

Sinto um reles

Frescor de calma

Amansa sempre

Minh´alma

O fio de riso

Que irrompe concreto

Do karma

O pobre poema

Que habita costumeiro

Meu coração irrequieto

E meu peito

De amor completo por Jurema

E o orgânico

Fidedigno, apaixonado

E avoado poeta

- pastor rebelde –

A domar palavras

E sentimentos

Astronauta aventureiro

A visitar estrelas

Luas, sóis

Buracos Negros

Da real e fantástica

Subjetiva e universal

Vida humana

Não è nada além

Embora nunca esteja

Aquém

Do pobre e rico em frescor Poema

Que por vezes

Escreve


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Ollanta Humala: Novo Presidente Do Perú


DEU NO BLOGG DO EMIR SADER

06/06/2011

A vitória de Ollanta

“Quando se estrepou o Peru?”, pergunta um personagem ao amigo, no notável novela de Vargas Llosa, Conversas na Catedral. Os dois dão por estabelecido que o Peru tinha se estrepado. Se tratava somente de saber quando. Embora escrito há mais de quatro décadas (1969), na fase melhor da obra do Nobel peruano, poderia incluir o que o país viveu até agora.

A vitória de Ollanta Humala para a presidência do Peru fecha um longo ciclo de governos neoliberais e abre novas perspectivas para o país, ao mesmo tempo que fortalece o campo dos processos de integração regional e enfraquece a precipitada operação de construção de um eixo neoliberal, com o México, a Colômbia e o Chile, em contraposição aos governos posneoliberais.

O governo nacionalista de Velasco Alvarado (1968-1975) foi seguido de uma serie de governos que buscaram desarticular os avanços do governo de Velasco, tanto no plano da reforma agrária, quanto na construção de um projeto nacional no Peru. Foi derrubado por um golpe militar dado por um ministro seu , Morales Bermudez, que governou até 1980.

Foi sucedido por Alan Garcia (1985-1990), do partido mais estruturado do Peru, o Apra, que tentou uma moratória da divida externa peruana, não recebeu sequer apoio de governos da região, não conseguiu controlar a inflação e caiu, sem apoio interno. Na sua sucessão se digladiaram Vargas Llosa, com um programa claramente neoliberal, e o desconhecido Alberto Fujimori, que se valeu da rejeição do estilo aristocrático do escritor, para triunfar.

No governo, Alberto Fujimori (1990-2000) assumiu um projeto de contrainsurgencia que, ao mesmo tempo que combatia a guerrilha do Sendero Luminoso, destruía a espinha dorsal do forte movimento popular peruano, tanto no campo, quanto na cidade. Entre as ações do Sendero – que atacaram também as forças populares que não se submetiam à sua ação - e as ações do Exercito, o movimento popular peruano sofreu, sob um fogo cruzado, ações demolidoras, que o reduziu à uma expressão mínima. Fujimori deu um golpe, fechou o Congresso e interveio na Justiça (para o que recebeu, vergonhosamente para nós, o apoio de FHC), estendeu seu mandato, mas terminou caindo por processos de corrupção e violência, pelo que, depois de fugir para o Japão, foi condenado a 23 anos de prisão, cumprindo atualmente a pena.

Foi a partir dessa destruição da capacidade de defesa e resistência do movimento popular que se erigiu o projeto neoliberal no Peru, mediante os governos de Fujimori, Toledo (2001-2006) e Alan Garcia (2006-2011) cobrindo um período de mais de 20 anos, em que a economia peruana voltou a crescer, em base a uma extensa exploração extrativista exportadora das riquezas do pais, centrada no ingresso maciço de empresas estrangeiras. As condições não poderiam ser melhores para essas empresas, dado que a tributação geral no país gira em torno de 15% do PIB, sem recursos para que os governos fizessem políticas sociais.

Repetiu-se assim com Fujimori, Toledo e Alan Garcia, o mesmo padrão de governo: continuidade do alto crescimento do PIB, centrado na exportação de minerais – ouro, zinco, cobre, gás, basicamente -, sem políticas sociais, com governos que, eleitos, perdiam popularidade de forma estrepitosa, seja pela corrupção que os envolveu a todos, seja pela falta de políticas sociais redistributivas.

Na eleição anterior se enfrentaram o projeto nacionalista de Ollanta Humala e Alan Garcia. Valendo-se de forte campanha de medo, depois que Ollanta havia triunfado no primeiro turno, com o apoio explícito de Hugo Chávez, Garcia triunfou por pequena margem e voltou ao governo, desta vez para dar continuidade aos programas neoliberais de seus antecessores e sofrer o mesmo tipo de desgaste. No final do seu governo, já com menos de 10% de apoio, Toledo havia assinado um Tratado de Livre Comércio com os EUA. Apesar de não se comprometer explicitamente em mantê-lo durante a campanha, Garcia assumiu o TLC e consolidou a abertura neoliberal da economia peruana. Com a recessão norteamericana, no entanto, o Peru passou a ter na China o seu principal parceiro e no Brasil um sócio muito importante, ambos com crescentes investimentos no país.

A invasão de terras indígenas na região amazônica por empresas transnacionais para explorar suas riquezas minerais levou ao despertar de importantes movimentos indígenas, o que ocasionou, entre outros conflitos, um massacre chamado de Baguazo, em junho de 2009, que teve 34 mortos, pela resistência indígena a ocupação de terras para exploração mineral. O Congresso peruano aprovou nesse momento uma legislação que contemplava a consulta aos movimentos indígenas sobre os investimentos.

Essa legislação passou a se constituir em um obstáculo a investimentos já existentes e a outros programados, mas o governo nunca a regulamentou, promovendo situações de incerteza, tanto para os investimentos, como para os movimentos indígenas. Dias antes do segundo turno das eleições desta semana, um movimento parou a região de Cuzco, só aceitando suspendê-lo pela intervenção de Ollanta, mas com a perspectiva de retomá-lo em seguida, se não houver solução para suas reivindicações.

Movimentos deste tipo fizeram com que o país tivesse que reconhecer a região amazônica como região importante para o Peru e despertaram movimentos antes pouco conhecidos no país, promovendo os conflitos sociais mais importantes, que devem se prolongar no novo governo.

O desprestigio de Garcia fez com que seu partido praticamente desaparecesse – elegeu apenas 4 parlamentares -, deixando aberta a sucessão, para a qual se apresentaram vários candidatos neoliberais – entre eles Toledo, um ex-ministro de economia de Garcia, um ex-prefeito de Lima, a filha de Fujimori, diante do único candidato que criticava o modelo, Ollanta Humala. O Apra nem sequer conseguiu apresentar um candidato próprio, com Garcia apoiando ao candidato neoliberal que chegasse ao segundo turno.

Humala reciclou suas posições para um modelo de continuidade do desenvolvimento, mas com redistribuição de renda mediante elevação da taxação dos investimentos mineiros e políticas sociais, modelo próximo ao de Lula. Conseguiu, com base de apoio popular, especialmente no interior do país, chegar de novo em primeiro lugar no segundo turno, desta vez contra Keiko, a filha de Fujimori, que gozava também de apoio popular, baseado nas políticas assistencialistas do seu pai na luta contra o Sendero Luminoso. Em viagem oficial ao Peru, quando se encontrou com Garcia, Lula recebeu publicamente também a Ollanta, com quem trocou opiniões sobre experiências brasileiras na construção de alternativas ao neoliberalismo. Desde então Ollanta veio ao Brasil, tanto na eleição de Dilma, quanto na sua posse, consolidando laços com Lula, Dilma e o PT, o que se traduziu, inclusive, em apoio politico à campanha de Ollanta. (enquanto os tucanos, envergonhados, torciam por Keiko, filha do amigo de FHC.)

O segundo turno foi muito acirrado, tanto na disputa de votos, quanto nas acusações. O apoio da velha mídia peruana, fortemente alinhada com Keiko e as campanhas, conhecidas por nós, de calunias e terror contra Ollanta – a ponto de chegar a revoltar a Vargas Llosa, que rompeu com o jornal tradicional, El Comercio, no qual historicamente publicava suas colunas -, incluindo falsas declarações e telefonemas de Ollanta e, horas antes da abertura da votação, uma suspeita ação, atribuída ao Sendero Luminoso.

Na fase final da campanha, os movimentos de rua e pela internet de rejeição a Keiko, pelos riscos de retorno da camarilha do governo do seu pai – governo de que ela participou como primeira dama -, contribuíram para a vitória apertada de Ollanta. Isso, apesar do apoio maciço da classe média e da oligarquia peruanas em Lima e em regiões do norte do país, além do apoio do governo de Garcia e dos 2 candidatos neoliberais derrotados – Toledo, que havia se elegido no bojo das mobilizações populares que derrubaram a Fujimori, ficou em quarto lugar e apoiou Ollanta.

Ollanta soube, no segundo turno, estabelecer as alianças para conseguir triunfar, renunciando a algumas propostas do seu programa inicial, como nacionalizações de empresas e convocação de Assembleia Constituinte.

Seu triunfo fecha o ciclo de 20 anos de governos neoliberais no Peru, e o mesmo se dá no marco de compromissos já estabelecidos, como o TLC com os EUA. Mas mesmo nesse marco, haverá uma clara aproximação com o Mercosul e, em particular com o Brasil, seja por afinidades políticas, seja pelos interesses econômicos mútuos entre os dois países e distanciamento do pólo neoliberal em que o México, a Colômbia e o Chile pretendiam construir, como alternativo aos processos de integração regional que envolvem a grande maioria dos países da região.

Abre-se para o Peru o caminho de colocar em prática políticas sociais redistributivas – apelo forte da campanha de Humala e, de alguma forma, também de Keiko – e nova inserção internacional do país, que passa a se somar aos governos posneoliberais da região. Não se pode definir precisamente quando o Peru se havia estrepado, mas certamente seguiu por esse caminho nas duas últimas décadas e 2011 marca o momento em que o país, sob a liderança de Ollanta e com forte respaldo popular, começa a ser resgatado para um projeto de ampla democratização econômica, social, política e cultural.

Postado por Emir Sader às 03:16

sexta-feira, 3 de junho de 2011

PROFANO ESQUECIMENTO





Muita Saudade do Broder Nino Rap...


PROFANO ESQUECIMENTO
Sylvio Neto

Repousa na caridade uma as prerrogativas da boa vontade (leia Kant), um dos institutos do espírito da dádiva (leia Godbout). Perto ou longe, empenhado ou somente observador, o homem não necessita da divindade para costurar seus rasgos na pele ou fazer sumir suas cicatrizes.
As marcas recentes ou as marcas profundas e com quelóides que o tempo trata de mostrar e ou esconder por sobre as mangas da camisa são prêmios queridos ou tesos na vontade do esquecimento, o que é preciso é nascer a cada dia, lutar com um leão a cada sonho desfeito e repousar após toda a turva ventania de areia, em um abraço terno e com tesão – de preferência.
O homem ao contrário da experiência que viveu tempos atrás procura distância do homem e de suas responsabilidades para com a família e a sociedade e nesse processo alguns fazem nascer deuses, demônios, santos, anjos e outras aberrações que a mente humana pode produzir em nome da necessidade do milagre que ele desfaz a cada manhã.
È óbvio que também se esconde ele – o homem – por detrás de outros modus vivendus – costumes, excessos e vícios, ainda hoje a margem do que a “ sociedade “ institui como normais e podem ser citados aqui: a pedofilia, a droga, o sadomasoquismo, o homicídio e tantas outras formas de esquecer da matrix divina e entregar-se ao deleite.
Entre a cruz e a espada, esquece do abraço verdadeiro (a necessidade do tesão varia de abraço para abraço, varia do sentido que recebe daquele que lê este texto e do que realmente eu quis dar - neste texto veio mesmo como provocação) entrega-se a um êxodo de seu trono no centro do coração humano (ícone que aqui quero fazer significar o amor universal) e corre livremente, em direção contrária ao homem, numa diáspora bandida – não sem algum ouro em uma das mãos e algum amuleto na outra...
O homem cria deuses e demônios para salvar-se e safar-se da solidão de seus segredos inenarráveis, da impunidade de suas ações contra a saúde, a arte, a cultura, as leis do trabalho, o justo preço e ainda da judaria de seus desejos enterrados em seu próprio umbigo...único amigo/amor que consegue ter...
Aos olhos de quem não vê e nem sente deuses, dos que respiram com dificuldade a esperança, a fé e a crença...Não passa despercebido seu riso familiarmente falso e rancoroso...A sede de vingança e poder se estampa mais no rosto que qualquer maquiagem. Gera no ambiente partilhado uma “ coisa” que os que não são carregados pela mão de deus podem sentir...E não é nenhum fedor, medo, espanto, arrepio ou premonição – é sim, uma certeza simplesmente...
Alguns humanos, ainda estão sentados no trono do coração e caminham em direção ao abraço...Que pode nunca vir...Que pode ser o abraço do que vive abraçado a seu umbigo.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

rODa vIvA... poESia dE MIm !!!


PASTOR REBELDE

Lavado no pecadoA seguirLavando feridas e dores
De sentimentos incolores

Pintado de guerra
A sorrir pela paz
Impossível
Na face carrancuda
Da Terra

Pastor rebelde
A desejar anarquia
E liberdade para a alma
Que vaga esguiaArrastando responsabilidade
E fossa

Pecador despreparado
Para o arrebatamento
Prometido
Por quem mente
Em seu próprio nome
E em nome
Daquele que não existeA não ser em suas
Opiladas cabeças
Lavado em pecados
Louvado em querer ser
Sigo...




HAVER SIDO

Resta-me
Daquela alegria
Toda
Apenas a lembrança
Um
Haver sido
Que me incomoda
Agride e oprime

AntesNunca houvesse experimentado
O riso desmedido
Oriundo da alegria efervescente
De um viver pleno

Antes
Houvesse sido
Apenas
O vazio da inconstância
O pleno da tristeza
E a distância da emoção

De que me adianta
Hoje, casmurro
A lembrança
Do haver sido
Se não
Para me agredir a alma
E aumentar a vontade
De não ser?

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A BULA


A BULA
Não tinha apego à vida. O que não significa que desejava a morte. Seus cuidados com a saúde eram nenhum. Sedentário, não fazia exercícios, ação que julgava um grande excesso, era um móvel, movia-se por extrema necessidade e mais por força e ação do dia a dia que de sua vontade. Não tinha uma vida permeada por regras. Até gostaria de ser uma pessoa metódica, mas, não o era. Tinha manias, algumas esquisitas, poder-se-ia dizer “muito esquisitas”. Sua vida não era normal, mas não se poderia afirmar que era um excêntrico.
Não tinha o vigor criativo e doentio de Eugene O’neil, e talvez dele nunca tivesse ouvido falar, da tragédia não se encantava nem com o bode nem com os cantos, partes de um culto que lhe eram tão familiar quanto O’neil. Os problemas eternos do homem não o interessavam, o destino, as paixões e a justiça, eram para ele questões teóricas que acentuavam a desordem mental inerente a todo ser humano, preferia rir e tomar uns tragos, brindar o dúbio comportamento e o escárnio que sentia da sociedade. Era um homem de vanguarda, um obreiro, um para militar a serviço de sua própria tragicomédia.Obra original de sua autoria, que jamais iria contextualizar.
Sentia-se cheio de vida, e de sua saúde regozijava-se. Uma de suas manias era comprar remédios. Só para tê-los em casa, para ficar observando, uma coleção da qual podia debochar. Era realmente um homem de vanguarda.
Desprezava a ciência e os médicos, Sua hipocondria, era de colecionador, de vitrine. Que diria ele desta comparação?. Tinha na ponta da língua, diversos casos de erro médico, com detalhes de datas, vítimas e locais. Por não gostar da internet, gastava horas infindas em cartas, artigos e teses a revistas, jornais, programas de Tv e rádio. Tudo o que pudesse fazer para expressar seu repúdio a ciência de Hipocrates de Cós.
Tamanha era sua atuação, que chegava a ser conhecido de membros do Conselho de Medicina, que o odiavam. E por tratar-se de um Conselho muito corporativista, o contágio do repúdio circulava de médico em médico. “Dia da caça, dia do caçador”.
Certo dia foi acordado no meio da noite para socorrer um vizinho. Na verdade um grande desafeto. Não era nenhum estoicista, mas também não vivia somente para o prazer, afinal não se deve negar água a quem tem sede. Levou o indivíduo - termo usado por ele, para designar o vizinho doente – ao hospital, estacionou onde era possível, em frente a uma garagem, mas naquela hora não haveria de importunar ninguém, pois, somente iria despachar o indivíduo e sua família e voltar aos braços de Morfeu. Para sua surpresa, os minutinhos em que se demorara haviam se constituído em meia hora, e seu carro estava com os vidros laterais quebrados e fora empurrado para o meio da rua. Seu ódio, que quase sabia guardar bem, tomara-lhe todo o corpo e mente. Seu repúdio a classe médica e a necessidade da utilização de seus serviços tornara-se ali maior e maior...
Quando se dissipou parte de sua ira, pode ver o cartaz que pendia sob o portão de garagem que travara: “Não pare nem por um minuto, pois, se eu quiser entrar ou sair, serei obrigado a quebrar seu vidro lateral”.
Maldito hospital, malditos funcionários, maldita ambulância que não socorreu aquele besta fraco e malditos médicos, resmungou – por uma semana seguida. Era realmente um homem da oposição, da diferença. Seu conceito de realidade fazia-o destronar todo o pensamento em torno do pecado, moral e da graça. Embora tivesse pouca leitura e passasse a quilômetros de distância da intelectualidade filosófico-literária, tinha decorado uma passagem de Nietzche: “o que é bom? Tudo que eleve no homem o sentimento de potência, à vontade de potência, a própria potência”.
Pois é, certa noite deleitou-se em Whisky. Foram duas garrafas de Jack Daniel's, e o coração gritou. Uma dor insuportável no peito, coisa séria. Nunca havia se sentido assim, aliás, jamais houvera sentido qualquer dor, mas, intuitivamente soube que aquela medida era exagerada. Dor e medo, no espartano, dor e medo – estava doente. Gritava feito criança, toda a casa estava nervosa. Os gritos chamaram a atenção da vizinhança e por seqüência ao tumulto, da polícia. Faltava a ambulância. O homem mudara de cor, arfava por não conseguir respirar.
Sua mulher sai aos gritos: Uma ambulância, uma ambulância. Essa chega, e quando adentra o imóvel, já é tarde, o homem caído no chão sobre uma imensidade enorme de frascos, vidros, tubos e ampolas de remédios dos mais variados tipos e tamanhos. Dava a impressão de que num último e gigantesco ímpeto, tentara alcançar a salvação no que tanto houvera desprezado. Preso a sua mão uma bula, que dizia, “não use este medicamento antes ou após ingerir bebidas alcoólicas. Não cessando os sintomas procure imediatamente um médico”.
O universo às vezes conspira contra. Não existe verdade mais absoluta que a própria realidade.
Sylvio Neto
Publicado no Recanto das Letras em 22/11/2005
Código do texto: T74947

terça-feira, 31 de maio de 2011

De Volta Ao Começo: Domingo No Donana



Mulheres maduras, rugas, cabelos brancos, crianças...
O Reggae de Belford Roxo está casado e tem filhos...
Envelheceram os homens, artistas, que se apresentam em risos desmedidos e sem vergonha ou dó de suas rugas e cabelos brancos...
A comum dread lock...Agora é passado para muitos...As existentes, agora são dos garotos antenados e dos filhos da moda...
Os velhos músicos, precursores do movimento, ainda envergam bem as pernas e braços em movimentos contorcidamente harmônicos...
O reggae não morreu...
O Movimento esteve sim, enterrado e esquecido por aqui...
Continuou vibrante mundo a fora...Mas a sua importância como instituição imaterial que deu zelo, força, identidade e auto estima a uma comunidade inteira, que pôde gritar alto e cantar, dando fim ao estigma que assolava esta Terra dos Jacutingas nativos e dos Jacutingas negros, trazidos de África como escravos, os resistentes Hidras de Iguaçu...Não esmoreceu jamais...A importância da música reggae estava dentro de cada coração, escondida sob pedras e paredes...Resistente e viril, tanto quanto o foram os Hidras de Iguaçu.

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Dia 29 de maio de 2011, domingo à tarde, foi dia de reggae na Pian...
Dia que marca o verdadeiro recomeço do Centro Cultural Donana...
Dia que marcou a ferro em cada um de nós, a importância e a referencia que é ali, o CCD, para que não seja, jamais, novamente esquecido, que aquele Centro de Referência Cultural é único e jamais poderia ter encerrado atividades...Que a dor da distância dos encontros embalados a música, poesia, dança, capoeira, risos e abraços, seja, a marca da resistência e que seja também um alerta...Para que não se olhe jamais novamente, somente e somente, para os umbigos do interesse pessoal.

O umbigo do Centro Cultural Donana...Precisa ser coletivo, independente das muzengas que maus artistas e ou preponentes destes venham trazendo...

O encontro foi contagiante...Algo como um chamado de fumaça ou de tambores...A que obedecemos todos...Independentemente de particularidades (umbilicais) e ou rusgas passadas...

A Praça é do povo e o Céu é do condor e o Centro Cultural Donana é a praça...Portanto do Povo É...

Todos os artistas...
Ou quase todos...
Todos famosos ou nem tanto assim...Mas todos inteiros, convictos, alegres
Com suas esposas, seus filhos, seus cabelos brancos, suas rugas e rusgas...
Todos...
Ou quase todos...
Artistas de suas artes...
Estivemos no Donana...

Abraçando, rindo, beijando, lembrando, filmando, fotografando e dançando ao som das pick ups comandadas por MPC e seu Digital Dubs Sound System.


A galera do Cabeça de Nêgo, esteve no evento com a formação quase completa...Gui (batera), Rico (guitarra), Reinaldo (guitarra) e Emerson Matheus (baixo)...Foram faltas notadas Biguli (vocais e percussão) e o Marruda (vocal).



Uma Figura Muito ilustre na história do recomeço e reinvenção da Banda Cabeça de Nêgo é a Renata Cobre, que segue cheia de coragem levando nas costas a pesada missão da produção executiva da galera...Colocamos o papo em dia e fiquei bastante agradeciso pela consideração da galera em me convidar para escrever o release...Tô nesta labuta...Tah saindo...

Dia 15 de junho, no Centro Cultural Carioca, rola show da galera: Vamos chegar por lá...

domingo, 29 de maio de 2011

Olhando...





OLHANDO PARA TRÁS, OLHANDO PARA FRENTE, CEGO E PERDIDO ANDANDO A ERMO!

Sexta Feira, próxima, chego (cheguei!) ao ante pé dos cinqüenta anos. Estarei completando quarenta e oito anos e, pareço mais um urso em hibernação que o lobo da estepe que deveria ser.

Barbudo e cabeludo - se é que uma calvície incrustada de cabelos brancos a volta do topo do crânio é uma cabeleira – e com péssima aparência, vivo de ruminar o passado, enquanto que o presente é só um poema mal acabado...

A olhar, o futuro sem maiores esperanças e/ou projetos, vou seguindo um dia a dia sem desejos e virtudes, sem avanços e em demora, tal qual um urso hibernado sem pressa de que venha o verão.

Desde os trinta e cinco é que um ocaso ocupa a vida de meu coração e o tempo de meus pensamentos. Tal mercúrio, escorre da mão, a força vital da vida e, o dia engole as noites tal qual as noites regurgitam os dias em embaraçada indigestão que me apavora os ânimos e a vontade de acordar.

Vivo de paixões antigas, pontiagudas farpas que me atravessam o peito tal estacas a amortecer a sede de um vampiro...Sombras, sombras e mais sombras de um passado vigoroso em vida e risos, em prazer e satisfação, em alegria e contentamento.

Onde foi que deixei escapar a razão de viver?
Onde foi que perdi o passo?

Em algum momento eu deixei de olhar a volta, fiquei cego, deixei de ver as verdades ou as possíveis verdades de meu entorno e, volvi os olhos para dentro de meu ser, deixei de ver a luz da verdade relativa, para tentar ver a verdade absoluta de meu eu, e, me aprofundei cada dia mais na imensa caverna escura de meu ego. E, sem pestanejar nunca, sem tremer jamais, caminhei dia a dia por entre as curvilíneas entranhas de meu ser interno e subjetivo.

Difícil avaliar, quanto da vida poderei eu, ter perdido. No caminhar insano de meu caminhar buscador.

No agora, as mínimas coisas me parecem inalcançáveis...Tão distantes que mo parecem estar de minhas capacidades todas, reunidas. Meu corpo não reage mais às vontades que por vezes meu querer despeja sobre ele, a musculatura já não responde a vontade de caminhar e ver a paisagem à volta e o domínio que muitos ainda tem sobre si e o mundo a sua volta, a natureza linkada ao caminhar da urbe, as flores cercadas de muretas de alvenaria, a grama que enfeita a borda da ciclovia, as bicicletas em movimentos tais quais danças várias, tal qual o acrobata em uma linha de rua suspensa a três centímetros do chão, quem sabe se ousasse uma corridinha leve, para ver passar a velocidade de duas ou três passadas em uma, um amigo antigo, um velho conhecido, uma criança a rir ou a fazer malcriações a seus pais, quem sabe, saberia ser mais feliz, saberia estar melhor e mais arejado?

Pareço mesmo é uma velha tela de cinema, sim, uma daquelas que exibia a parede do Cine Riviera em Belford Roxo, quando era eu infante feliz e dono do mundo.Pareço mesmo, aquela velha tela que me trás à memória tantos velhos filmes que minha meninice adorou e riu e comentou nas muitas segundas feiras de aula e novidades do final de semana. Uma velha tela onde o filme da memória surge a cada instante a desiludir uma esperança de dias renovados e apaixonados.

Quando menino, também me acometia por dias uma melancolia e tristeza enorme e, nesses momentos me recolhia a velha mangueira do quintal, grande, enorme e frondosa árvore de lindas, grandes, enormes e deliciosas mangas coração de boi, lá de cima via o mundo à volta de minha casa, via todos os quintais, via o sol e as nuvens bem mais de perto que todos os meus e voava um avoar pousado, um avoar lúdico por toda à volta, enquanto via os meus, bem mais pequeninos que o normal e ainda mais distantes, tanto quanto eu preferia, em minha raiva de dor grandona, feito a árvore e a manga doce. Ali dentro do vento e perto da roda do ar do mundo eu curava minha doidice de menino e volvia ao mundo real, ao meu reino real.

Por agora, não há mais árvores que possa eu subir, o devir as levou e trouxe espaços amplos nos quintais e, ainda se assim não fosse, meus músculos não permitiriam tamanha travessura aos pés, dos pés dos cinqüenta anos. Por agora, posso subir ao alto das minhas lembranças e me escarafunchar no escuro quarto de minhas lembranças, na fria caverna de minha alma tal urso a hibernar, no fechado corpo de minhas entranhas de estranhas ciladas para minha vida, tal eu próprio.

Não está somente na memória meu maior tormento, meu maior tormento, está também na capacidade, na velocidade e na criatividade que me fugiram. Meu maior tormento é mesmo à vontade, as minhas vontades são tantas que é nenhuma. E sem vontade não tenho nenhuma verdade se não uma grande mentira que passa ser minha vida.

Por vezes infinitas, busco a concentração e, tento nela instalado conseguir engendrar de forma didática, uma reação, um salto, um olhar além, mas mecanicamente, me surgem tantos eus dentro da cabeça, a discursar e discutir tão prolixamente, sobre tantos e tantos diversos assuntos, que me foge, a grande velocidade a concentração com todos os planos.
projetados sob o braço.

Não há um projeto que eu persiga com a obsessão natural da dedicação e da vontade de fazer e de ser. Afinal a “sede de nomeada” nos abraça, mesmo quando não admitimos, mesmo quando não queremos, mesmo quando não pedimos em reza ou prece, ela nos surge por que é natural que surja, orgulho, da construção de quaisquer engenho objetivo ou subjetivo que seja, mas a submissão ao desalento e ao desespero da alma é o que me move ou imobiliza, nada sou, tudo e nada quero por conta de que nada faço.

Desespero da alma é meu mal. E complica a dor admitir que lá dentro de mim um outro eu exista e que este outro eu – elegido entre os vários e vários eu – que se lançam contra as paredes de minha calma – me dificultando a escolha de um eu externo de personalidade eterna - seja alma, pois que alma é coisa de cristão, vibração e vida nos dada pela escola da religião este coyote que nos segue sedento desde a mais tenra calma, a do nascimento. Como posso então aludir um desespero da alma, se não vejo no céu um senhor deus que me possa trazer toda a calma?

Enterra-me no bucho mais esta vez o punhal do devir que me surge célere a puxar os pés sem mo deixar descansar e dormir. Pra que tanta pressa se ao menos sei pra onde ir?

Estas minhas mãos leves e carinhosas já se viram a acariciar tantos lindos rostos, esta minha boca de negro a ostentar grossos lábios já souberam beijar de forma tão carinhosa, apaixonadas e sedentas almas gêmeas de meu amor e ousaram lhes dar o melhor de mim, como numa transubstanciação em que se transforma o beijo em profundo e terno amor. Quão leviana pode ser inda a vida que as levou por motivos que nem sei mais saber, por ter sido lavado em dor de amor e por estar seguindo em solidão?

A dedicação de toda a minha vida devotada à educação e a cultura que tantos pares me fez conhecer, que tantos lindos poemas me fez escrever que tantos vigorosos poetas me fez ler, em rodas de música, querer e fazer. Por onde anda tanta gente que nos ombros amparei quando preciso foi? Por que se insurgiram contra tudo o que acreditei e provei saber fazer existir, numa rebelião onde divinizaram e valorizaram seus próprios umbigos ante a festa do pão que era pra ser dividido a todos do circo?

Vivo, pois, sem vida, um viver de lacônica estrada, sonhando viver ainda um grande amor, nesta minha vida de viver sem vida. O amor será a flor que renasce linda no jardim de quem plantou e regou e morre intensamente a cada dia por perseguir dentro do peito, forma de salvar o viver da vida.

Talvez me salve a poesia, talvez me salve a poesia ou um poema de mim na contradição do milagre que para mim não existe se não na necessidade de sua existência.